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domingo, 25 de julho de 2010

Software analisa fala de criança e revela propensão a autismo

Um programa de computador é capaz de revelar a predisposição de uma criança ao autismo analisando gravações de sua voz na idade de aprendizagem da fala.
O grupo que criou o software, liderado por Kimbrough Oller, da Universidade de Memphis, criou um método para analisar sílabas e palavras. Para testá-lo, gravou tudo o que 232 crianças disseram durante um dia --as mais novas tinham 10 meses, as mais velhas 4 anos.
O programa, descrito em estudo na edição de hoje da revista "PNAS", conseguiu identificar corretamente o autismo em 86% dos casos. No caso das crianças normais, a análise computacional também conseguiu identificar a sua idade.
Os cientistas perceberam diferenças sutis, entre outras coisas, na maneira como as crianças falam a sílaba "ba", por exemplo. Uma criança normal tende a falar "ba-a", com uma mínima pausa intermediária (muitas vezes imperceptível). Uma autista, não, mostram as análises.
Diagnóstico
"Há muitos anos, vários médicos vêm dizendo achar que crianças autistas falam de modo diferente, mas nunca tinha sido criado um meio prático de usar isso para o diagnóstico", diz Oller.
Os testes foram feitos em inglês, mas Oller acha que não há motivo para acreditar que o programa não funcione com outras línguas.
Hoje em dia, médicos fazem o diagnóstico do autismo utilizando uma série de parâmetros comportamentais e de linguagem. Eles observam, por exemplo, quanto uma criança fala em determinada idade ou quanto ela faz contato visual com as outras pessoas.
"O autismo é multifatorial e possui muitas dimensões de comportamento que devemos considerar. A vocalização é claramente bastante importante, mas eu não acho que ela deva ser utilizada sozinha", diz Oller.
O novo software já foi patenteado pela Fundação Lena, organização sem fins lucrativos à qual pertencem vários dos autores do estudo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

AUTISTAS TAMBÉM TÊM CAPACIDADE DE JOGAR


Portuguesa é a primeira doutorada em Educação Especial

por Alexandra Serodio


Após seis anos de investigação, Ana Saldanha conseguiu criar um instrumento único que permite avaliar a capacidade de jogo das crianças com autismo. A descoberta valeu-lhe nota máxima com distinção e torna-a na única portuguesa doutorada em Educação Especial.
 



Aos 30 anos, a maioria dos quais agarrados a livros, Ana ostenta um sorriso rasgado e não esconde o orgulho do trabalho realizado. Ontem, segunda-feira, na Universidade da Extremadura, pólo de Badajoz, defendeu durante cinco horas a tese “O Jogo  em Crianças com Transtorno  do Espectro Autista (TEA): Desenvolvimento  de um  Instrumento  de Avaliação”.
“Este é o fruto de alguns anos de investigação na área do Autismo” assegura Ana, revelando que a tese “surge pela carência de métodos/provas de Avaliação do Jogo Simbólico em Crianças Autistas”. A investigadora acredita e provou que “as crianças com autismo têm capacidade de jogo” apesar de “alguns autores discordarem”.
“Tanto para as crianças com incapacidade como os que não contam com ela, têm direito ao jogo e ao acesso aos brinquedos” explica Ana, admitindo que “os primeiros encontram sérias dificuldades para poder usar muitos dos jogos e brinquedos do mercado”.
Para a recém doutorada, o jogo “permite desenvolver a própria capacidade física e mental, sendo uma fonte de auto afirmação, satisfação e prazer”. O jogar “significa ser activo e preparar-se para a vida adulta”, afiança.
Depois do trabalho desenvolvido com 45 crianças espanholas, o novo instrumento de avaliação de Ana Saldanha permitiu demonstrar que “as crianças com TEA têm capacidade para poder desenvolver o jogo simbólico”, e ainda “comprovar que nesse jogo podem identificar-se dimensões que fazem referência a diferentes habilidades intelectuais específicas”.
A investigadora lembra que “o autismo é uma síndrome que ultimamente tem tido um maior enfoque de investigação”, devido ao facto de “actualmente, surgirem nas escolas e nos centros educativos uma quantidade considerável de crianças com esta perturbação”. Mesmo assim, realça “deparamo-nos no dia-a-dia com uma grande dúvida no diagnóstico diferencial, entre autismo e nomeadamente o atraso mental”.
Durante a investigação dividida entre Portugal e o país que escolheu para estudar, Espanha, Ana percebeu de imediato as grandes diferentes existentes. “Em Espanha trabalha-se em equipa. Os médicos, pediatras, psicólogos e outros especialistas trabalham em conjunto em prol da pessoa e isso não se vê em Portugal”, realça, assegurando que no caso do autismo “é importantíssimo este tipo de união entre todos”.
Defendendo que “a intervenção precoce é fundamental para o futuro das crianças com autismo”, Ana assegura que uma pessoa com autismo “pode ter qualidade de vida e até trabalhar”, basta para isso que “seja ajudada e estimulada”. Reforçando a necessidade de distinguir “autismo de doença mental”, a investigadora acredita que o instrumento de trabalho que desenvolveu permitirá dar mais felicidade aos autistas.

terça-feira, 22 de junho de 2010

MENINO AUTISTA QUEBRA SILÊNCIO E SE COMUNICA POR COMPUTADOR

Usando técnica conhecida como comunicação facilitada, britânico de 13 anos, passou a se expressar e até a escrever poemas.

Jamie Ponsonby não consegue falar (Foto: BBC) 
O britânico Jamie Ponsonby não consegue falar e durante anos permaneceu preso em seu próprio mundo.
Sua família, porém, o ensinou a usar um teclado de computador e hoje em dia o garoto de 13 anos, que sofre de autismo, consegue não apenas se expressar como também escrever poemas.
Sua mãe, Serena, disse que isso permitiu que Jamie se comunicasse com a família e que, assim, ela pudesse entendê-lo melhor.
"Nós não tínhamos ideia de que havia uma pessoa lá dentro que sabia tudo", afirmou ela.
Emoções e senso de humor
"Por meio da digitação nós descobrimos que ele sabe todo tipo de coisa. Ele está totalmente ciente de tudo, seu senso de humor está totalmente ali. Ele tem uma poesia linda, seus sentimentos e emoções são todos perfeitamente normais e acima da média para sua idade."
O diretor de pesquisas da entidade beneficente Research Autism, Richard Mills, disse que casos como o de Jamie são relativamente raros.
Ele disse que a técnica usada pelos pais de Jamie para ajudá-lo a se comunicar - conhecida como comunicação facilitada - apesar de polêmica, tem mostrado bons resultados.
Ela foi introduzida pela primeira vez na Austrália nos anos 70 e consiste em alguém apoiar a mão, o pulso ou o braço de um a pessoa com deficiência comunicativa enquanto esta usa um teclado ou outro aparelho para formar palavras e frases.
"Nós sabemos que pessoas com autismo muitas vezes precisam de muito tempo de processamento. Eles precisam que as coisas sejam visuais, então palavras digitadas em um teclado tendem a funcionar melhor (do que outras formas de comunicação como o uso da fala, por exemplo)".
Paciência
Serena disse que apesar de Jamie digitar com lentidão - ele levou duas semanas para digitar seu poema sobre autismo - ele está, aos poucos, ficando mais rápido e independente.
Ela percebeu que havia um problema com seu filho quando ele tinha 18 meses de idade.
"Ele foi diagnosticado com dois anos e meio, mas desde os 18 meses eu sabia que algo não estava certo. Ele costumava adorar música mas começava a gritar quando eu o levava para aulas de música", disse ela.
Durante alguns anos após seu diagnóstico, Jamie perdeu mais e mais habilidades , incluindo a fala. Ele tinha uma habilidade limitada para se comunicar por meio de sinais, portanto a comunicação se tornou difícil.
"Nós começamos a estimulá-lo a digitar aos nove anos de idade, após eu ler um livro sobre alguém que achava mais fácil digitar, apesar de ela saber falar", contou Serena.
"Pensei que talvez pudesse ser um caminho diferente. Começamos a estimulá-lo a digitar as palavras que ele sabia usar com sinais e fizemos progressos bem, bem lentos. Nós muitas vezes pensamos em desistir."
"Depois de alguns anos ele começou a ler placas e vimos que ele conseguia ler. Começamos a fazer perguntas e ele digitava todo tipo de coisa que nem sabíamos que ele conhecia", disse a mãe.
"Como uma família, isso nos permitiu a saber que existe alguém ali que sabe tudo que está acontecendo. Ele adora viajar e se você sabe que ele está ganhando algo com isso, sua paciência aumenta."
"Você não fala com ele como com alguém que não entende - sua autoestima e confiança estão infinitamente melhores."
Apesar do sucesso descrito pela família, a técnica da comunicação facilitada é criticada por cientistas que questionam o grau de interferência dos responsáveis no momento de comunicação pelo teclado.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

XVI ENCONTRO DE AMIGOS PELO AUTISMO - AMA SP

PROGRAMAÇÃO 

15 de julho


08h30m–09h30m - Política para pessoas idosas com autismo


09h30m–09h40m - Perguntas


09h40m–10h10m - Intervalo


10h10m–11h10m - Expectativa de vida de pessoas com autismo


11h10m–11h30m - Perguntas


11h30m–13h00m - Almoço


13h00m–15h30m - Como o processo de envelhecimento é afetado pelas consequências do autismo


13h00m–13h40m – Pelas características do autismo


13h40m–14h20m - Uso de medicação continuada e a longo prazo


14h20m-15h00m – Pelas co-morbidades do autismo, principalmente epilepsia


15h00-15h30m - Perguntas


15h30m- 16h00 - Intervalo


16h00m-17h40m – Investimento ao longo da vida para a qualidade de vida no envelhecimento das pessoas com autismo


16h00m-16h20m - Através do exercício

16h20m-16h40m - Através de medidas preventivas, como exames clínicos


16h40m-17h00m - Através do cuidado odontológico


17h00m-17h20m – Através da nutrição


17h20m-17h40m – Perguntas




16 de julho


09h00m-12h20m -Envelhecimento e Autismo – Visão das instituições


09h00m-09h20m - Núcleo Luz do Sol


09h20m-09h40m- Associação de Convivência Novo Tempo


09h40m-10h00m - AMA – Associação de Amigos do Autista


10h00m10h30m - Intervalo


10h30m-11h10m – Nos Estados Unidos


11h10m-11h50m – Na Suécia


11h50m-12h20m – Perguntas


12h20m 13h30m – Almoço


13h30m-15h00m - Envelhecimento na Síndrome de Asperger


13h30m-14h10m – Quadros psiquiátricos comumente associados à Síndrome de Asperger


14h10m-14h50m – O papel da família


14h50m-15h00m – Perguntas


15h00m-15h30m – Intervalo


15h30m-16h20m – Panorama traçado em visita a instituições européias


16h20m – Encerramento


Palestrantes convidados:


Alison Dickson


Bruno Caramelli


Cristiane Rodrigues Silva


Eliana Prado


Gunilla Heijbel


Lara Cunha


Lena Nylander


Leticia Amorim

Marcos Mercadante

Maria América Andrade


Marialice Vatavuk


Marina Cardeal


Marli Bonamini Marques

Mauro Stepanes

Raymond Rosenberg

Rosa Magaly Morais


Faça a inscrição pelo site da AMA ou pelo tel.: (11) 3376-4401.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

AUTISMO: DIAGNÓSTICO PRECOCE

Pesquisadores verificarão risco de autismo em bebês de 6 meses


O diagnóstico de autismo se dá apenas por volta dos 3 anos, quando um tempo precioso já se perdeu. Mas Patricia K. Kuhl, neurocientista da Universidade de Washington, e seus colegas descobriram que certas diferenças neurológicas e comportamentais podem ser identificadas por volta dos 2 anos. A equipe planeja testar diagnósticos semelhantes em bebês de 6 meses. O objetivo é criar um instrumento de análise que verifique o risco de autismo o quanto antes para permitir uma intervenção.


O cérebro das crianças está pronto para a linguagem por volta dos 3 anos. Sua aptidão lingüística depende muito da capacidade de detectar sinalizadores fonéticos, bem como de prestar atenção à voz de adultos, sobretudo da mãe. A equipe de Kuhl comparou as duas habilidades em crianças autistas e em outras de desenvolvimento normal com idade entre 2 e 4 anos. O cérebro das crianças autistas em idade pré-escolar não mostrou reação à mudança de uma consoante em uma série de sons idênticos (o sinalizador fonético). E elas demonstraram preferir um cantar sem palavras computadorizado a trechos de "mamãnhês" - o modo expressivo, leve e adocicado de falar que as mães costumam usar com crianças pequenas que, como já demonstrado, auxiliam o aprendizado da linguagem.

terça-feira, 13 de abril de 2010

ARTIGO NA ÍNTEGRA - RECONHECIMENTO FACIAL E AUTISMO

RECONHECIMENTO FACIAL E AUTISMO


Como havia prometido ao amigo Guilherme, hoje estou colocando aqui o link para artigo na íntegra, formato pdf. A leitura deste artigo traz importantes informações sobre como é a percepção de relações sociais de nossas crianças. Imprescindível para a criação ou atualização de métodos de tratamento.

Um grande abraço!
Amanda ** amandabueno.autismo@gmail.com
FRANCISCO B. ASSUMPÇÃO JR*, MARIA HELENA SPROVIERI**, EVELYN KUCZYNSKI***, VERA FARINHA****
RESUMO - Através da apresentação de quatro figuras com expressões faciais diversas, avaliamos a capacidade de reconhecimento de crianças autistas, comparando-as com crianças de inteligência normal e adultos normais. A comparação dos resultados obtidos foi realizada através do teste do qui-quadrado. As diferenças observadas mostraram-se significativas, reforçando a idéia de que existe uma dificuldade da percepção das expressões faciais nas crianças autistas, o que interfere diretamente nos relacionamentos sociais.

PALAVRAS-CHAVE: autismo, reconhecimento facial, prosopagnosia.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X1999000600008f

Série aborda o tema AUTISMO: Novo canal feminino estreia hoje na TV a cabo brasileira

People+Arts dá lugar ao Liv, direcionado para mulheres

Assinantes da TV a cabo brasileira contam a partir de hoje com uma nova opção. No lugar do People+Arts na grade, estreia na América Latina o canal Liv, marca da Discovery Networks. A programação inclui seriados, filmes e programas dedicados especialmente às mulheres.


Entre os destaques da programação estão séries de sucesso que estrearam recentemente nos Estados Unidos, como o drama familiar Parenthood e a comédia Life Unexpected, além das séries Hawthorne, Mercy e e Happy Town.

Parenthood conta as histórias de uma grande família americana, focando tanto nos dramas dos pais quanto nos dos filhos. Capitaneada por Lauren Graham (de Gilmore Girls) e Peter Krause (de A Sete Palmos), a trama contém tópicos que mexem com o núcleo familiar. Autismo infantil, separações, traição, desemprego e filhos fora do casamento estão entre os destaques da primeira temporada.


:: Confira a programação do canal Liv no site HAGAH

sexta-feira, 9 de abril de 2010

INFORMAÇÃO -País tem apenas um médico para 31 mil deficientes mentais severos

 De Brasília - Vinícius Tavares


Existe um pediatra infantil para cada grupo de 33.561 pessoas menores de 21 anos com transtornos mentais severos no Brasil. A constatação reconhecida pelo Ministério da Saúde foi tornada pública em caráter de denúncia pela Conselheira de Saúde e Diretora de Eventos do Movimento do Orgulho Autista Brasil, Maria Lúcia Gonçalves. Artista Plástica e avó de autista, ela participou de uma audiência pública na quinta-feira na Câmara dos Deputados para celebrar o Dia Internacional do Autismo, que foi comemorado no dia 2 de abril.


Maria Lúcia leu um manifesto no qual aponta uma série de deficiências no oferecimento de tratamento em saúde mental para os portadores de Transtorno de Desenvolvimento Global (TDG), também chamado de autismo. A militante enumerou uma série de demandas que deveriam ser atendidas pela administração pública e pela iniciativa privada. Segundo ela, existe um descompasso entre os recursos destinados pelo governo para a área de saúde mental e a procura por estes serviços por parte da população.

“Apenas 2% orçamento do SUS são destinados para a saúde mental enquanto que de 12 a 13% da população brasileira procura, pelo menos uma vez por ano, os serviços de saúde mental. Os números mostram que o assunto ainda não é uma prioridade para o Brasil”, revelou.

A palestrante defendeu treinamento para que médicos e psiquiatras possam identificar o autismo em bebês e oferecer melhor tratamento médico a psiquiátrico. Maria Lúcia lembrou que os portadores de TDG também adoecem de doenças comuns e que precisam de atendimento médico e de medicamentos de uso contínuo, não só de psiquiatras.

Maria Lúcia reivindicou a criação de projetos de saúde ocupacional para o fortalecimento dos grupos de apoio à família e ajuda econômica às famílias e benefício de renda. De acordo com a conselheira, a validação, pela rede pública, do diagnóstico por parte de psicólogos é fundamental para que haja uma melhoria na qualidade de vida das crianças portadoras de TDG.

“Isto tudo custa dinheiro, senhores. Normalmente só de aceita diagnósticos feitos por psiquiatras e neurologistas. Mas os currículos dos cursos de psicologia já incluem o diagnóstico dos portadores. Isto deve ser considerado”, ponderou a conselheira.

O Dia Internacional do autismo foi instituído, há três anos, pela Organização das Nações Unidas (ONU) para coincidir com a sexta-feira da Paixão. Outra data que celebra o movimento será comemorada no dia 18 de junho, que marca o Dia do Orgulho Autista.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

AUTISMO INFANTIL E ODONTOLOGIA



• O Autismo infantil apresenta achados bucais específicos?


Não. Porém como todo o indivíduo com necessidades especiais, a atenção para os procedimentos preventivos deverá ser redobrada, a fim de evitar intervenções odontológicas futuras.

É importante também ressaltar que a comunicação deficiente acrescida à dificuldade de cuidados com a higiene bucal, poderão favorecer más condições bucais e/ou acentuar o comportamento de auto-injúria destes indivíduos.

• Como são realizados os procedimentos odontológicos em indivíduos com autismo?

 
Através de diversas técnicas de condicionamento, como falar-mostrar-fazer, comunicação por troca de figuras (PECS), contenção física, sedação e anestesia geral. Devido a estes indivíduos não aceitarem contacto físico, o condicionamento e a criação do vínculo com o cirurgião-dentista é dificultado; daí a importância do condicionamento odontológico precoce para que se torne parte da rotina do paciente.

• Quais os problemas odontológicos mais frequentes encontrados nos pacientes com Autismo?

A falta de entendimento sobre a importância de higiene bucal, associada à dificuldade para higienização, acarreta problemas gengivais. A dieta selectiva (rica em açúcar e com consistência pegajosa) e a auto-injúria são também frequentes nestes pacientes.

• Quais os cuidados que deverão ser tomados pelo Cirurgião-Dentista para o atendimento de pacientes com Autismo?

Estes indivíduos possuem extrema sensibilidade a estímulos externos, como iluminação e cores fortes, sons e odores. O tratamento odontológico deve ser curto e organizado. A comunicação com o paciente deve ser feita através de comandos claros e objectivos, com sinceros reforços positivos ou negativos. O alindamento deve ser realizado de preferência no mesmo dia e horário da semana e com o mesmo profissional. O cirurgião-dentista deve estar voltado para o controle mecânico da placa bacteriana e o condicionamento do paciente. Motivação e orientações frequentes aos cuidadores em relação à higiene bucal, dieta alimentar e comportamento de auto-injúria.


Ivy Haralambos Bassoukou - Mestre em Odontologia: Odontopediatria - Unicsul + Maria Teresa Botti Rodrigues dos Santos - Doutora em Ciências, Professora Titular da Disciplina de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais e Professora do Mestrado Académico em Odontologia - Unicsul. In: clínica EDE - Brasil

POSTADO POR MÁRIO RELVAS ÀS TERÇA-FEIRA, MARÇO 31, 2009
http://educaofsicaadaptadaeeducaoespecial.blogspot.com/

terça-feira, 6 de abril de 2010

AUTISMO POR TEMPLE GRANDIN


“A realidade para um autista é uma confusa gama de eventos, pessoas, lugares, sons, visões. Não parece haver limites claros, ordem e significado em nada. Grande parte da minha vida é gasta tentando estabelecer rotinas, tempos, rotas particulares e rituais que me ajudam a pôr ordem em uma insuportável vida caótica. Mesmo, às vezes, quando quero participar de algo, meu cérebro simplesmente não me diz como eu deveria agir, e ao contrário do que muitos pensam, é possível para um autista se sentir sozinho e amar alguém.
Se pessoas normais se encontrassem em um planeta com criaturas alienígenas, provavelmente se sentiriam amedrontadas, não saberiam como se comportar e certamente teriam dificuldade de saber o que os alienígenas estavam pensando, sentindo e querendo, e como responder corretamente a estas coisas. É assim que é o autismo. Por isso, tento manter tudo do mesmo jeito, reduz um pouco do terrível medo.

Mesmo quando as coisas não são diretamente aterrorizantes, eu tendo a temer que algo ruim vai acontecer, porque eu não consigo entender o sentido do que eu vejo. A vida social é difícil, porque não parece seguir um padrão. Quando eu começo a pensar que eu comecei a entender uma idéia, de repente essa idéia parece não seguir o mesmo padrão, caso as circunstâncias mudem um pouco.

Parece haver tanto a aprender. Autistas ficam muito brabos, porque a frustração de não serem capazes de entender o mundo apropriadamente é terrível. Aí as pessoas ficam surpresas porque eu fico braba. Foi só há algum tempo atrás, que eu percebi que as pessoas pudessem estar realmente falando comigo, então desde aí eu descobri que também era uma pessoa. E eu era uma pessoa, no mínimo diferente delas.

Quando era bem jovem, eu nunca percebi como eu poderia me relacionar com outras pessoas porque eu não era capaz de diferenciar pessoas de objetos. Então, quando percebi que as pessoas deveriam ser mais importantes que objetos, eu me tornei um pouco mais consciente, as coisas começaram a aparecer sob uma nova e ainda difícil luz”. (Therese Joliffe)
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Autismo é uma inadequação no desenvolvimento, que se manifesta de maneira grave por toda vida. Aparece tipicamente nos 3 primeiros anos de vida. É mais comum em meninos que em meninas. Acomete cerca de 20 a cada 10.000 recém nascidos. É encontrada em famílias de qualquer configuração social, étnica ou racial.
Definição da ASA, Autism society of America.

O autismo faz parte hoje, na literatura internacional da terminologia “transtornos invasivos do desenvolvimento”, que incluem quadros com desordens cognitivas, comportamentais, comunicativas ou de linguagem, e ainda quadros com manifestações psicóticas.

O autismo e os transtornos afins são conceitualizadoscomo síndromes comportamentais biologicamente determinadas e com etiologias variadas. Hoje sabe-se que nada tem a ver com antigas definições de problemas relacionais, onde chegavam-se a chamar as mães de autistas, de mães geladeira. As causas são orgânicas. As dificuldades principais estão nas áreas de cognição, linguagem, motora e social.
No caso dos transtornos invasivos do desenvolvimento, o quanto o diagnóstico for feito o mais precocemente, melhor o prognóstico. E muitas vezes melhoram esse prognóstico, se a criança, desde 2/3 anos, é colocada num programa educacional altamente estruturado. A educação especial é uma das prioridades no tratamento. O objetivo é desenvolver todas as possibilidades dentro das limitações.

Algumas características e sintomas para o reconhecimento da síndrome do autismo:
Desajustes na interação social
Indiferença diante de outros. Dificuldades com expressões não verbais tipo: olhar olho no olho, gesticulação, expressão facial; expressão de sentimentos, reciprocidade social ou afetiva. Incapacidade ou pouca capacidade para prever eventos ou comportamento de outros.

Desajustes na comunicação
Retardo ou não aquisição da fala. Dificuldade de diálogo, independente da dificuldade da linguagem. Uso de linguagem estereotipada ou peculiar (ecolalia e outras). Falta de imaginação espontânea ou imitação de comportamentos sociais.
Desajustes de comportamento
Compulsão por rituais ou rotinas não funcionais. Maneirismos motores. Pouca ou nenhuma noção de perigo. Comportamento mecânico. Distúrbios na alimentação (ausência de mastigação, predileções estranhas ou ingestão acentuada de líquidos). Oscilações de humor. Ocorrência de convulsões. Agressividade ou auto-agressividade.
Desajustes na motricidade, na orientação espacial e funções autônomas
Hipo ou hiperatividade. Moderada ou leve defasagem na coordenação de movimentos. Sono irregular.
Desajustes cognitivos
Reações de hiper ou hipo sensibilidade à estímulos sonoros, visuais, táteis, olfativas, gustativos ou térmicos. Pouca ou nenhuma capacidade de simbolizar.

Uma grande parte de autistas é portadora também de deficiência mental que varia de grau, leve a moderado e profundo.
Há também os autistas de alto funcionamento, aqueles que possuem habilidades especiais voltadas para a arte ou a música ou matemática ou orientação espacial...

Pessoas com transtornos invasivos do comportamento tem um estilo cognitivo próprio. Ouvem, sentem , vêem mas o seu cérebro processa informações de um modo diferente.

É necessário adicionar significado ao comportamento social para elas possam entendê-lo. A habilidade para compreender os comportamentos sociais está inserida em nosso cérebro, e a maioria das pessoas com deficiência tem sua intuição social relativamente intacta. Crianças autistas podem não ter o talento de ir além da informação pura. Nascemos biologicamente programados para adicionar um significado nas percepções com um mínimo de estimulação. Graças a isso, entendemos a comunicação entre as pessoas, o comportamento humano e nos adequamos de maneira socialmente aceitável. Esta capacidade não está totalmente ausente no autista, mas está desorganizada.

Se uma criança chora, de certa forma ela está comunicando uma emoção, mas não é o mesmo de comunicar o que a está chateando. Ela precisa de ajuda para sair deste comportamento pré comunicativo para uma real comunicação.
Uma criança não pode se comunicar com palavras, não significa que ela não queira, significa apenas que as palavras estão sendo muito difíceis. Deve-se tentar outros meios de comunicação. Uma criança não pode desejar o que ela ainda não entende.

Até mesmo para aquelas que adquiriram a linguagem são difíceis regras sociais como conversar, sobre o que, quanto tempo falar sobre algo que lhe interessa.
A grande dificuldade é entender o mundo no seu sentido literal, onde cada coisa pode significar tantas coisas.
O mundo é cheio de incertezas. vivemos indecisões, angústias, ansiedades. Usamos a organização do tempo para nos estruturarmos, criando prioridades, metas e previsões para hoje, amanhã, depois.

Para um autista, que vive de certa forma em estado de ansiedade, pois não tem a capacidade de prever eventos é fundamental que possamos dar a eles um ambiente organizado, o mais previsível possível, para que possa se desenvolver.
Definir espaços, instituir rotinas, instituir tarefas com início, meio e fim são fundamentais para a diminuição da ansiedade, do medo, e o desenvolvimento da concentração, motivação e aprendizagem. Importante que o autista saiba o lugar de seu prato, de sua colher, de seu uniforme da escola, de seu CD favorito...

Temos que tornar compreensível o tempo, concreta a ordem e a duração dos eventos, usando relógios ou temporizadores visuais. Assim muitas vezes estaremos evitando uma crise. Se por exemplo vamos levá-lo para passear é importante ser informado antes. Uma boa dica é que essa informação seja dada através de cartão, com a foto, ou o símbolo do local que vai. Como eles tem o pensamento visual, fica mais fácil a compreensão. A linguagem deve ser também usada, mais palavras simples e objetivas. A duração do passeio pode ser indicada por sinal de relógio (despertador) ou um evento que marque a volta para casa, um lanche por exemplo. O meio de transporte pode ser também indicado e devemos evitar ambientes com muitos estímulos, a não ser que esteja sendo trabalhado neste sentido.

É lógico que não vamos conseguir colocar nossos autistas numa redoma e manter previsível o tempo todo o seu ambiente. Mas o quanto mais estruturarmos o que está a sua volta mas ele conseguirá suportar suas variações sem maiores problemas.
A escola neste contexto é de fundamental importância para o desenvolvimento das habilidades comunicativas, sociais, de vida diária, cuidados com a higiene que devem estar inseridos num programa de aprendizagem.

Uma vez o diagnóstico feito, temos que ter em mente que nenhum autista, apesar de algumas disfunções comuns, é igual a outro autista. Somos seres humanos diferentes, com nossos potenciais e limitações. Portanto há sempre um trabalho a ser feito. Há sempre algo a ser alcançado dentro de qualquer limitação.

“Não quero que meus pensamentos morram comigo. Quero ter realizado algo. Não me interesso pelo poder ou pilhas de dinheiro. Quero deixar algo. Quero dar uma contribuição positiva. Saber que minha vida tem um sentido. Exatamente agora, estou falando de coisas que estão no âmago de minha existência”.
Temple Grandin - Autista
PHD em ciência animal e professora na Colorado State University
Em um trecho do livro “Um antropólogo em Marte” de Oliver Sacks

PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO ?

Dicas compiladas por Mônica Accioly   baseada nas fontes citadas. Ótima dica de texto!
Um grande abraço,
 
Os pais das crianças com autismo geralmente são responsabilizados pelos “ataques de birra” de seus filhos. As pessoas não entendem as reações das crianças e culpam os pais por não “darem limites” a seus filhos.

Como estamos acostumados a manter o controle nos ambientes que freqüentamos, ninguém imagina como o cérebro de uma criança pode entrar em “sobrecarga” (palavra muito usada pelos próprios autistas para descreverem o que sentem). Elas freqüentemente não conseguem filtrar os estímulos que as cercam (auditivos, visuais e táteis) e sentem como se todos os atingissem ao mesmo tempo, com a mesma intensidade.

Para nós, a adaptação e a “filtragem” dos estímulos é automática. Escolhemos aquele estímulo que mais nos interessa numa situação (a voz de uma pessoa, por exemplo) e, automaticamente, os outros ficam em segundo plano. No autismo não é assim. A criança não consegue fazer isso automaticamente. O seu cérebro fica confuso devido a entrada de vários estímulos ao mesmo tempo e ocorre a sobrecarga.

Muitos dos problemas de comportamento apresentados por essas crianças, deve-se a um colapso no controle dessa filtragem de estímulos. Portanto, quando seu filho tiver uma “crise de birra”, primeiramente observe:

1 - Avalie a situação em que ocorre o problema de comportamento. Lembre-se dos diversos estímulos (excesso de luzes, sons, vozes, multidão, toque, mudanças na rotina, imprevistos, situações novas ou desagradáveis, etc) que “sobrecarregam” os sistemas sensoriais da criança com autismo.

2 – Quando as crianças têm um sorriso no rosto, podem cooperar e prestar atenção. Mas quando estão cansados, confusos, frustrados, ansiosos, podem entrar em devastadora “sobrecarga de sensações”.

3 – A maioria das crianças “sinaliza” sua ansiedade de alguma forma. Talvez se torna agitada e, neste caso, essa agitação deve ser interpretada como comunicação : “Salve-me antes que eu perca o controle”.

4 – A dificuldade em comunicar algo ou pedir ajuda pode levar a um estado de frustração.

5 – Eles não gostam de perder o controle. Essas reações não são planejadas, são reações, isto é, a criança reage a algo que a incomoda ao extremo. Ao extremo dela perder o controle!

6 – Quem mais sofre nestas situações é a própria criança. Para ela, é difícil “voltar” depois que ultrapassou o próprio limite de “sobrecarga”.

7 – Você pode ajudar a criança a “voltar”.
 
PARA EVITAR QUE AS CRISES DE BIRRA OCORRAM, LEMBRE-SE :

A – A criança com autismo pode não generalizar uma regra. Talvez ela se comporte em casa mas não na escola, ou ao contrário. Pode aprender a se comportar numa situação, num determinado ambiente, mas para se comportar num outro ambiente, vai ter que aprender
novamente. Cada vez é a primeira vez. É preciso sempre lembrá-la de como deve se comportar.

B – Quando a criança fica sem ter o que fazer, podem ocorrer os movimentos de auto-estimulação ( que também os ajudam a lidar com uma situação nova ). Nestas ocasiões você pode oferecer a ela algo que seja mais interessante. Mas a família deve procurar preencher o tempo da criança de maneira sistemática ( usar figuras sobre a rotina diária pode ajudar).

C – Situações novas ou inesperadas também causam ansiedade. . Prepare sempre o seu filho para o que vai acontecer. Ele vai ficar mais calmo. Se você usar figuras, vai ser mais fácil ele entender, principalmente se ele perceber que depois de uma situação difícil (ida ao médico ou a o dentista, por exemplo), ele vai poder descansar ou fazer algo que gosta.

D – Criticar , provocar, insistir que uma recusa da criança é “bobagem”, é contra-produtivo e piora as coisas. Respeite os limites do seu filho. Lembre-se de que você pode estar forçando limites de tolerância sensoriais ou emocionais. Ele pode, sim, se acostumar a algumas situações que a princípio são difíceis para ele, mas para isso precisará de tempo e paciência.

CASO AS CRISES OCORRAM :
  • Seu filho não sabe o que fazer para “voltar” (lembra-se que ele perdeu o controle?) nem o que fazer para se corrigir.


  • Ele precisa que você não perca o controle! 
  • Ajude-o falando baixo, com voz suave e calma, repetindo uma palavra que ele entenda, cantarolando uma música que ele goste, ou descrevendo seu lugar predileto.
    Se ele estiver, por exemplo, batendo a cabeça contra a parede, diga “parado” e repita várias vezes com voz tranqüila, ajudando-o , gentilmente, a parar o movimento (apenas se ele é uma criança que aceita bem ser tocado). Se ele estiver gritando, diga “calado” ou “feche a boca”. Se estiver batendo em alguém ou nele mesmo, você pode dizer “mãos prá baixo”.
    Você ainda pode ajudar falando das coisas que ele gosta de fazer, por exemplo, “balanço” ou “praia” . Músicas também ajudam. Mas não esqueça de falar devagar, baixo e manter sua tranqüilidade. Com o tempo, você vai ver que ele vai fazer isso sozinho.
    Outra opção é dar a ele um ritmo. Se ele às vezes usa um movimento repetitivo qualquer para se acalmar, você pode tentar tocar levemente em seu ombro, em toques repetitivos e ritmados. O ritmo conhecido é seguro e calmante.

  • Lembre-se que o seu filho não entende porquê você fica “zangado” e, se for tratado com agressividade, REFLETIRÁ (como num espelho) essa atitude. Ele percebe melhor as emoções do que as palavras ou ações dos outros. Quanto mais você “zangar’ com ele, mais seu comportamento se tornará difícil. Portanto, é importante amá-lo quando falar com ele.

  • Finalmente : As crianças com autismo são antes de tudo ... crianças! E haverá momentos em que estarão tendo comportamentos característicos da idade ou do seu temperamento. Nestes momentos o “velho” castigo funciona bem, desde que a criança entenda o que está acontecendo. Se não, será inútil. Cabe então aos pais analisarem cada situação (em caso de dúvida, volte ao ítem 1).

Abaixo, trechos extraídos e traduzidos do livro “Somebody Somewhere” de autoria de Donna Williams (autista, formação universitária) que ilustram e explicam os transtornos causados pelo distúrbio sensorial, o que ela mesma chama de “inferno sensorial”:

“Dentro do meu armário escuro, os tecidos balançavam na minha frente. A segurança da minha querida escuridão. Ali, o bombardeamento das luzes e das cores berrantes, os movimentos e o blá-blá-blá , o barulho imprevisível e o toque incontrolável das pessoas, não existiam. Ali era um mundo seguro, onde as coisas estariam sob controle até que eu tivesse me acalmado o suficiente para pensar ou sentir algo. Eu tocava o tecido na minha frente, corria minha mão sobre a superfície sedosa dos sapatos de couro aos meus pés. Eu os pegava e passava no meu rosto. Ali, não havia a última gota que me levaria da sobrecarga ao fechamento.”

...................................................
“ A menininha gritava e se balançava , com os braços prá cima tampando os ouvidos para manter os ruídos distantes, e com os olhos cruzados para bloquear o bombardeamento dos ruídos visuais. Eu olhava aquelas pessoas e desejava que soubessem o significado de inferno sensorial.”
....................................................

“Ela prendeu a respiração, começou a ranger os dentes ritmicamente, endureceu como uma rocha, e continuou tentando bater nela própria, mesmo tendo as mãos seguras para baixo.
“Ela tem outra coisa prá comer?” perguntei. “Ela trouxe sanduiche”, disse a auxiliar, “mas não sabe comer sozinha”. “Posso ajudar?” perguntei.
Ficaram agradecidas. As funcionárias se ocuparam das outras crianças ao redor da mesa. Eu sentei num banco ao lado de Jody. O sanduiche dela estava embrulhado em plástico, na sua frente.
Comecei a cantarolar gentilmente. A melodia era curta, rítmica e hipnótica. Eu a repeti muitas e muitas vezes. Jody , junto a mim, fixava o nada. Ela prendia a respiração, se balançava e rangia os dentes.
Permaneci cantarolando até que ela parou de ranger os dentes. Eu continuei, repetindo a melodia muitas e muitas vezes. Comecei a tocar levemente em seu ombro, acompanhando o ritmo da música, que não mudava, sempre contínuo e previsível. Jody parou de se agredir.
As mãos dela estavam agora livres e Jody podia usá-las. Alcançou o sanduiche, rasgou a embalagem e enfiou a cara nele. Jody talvez não fosse muito elegante para comer, mas ao menos estava independente e pode se alimentar sozinha.”
...........................................................


“Donna, venha dizer oi ao Eric”, disse minha mãe.
Instantaneamente, um fogo me consumiu e minha cabeça foi em direção ao estômago de Eric, enquanto meus pés corriam a toda velocidade a seu encontro . Eu era um trem a vapor de treze anos . Ele saiu da frente no último instante para evitar a cabeçada. Minha cabeça bateu na parede e eu vi estrelas antes de apagar.
“Ela é maluca” explicou minha mãe pela enésima vez.
Eu não podia evitar. Eu havia sentido emoções.”
......................................................

“Eu estava exausta de ter minha atenção vagando por todos os objetos luminosos ou coloridos, seguindo todos os padrões e formas, e a vibração do som ressoando nas paredes.
Eu costumava amar tudo isso. Era o que me salvava e me afastava do mundo incompreensível, quando eu já havia desistido de encontrar o sentido de tudo. Meus sentidos então, paravam de me torturar e diminuíam de sobrecarregados para um nível divertido, seguro e hipnóticamente hiper. Este era o lado bonito do autismo. Este era o santuário da prisão.”
..........................................................
“Eu sentei sobre o meu tapete vermelho, meus braços a minha volta, e esperei pelo impacto. Após vinte e seis anos aprendi que não era a morte que se avizinhava, mas emoções.
Qual? Qual? gritava um impulso mudo dentro de mim. Se ao menos eu pudesse nomear esses monstros , ligá-los aos lugares e rostos de onde eles tinham vindo, eu me libertaria.
O monstro estava de volta.
...
Toda vez era como se fosse para sempre, um tiket só de ida para o inferno. Não havia lembranças de que sempre havia um retorno.
...
Meu corpo tremia como um terremoto, meus dentes se chocavam como o som de uma datilógrafa atacando as teclas de uma máquina de escrever. Cada músculo tão tenso como se fossem espremer toda a vida de dentro de mim. E relaxavam apenas para que eu fosse atacada muitas e muitas vezes por um maremoto. Um grito subiu até minha garganta mas foi estrangulado e explodiu num grito silencioso, interno. Respire, vinha o pensamento a cada intervalo. Eu respirava profundamente, ritmicamente. Eu estava escapando.
..........................................................
Referências :
Ray’s Autism Page : http://web.syr.edu/~rjkopp/autism.html
Paris’ Place : www.accessin.com.au/~paris/autism/faq1.htm
“Somebody Somewhere” – Donna Willians

ENTREVISTA: DRA. TEMPLE GRANDIN POR STEPHEN EDELSON


A Dra. Temple Grandin encontra-se em uma posição única para dar a pais e parentes um insight do autismo, porque ela mesma tem autismo. Foi diagnosticada na idade de 2 anos e sua vida tem sido cheia de situações novas e desafios. Ela dá palestras sobre autismo pelo mundo afora, aparecendo em vários programas de televisão dos EUA. Seu primeiro livro, "Uma Menina Estranha", já era considerado um clássico nesse campo e deve ser lido por todos aqueles envolvidos com crianças autistas. Seu segundo livro, "Thinking in Pictures", estava começando a receber muita atenção, e logo se tornará outro clássico. Stephen Edelson conheceu Temple Grandin no começo dos anos 1980, quando ambos eram estudantes de graduação na Univerisdade de Illinois, em Champaign-Urbana. Temos a honra de apresentar a entrevista com Temple Grandin (TG), realizada em 1° de fevereiro de 1996 pelo Dr. Stephen Edelson (SE).

SE: Qual sua lembrança mais antiga, e qual era sua idade?

TG: Estava em um programa de verão; tinha apenas cerca de três anos. Posso lembrar das brincadeiras em torno de uma piscininha de plástico. De quando tinha 3 anos e meio, também lembro alguma coisa. Posso lembrar da frustração de não conseguir falar. Eu sabia o que queria dizer, mas não conseguia botar as palavras para fora; assim, apenas gritava. Posso lembrar disso claramente.

Posso lembrar de uma vez em que estava em uma sessão de fonoterapia na creche. A professora usava uma varinha, um apontador de quadro-negro, para mandar os alunos fazerem alguma coisa e eu gritava cada vez que ela me apontava. Gritava porque tinham me ensinado, em casa, que nunca se deve apontar um objeto para uma pessoa porque ele pode furar seu olho. Eu não conseguia dizer à professora que tinha aprendido a não apontar coisas para as pessoas.

Também posso lembrar de alguém tocando piano, de marchas em torno do piano e lembro, o que acho que é minha memória mais antiga, de quando fui levada a um hospital para um teste de audição. Não lembro nada do teste, mas lembro que passei a noite no hospital. Eles me deixaram dormir em uma pequena cama com todo tipo de bichos de pelúcia e bonecas.

SE: Quando um pai lhe diz que seu filho foi recentemente diagnosticado com autismo, o que a senhora usualmente lhe diz?

TG: Bem, em primeiro lugar, quero saber a idade da criança.

SE: Vamos dizer que a criança tenha menos de 5 anos de idade.

TG: Acredito muito em intervenção precoce. Temos que fazer as crianças autistas relacionarem-se com o mundo. Não se pode permitir que se desliguem. Posso lembrar quando eu desligava; simplesmente, sentava e balançava e deixava a areia escorrer pelos meus dedos. Era capaz de deixar o mundo de fora. Se deixarmos a criança fazer isso, ela não vai se desenvolver. Cada método de intervenção precoce tem sua própria base teórica, mas tenho observado que os bons professores fazem as mesmas coisas, independentemente da teoria. Quando era criancinha, esperava-se de mim que me sentasse à mesa e mostrasse boas maneiras. Pesquisas começam a mostrar que uma criança deveria estar ocupada pelo menos 20 horas por semana. Não penso que importa tanto o programa que se escolhe, desde que mantenha a criança ligada com o terapeuta, professor ou com os pais por pelo menos 20 horas semanais.

Também acredito em um tratamento integrado para o autismo. Um dos meus problemas sensoriais era a sensibilidade auditiva: certos ruídos, como a campainha da escola, feriam meus ouvidos. Parecia uma broca de dentista atravessando meus ouvidos. Era extremamente sensível ao toque, a anágua parecia uma lixa raspando minha pele. Não há meio de uma criança participar de uma aula se sua roupa de baixo parece feita de lixa. Há outros sérios problemas sensoriais, como os problemas visuais que Donna Williams descreve. Quero enfatizar que os problemas sensoriais são diferentes de pessoa para pessoa. Há crianças que têm vários problemas auditivos. Outras têm problemas visuais. Outras terão uma mistura de ambos, enquanto há quem, como o tipo clássico de Rain Man, tenha apenas uma ligeira sensibilidade auditiva. Eu simplesmente não tenho como enfatizar o suficiente a variedade dos problemas.

Algumas crianças podem precisar de um enfoque comportamental, enquanto outras crianças podem necessitar um enfoque sensorial. Autismo é uma desordem extremamente variável, quero enfatizar este ponto. Um método de tratamento ou de ensino que funcionará para uma criança pode não servir para outra. O denominador comum para todas as crianças é que a intervenção precoce funciona, e isso parece melhorar o prognóstico.

SE: Que conselho a senhora daria para pais que acabaram de receber o diagnóstico de autismo para seu filho de idade entre 5 e 10 anos?

TG: Crianças entre os 5 e 10 anos são sempre mais variadas. Vão de um desempenho muito alto, capazes de fazer trabalhos de escola normais, até uma não-verbal com todos os tipos de problemas neurológicos. Para algumas crianças, pergunto se o diagnóstico principal mais apropriado seria autismo. Tenho visto, em encontros sobre autismo, crianças com dificuldade para andar com diagnóstico de autismo. Muitos, não todos, desses casos me parecem ter alguma coisa muito diferente de autismo. Precisa-se olhar para cada caso e fazer o que for apropriado.

SE: A senhora foi uma das primeiras pessoas na área a destacar a importância dos problemas sensoriais no autismo. O que pensa, atualmente, sobre esse assunto?

TG: Acredito na necessidade de conscientizar as pessoas para os problemas sensoriais do autismo, e esses são problemas variáveis. Podem ir de uma leve sensibilidade auditiva até casos em que as pessoas não conseguem ver e ouvir ao mesmo tempo. Os sentidos se misturam, deixando-as incapazes de perceber os limites do próprio corpo. Estes casos pedem uma abordagem diferente de crianças altamente verbais que conseguem fazer a lição de casa normalmente. De fato, essas pessoas precisam de uma aproximação muito gentil. Donna Williams escreveu sobre uma abordagem mono-canal, em que ela ouve, ou enxerga alguma coisa; não consegue fazer as duas coisas simultaneamente. Fui uma criança que era tirada do autismo se dissessem: “Agora, venha, presta atenção!” Mas não se pode fazer isso com crianças com problemas sensoriais mais severos. Nesses casos, deve-se questionar se há uma razão biológica para o comportamento, ou apenas uma causa comportamental. Se o som machuca os ouvidos da criança, não há como impedi-la de ter medo do sinal da escola.

SE: Muitas pessoas enviaram perguntas para a senhora. A mãe de uma criança de cinco anos e meio com TGD (transtorno global do desenvolvimento) pede conselhos. Seu filho freqüenta uma classe de maternal com outros 22 colegas e está começando a ficar agressivo. A mãe diz que ele escolhe uma criança em particular e a prende pelo pescoço.

TG: Não tenho informações suficientes para recomendar algo mais definido. Desde que TGD e autismo são diagnósticos estritamente comportamentais, não são diagnósticos absolutos como síndrome de Down. Há uma grande variação de crianças com o rótulo TGD. Das conversas com os pais, parece haver dois tipos de crianças que acabam por receber esse diagnóstico. Há os casos muito suaves, em que a criança é verbal e tem apenas alguns leves traços autistas. O outro tipo de criança com TGD tem uma desordem neurológica. É não-verbal e tem problemas sensoriais autistas. O rótulo TGD é usado porque é delicado e interessa às pessoas. Há dois tipos muito diferentes de rótulos TGD, que são como laranjas e maçãs.

Desde que a criança volta sua agressividade especificamente a uma criança em particular, precisamos compreender por que isso está acontecendo. Será que a outra criança a está importunando? De qualquer forma, é necessário intervir para acabar com esse comportamento.

SE: Poderia ser o tom de voz da outra criança?

TG: Pode ser possível. Algumas crianças autistas não suportam o som de certas vozes. Há professores que me contam de crianças que têm problemas com suas vozes ou de outras pessoas. Este problema costuma estar relacionado a vozes femininas muito agudas. Mas isto não é válido em todos os casos.

Acho que é preciso ser um detetive muito bom para determinar o que está causando a agressão. Talvez a criança apenas esteja sendo malvada. Infelizmente, há muitos comportamentalistas que ignoram os problemas sensoriais. Por exemplo, vamos dizer que a criança mostra medo de entrar na quadra de esportes. Sei de muitos casos assim. A criança tem medo porque a campainha do painel fere seus ouvidos; daí, fica de olho no relógio e se encolhe quando ele está prestes a tocar. Ninguém vai querer entrar numa sala onde um som dói como a broca de um dentista atravessando seu nervo. Luzes fluorescentes podem incomodar; alguns ventiladores podem produzir ruídos que a deixa maluca. Uma vez, precisei fazer uma operação e, no quarto, havia um ventilador. Eu absolutamente poderia ficar ali. O ventilador tinha um rolamento quebrado e guinchava. Eu usava o banheiro no escuro. Não podia suportar o barulho.

Há casos em que as crianças fazem coisas apenas por mau comportamento. Este problema precisa ser tratado comportamentalmente. Mas isto quando se tem um bom observador que compreende o que causa o comportamento, assim você pode usar a intervenção correta. Infelizmente, não posso dar a essa mãe um conselho específico porque não há informação suficiente.

SE: Outra questão: Uma professora trabalha há dois anos com uma garota de nove anos com TGD. A menina é supersensível ao toque, em especial quando está sendo redirecionada para atividades desafiadoras, como cortar, contar e ginástica. Ela reage, dizendo: “Não me toque, machuca!” Entretanto, pode ser redirecionada da mesma forma enquanto lê, e aí não há resposta negativa.

TG: Em outras palavras, sua sensibilidade ao toque muda conforme o que ela faz. Um problema é que há muitos ecos num ginásio de esportes. Quando era pequena, eu tinha problemas para comer numa cafeteria. As cadeiras balançavam, havia muito barulho. Uma vez que há ginásios muito barulhentos, os sons provavelmente deixam seu sistema nervoso excitado, seus sentidos ficam à flor da pele. Em contraste, o lugar onde ela lê e faz contas é um lugar silencioso que ajuda seus sistema nervoso a se acalmar. Seria uma boa idéia fazer alguns exercícios táteis para reduzir a sensibilidade. Um bom exercício é a pressão bem forte, como rolar em tapetes e deitar-se debaixo de um colchão. Atividades físicas também ajudam e escovação é muito efetivo para acalmar o sistema nervoso.
(continua abaixo...)

Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 16.10.07
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SE: O que parecia lhe ajudar mais quando estava crescendo?

TG: Havia uma variedade de coisas. As pessoas estão sempre procurando pela pílula mágica que vai mudar tudo de uma vez. Não há uma pílula mágica. Tive muita sorte por receber intervenção precoce com professores muito bons, desde os dois anos e meio. Não posso enfatizar o suficiente a importância de bons professores. Um bom professor vale seu peso em ouro. Alguns professores têm aptidão para lidar com crianças autistas. Outros, não. Se você achar um bom professor, segure-o bem firme. Minha mãe me ensinou a ler. Eu estava no caminho certo na terceira série, e fui muito bem por cerca de três anos.

A sétima e oitava séries (Junior High School) foram, para mim, uma grande confusão e, então, veio a puberdade. Meus ataques de ansiedade vieram durante a adolescência e todo o nervosismo começou. Esse período foi terrível. Tive um bom professor de Ciências que me interessou no assunto. Depois disso tive empregadores que ajudaram bastante. Houve muitas pessoas que me ajudaram.

Comecei a tomar anti-depressivos com treze anos. Não estaria aqui sem anti-depressivos. Sei de vários adultos autistas que se beneficiam com Prozac. Só quero fazer um alerta sobre os anti-depressivos, explicar como funcionam.

Isto se aplica tanto aos novos medicamentos, Prozac e seus clones, como aos velhos anti-depressivos tricíclicos. São drogas que agem em dois circuitos do cérebro. O primeiro circuito acalma a ansiedade e o nervosismo e o segundo é excitatório. Vou chamá-lo de “circuito anti-depressão”. Afinal, eles são chamados de anti-depressivos porque eliminam a depressão. Para pessoas que estão em depressão, uma dose grande vai tirá-la “para fora”. Uma vez que pessoas autistas não estão verdadeiramente deprimidas, uma dose muito grande de anti-depressivos pode causar irritabilidade, agitação e excitamento. Se a pessoa toma uma overdose do remédio, pode ainda ficar agressiva e ter insônia. Ocasionalmente, ouço falar de alguém que ficou maluco com Prozac. Isso, provavelmente, é causado por overdose. O macete é acalmar os nervos sem colocar o outro circuito em uma irritabilidade hipermaníaca. Um erro comum é dar mais remédios quando a insônia e irritabilidade começam. É o pior a fazer. Temos que baixar a dose. Tenho tomado a mesma dose de anti-depressivos há quinze anos e meu nervosismo ainda sobe e desce em ciclos; mas ele está ciclando em um nível inferior ao que fazia antes. Você tem de resistir à vontade de tomar mais remédio toda vez que há uma pequena recaída. Não se pode ter 100% sob controle, mas é possível ter algo como 90%, se as coisas estiverem funcionando de forma adequada. Também queria acrescentar outra coisa sobre drogas anti-depressivas: não são para todo mundo.

Uma vez que há muitas pessoas com o rótulo “autismo”, é importante mencionar que o que funciona muito bem para algumas pessoas pode não funcionar bem para outras. Quando falamos do assunto medicação, sempre se deve avaliar o risco versus o benefício. Quando uma pessoa toma um remédio, espera-se uma reação do tipo “UAU! Essa coisa funciona mesmo!” Isso compensa o risco de tomar um remédio. Se você começa a usar um remédio em uma pessoa autista, deve ter uma melhora evidente no comportamento em um curto período. Se essa melhora não é observada, provavelmente não é a droga correta. É simples assim.

SE: Infelizmente, algumas pessoas recebem uma prescrição e simplesmente tomam o remédio, ajude-a ou não.

TG: Quando você toma um remédio para pressão alta ou diabetes, tem um teste objetivo para medir a pressão ou o teor de açúcar no sangue. Com o autismo, você procura por alterações no comportamento. A única forma de avaliar se um remédio realmente funcionou é se professores e pais relatam mudanças. Quando a criança é levada ao consultório de um médico por 5 minutos, tanto poderá subir pelas paredes como se comportar como um perfeito anjo. O médico não pode ter um quadro detalhado do comportamento em cinco ou dez minutos. Só é possível ter uma compreensão acurada do comportamento a partir de pessoas que vêem o paciente – adulto ou criança – por muitas horas. Medicamentos dão melhoras dramaticamente óbvias. Se não há essa melhora, então a droga deveria ser abandonada. Se a pessoa toma a medicação por meses ou anos e você a quer descontinuar, ela deverá ser removida gradualmente, Remédios que vêm sendo tomados por poucos dias ou semanas podem ser suspensos abruptamente.

SE: Que retorno você tem recebido de pais e profissionais a respeito de sua máquina do abraço?

TG: Muitos pais me contam que os filhos buscam pressão, especialmente alguns adultos não-verbais. Entram embaixo das almofadas do sofá, enrolam-se em cobertores, mesmo quando está calor, e se deitam entre o colchão e a cama. A pressão acalma o Sistema Nervoso. Em crianças pequenas, há muitas formas baratas de providenciar pressão, como esteiras de ginástica e almofadões do tipo pufe. Para ajudar crianças hiperativas a ficar sentadas numa sala de aula, um colete pesado pode ajudar. É como um colete de fotógrafo, almofadado e pesado. De fato, apenas um pouquinho de pressão já ajuda a se acalmarem. Acho que a máquina do abraço é mais válida para adultos, mas gostei de saber os resultados de sua pesquisa com ela. Seus resultados fazem sentido para mim; apenas um tipo de criança tem grandes benefícios. São as crianças com um sistema simpático hiperativo.

A máquina do abraço não vai curar ninguém, mas ajuda a relaxar, e uma pessoa relaxada costuma ter melhor comportamento.


SE: Algumas pessoas não sabem que você tem doutorado em ciência animal. Rapidamente, qual foi o foco de sua tese e quais os resultados?

TG: Minha tese foi sobre os efeitos do ambiente no crescimento dendrítico do córtex somato-sensorial do porco. Havia muitas pesquisas sobre ratos nas quais um grupo de ratos vivia em uma pequena caixa plástica no laboratório e o outro grupo ficava em um verdadeiro “play ground tipo Disneylândia”, com todo tipo de brinquedos para escalar, que eram trocados diariamente. Os resultados claramente mostravam que os ratos da “Disneylândia” desenvolviam mais terminações nervosas no seu córtex visual. Assim, pensei: vamos tentar com porcos. Pus alguns porcos para viver em uma “Disneyporcolândia”, com brinquedos e camas de palha, e outros porcos vivendo em um cercadinho comercial. Adivinha o que aconteceu? Ficamos muito surpresos – os resultados deram para trás. Os porcos do cercadinho tinham mais terminações nervosas nos seus córtices. Então, perguntamos por que isso aconteceu.Olhamos as fitas registradas durante a noite, sem ninguém por perto. Descobrimos que aqueles porcos ficavam fuçando – fuçavam o chão e uns aos outros. Tinham comportamentos estereotipados quando ninguém estava por perto. Esta é uma das razões pelas quais acredito firmemente que não se deve deixar uma criança autista sentada num canto, desligada durante seis horas por dia. Elas podem formar “avenidas de dendritos” em lugares onde não deveriam existir.

Gostaria também de mencionar, ainda que seja apenas teoria, que há uma possibilidade de danos cerebrais secundários em crianças autistas. A criança nasce com desenvolvimento imaturo no sistema límbico e cerebelo. Mas se estas crianças se retraem, devido a problemas sensoriais ou de outro tipo, talvez outras partes de seus cérebros também não venham a se desenvolver de forma apropriada. Isso é só teoria; não posso provar, mas há experimentos que dão suporte a essa idéia. Por exemplo, se bebês animais não têm estimulação apropriada quando jovens, irão cometer erros permanentemente. Como você deve saber, alguns dos comportamentos estereotipados das crianças autistas também são vistos em animais de zoológicos, que cresceram num ambiente pobre. Por que um animal de zoológico teria um comportamento semelhante ao de uma criança autista? Bem , a criança autista não se desenvolve porque o mundo lhe é um lugar doloroso – sons, toques, a visão, tudo machuca – assim, ela se fecha. Animais de zoológico exibem esse comportamento por causa de seu ambiente limitado, onde não há nada para fazer. O leão do zoológico vive numa caixa de concreto. Felizmente, os zoológicos estão se esforçando para ter exposições mais bonitas mas, no passado, os leões de zoológico não tinham nada para fazer. Como resultado, seus cérebros não recebiam estímulos suficientes para se desenvolver e comportamentos estereotipados surgiam devido ao enfado.

Pesquisas mostram que um ambiente pobre é muito mais danoso a bebês animais que para animais adultos. Esses ambientes não prejudicam aos animais adultos como aos bebês. Este é um dos motivos porque acredito na intervenção precoce. Temos de trabalhar para manter essas crianças engajadas com o mundo. Há algumas que, aos três anos, você pode chamá-las, dizendo: “Preste atenção!” Há outras com quem tal estratégia não funciona. Com elas, se você forçar o contato ocular, vai causar nos seus sistemas nervosos uma sobrecarga sensorial. Elas vão “desligar” e nada vai entrar nelas. Elas são “mono-canal” e só conseguem usar um sentido de cada vez. Você precisa se aproximar suavemente, esgueirar-se, com essas crianças. Tente sussurrar em uma sala livre de distrações visuais. Pode tentar cantar com uma voz suave e baixa. Talvez assim consiga estabelecer contato. Há muita variação entre crianças autistas.

SE: Você sente que perdeu alguma coisa por ser autista?

TG: Nos últimos anos, quando trabalhava no meu livro, “Thinking in pictures”, percebi que eu perco alguma coisa que as demais pessoas têm – complexidade emocional – e eu a substituo por complexidade intelectual. Obtenho grande satisfação em usar meu intelecto. Gosto de visualizar coisas e resolver problemas. Isso realmente me deixa bem. Quando observo a complexidade emocional em outras pessoas, é o tipo de ritmo que rola entre namorados. Freqüentemente observo isso em aviões. Algumas vezes sento perto deles. É como observar seres de outro planeta. O relacionamento é o que os motiva mas, para mim, é visualizar como projetar algo, tal como visualizar melhores formas de tratar o autismo. Uso minha mente para resolver problemas e inventar coisas. Tenho uma tremenda satisfação em inventar coisas e fazer pesquisas inovadoras. Acabamos de concluir vários bons experimentos na Universidade. Tivemos resultados muito bons, e isso me satisfaz. Minha vida é, basicamente, meu trabalho. Se não tivesse meu trabalho, não teria qualquer vida. Isto leva à importância de manter as pessoas autistas na escola interessadas em algo que possam transformar em uma carreira. Eles precisam investir nos seus talentos, tais como trabalho artístico e programação de computadores.

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