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terça-feira, 14 de junho de 2011

Escolas particulares não estão prontas para incluir

Instituições privadas rejeitam alunos que necessitam cuidados especiais. Argumento é a falta de estrutura.
Publicado em 14/06/2011 | ADRIANA CZELUSNIAK
Antônio Costa / Gazeta do Povo / Marília do Rosário retirou o filho Thiago, que sofre de epilepsia, da escola após a instituição dizer que não o aceitaria mais
Marília do Rosário retirou o filho Thiago, que sofre de epilepsia, da escola após a instituição dizer que não o aceitaria mais.Antônio Costa / Gazeta do Povo
No último Dia das Mães Marília Vieira do Rosário, 29 anos, não ganhou um abraço do filho Thiago, 3 anos. Também não recebeu um cartão nem se emocionou com a apresentação na festa da escolinha. Na ocasião, enquanto as outras crianças cantavam, Thiago permaneceu parado, com as mãos nos ouvidos. Desde que ele nasceu Marília convive com a síndrome de West do filho, um tipo grave de epilepsia, e está acostumada com o comportamento evasivo do garoto, que não fala. O que a frustrou, porém, não foi a reação da criança, mas a decisão da direção da escola, que, após a festa, comunicou que não aceitaria mais o menino.
“Foi muito difícil. Um mês antes, quando o aceitaram, eu disse que ele tomava os comprimidos, que não tinha mais crises e assinei um termo de responsabilidade por ele no período em que passaria na escola. Ficaram com medo de ele ser agressivo, de outros pais reclamarem, mas aceitaram quando expliquei mais sobre a síndrome. Ele poderia ficar até que eu encontrasse outra escola, mas achei melhor tirá-lo [após o comunicado] e ele está em casa.”

Do outro lado, a coordenadora pedagógica da escola, Tatiana Malinverni, explica o porquê da decisão e argumenta que os pais têm dificuldades em entender quando a escola assume não estar preparada para atender algum aluno. “Eu penso no bem do aluno. Seria fácil aceitá-lo aqui, mas ele não estaria desenvolvendo as capacidades de que precisa. Eu gostaria de ter pessoas especializadas ou o espaço necessários, mas no momento não temos e não acho correto aceitar um aluno sem garantir a ele a educação especializada que requer”, diz.
O caso de Thiago, infelizmente, não é raro. Enquanto as escolas públicas caminham para estarem cada vez mais preparadas para atender alunos com qualquer tipo de deficiência, seja física ou intelectual, nas particulares ainda há dificuldade em achar vagas de inclusão. Das dez escolas particulares procuradas pela reportagem, apenas duas se mostraram abertas a receber um aluno de inclusão intelectual fictício. As outras disseram já ter um aluno de inclusão nas turmas da série em questão, o que seria o limite.
Segundo o presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná, Ademar Batista Pereira, não há uma regra que diga que cada turma das escolas particulares possa ter apenas um aluno com necessidades especiais. Mas essa é uma estratégia pedagógica tomada para não prejudicar as aulas. “Essa limitação não existe porque a escola não quer atender os alunos com necessidades especiais, mas porque ela tem de ter consciência de suas limitações e agir com responsabilidade. De que adianta um pai entrar na Justiça para que a escola aceite o filho dele na marra? Educação é parceria entre escola e família, se a inclusão acontecer à força, que tipo de parceria vai existir? Como vai ser o trabalho com esse aluno?”, afirma.
Particular ou pública?
A pedagoga e doutoranda em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Maria Silvia Bacila Winkeler lembra que perante a lei todos devem ter acesso à educação. E que, dentro da escola, o atendimento pode ser mais facilitado nas instituições públicas, que podem estar melhor equipadas. “Se formos pensar em estrutura física, a pública é melhor, pois recebe financiamentos para espaços diferenciados e salas multifuncionais, o que não existe em muitas escolas particulares”, diz. Mas nem todos estão convencidos da qualidade do atendimento prestado nas escolas públicas, como afirma a psicóloga Miriam Pan, pós-doutoranda em Psicologia na Univer­sidade de Austin, no Texas, Estados Unidos. “Se tivéssemos de fato uma escola pública de qualidade, fazendo uma inclusão de qualidade, provavelmente todos os pais de crianças com deficiências estariam lá e não precisariam bater de porta em porta implorando por vagas nas escolas particulares”, diz.
Acesso não garante qualidade
O grande problema da inclusão é justamente expandir o número de vagas, sem se preocupar com a qualidade do ensino e do atendimento, segundo a psicóloga Miriam Pan, pós-doutoranda em Psicologia na Universidade de Austin, no Texas, Estados Unidos. “Colocamos todos pra dentro da escola, mas para quê?”, questiona. Morando nos Estados Unidos, onde pesquisa a inclusão para seu pós-doutorado, Miriam comenta que o Brasil é um país que tem uma política de inclusão bastante recente e que precisa amadurecer. “Em países como os europeus ou os Estados Unidos a inclusão tem o mesmo discurso, mas é feita com base no fortalecimento da estrutura da educação e investimento em professores e recursos humanos. É um direito da criança com dificuldades estar na escola e ser bem atendida. Nas salas, vai sempre haver um professor regente e um outro habilitado para trabalhar com crianças com necessidades especiais ou um especialista, e não um auxiliar como acontece aqui no Brasil”, diz. Ela também explica que aqui o acesso acontece, mas sem o tratamento que os estudantes precisam. “A inclusão chega sem que a estrutura necessária chegue junto. E não estamos falando só das rampas de acesso ou barreiras arquitetônicas, nós percebemos barreiras em termos de discriminação, preconceito e até indiferença”, diz.
Parceria
O diálogo e o trabalho em conjunto é o que pode fazer com que a inclusão realmente aconteça. E, para que funcione, nada pode ser imposto ou escondido, segundo a pedagoga Maria Silvia Bacila Winkeler. “Um professor que recebe uma criança com deficiência deve ser consultado antes, até para que possa se preparar, assim como os colegas também precisam ser informados para que aprendam a lidar com a situação. Sempre, se temos um novo colega, ele precisa ser apresentado. Precisamos nos conhecer e nos compreender para sabermos agir”, afirma.
Mas ela lembra que, apesar de não ser fácil achar uma instituição adequada para a criança, a luta maior começa com o filho dentro da escola. “Eles precisam olhar com cuidado se a escola do filho realmente aceita a criança e investe na educação dela. Porque,sem isso, é perda de tempo para o aluno e desgaste para a escola e para os pais”, diz. O entendimento entre as partes é fundamental para o aluno e deve ser o objetivo quando se pensa na inclusão, mesmo que ela venha depois de terem sido encontradas muitas portas fechadas.

sábado, 23 de outubro de 2010

Telematrícula para educação especial começa na segunda-feira - TGD, Rett e Asperger

Ascom SEDF
Começam na segunda-feira (25/10) as inscrições de estudantes com deficiência ou transtorno global do desenvolvimento (TGD) pelo Telematrícula 156. A antecipação vale para inscrições de novos estudantes que buscam atendimento na educação infantil, no ensino fundamental e no ensino médio.

A educação especial oferece atendimento educacional especializado aos estudantes com deficiência e TGD, que engloba autismo, Transtorno de Rett (anomalia genética que compromete progressivamente as funções motora e intelectual), Transtorno de Asperger (transtorno do desenvolvimento cerebral caracterizado por deficiências na interação social) e transtorno degenerativo da infância.
Os pais, responsáveis legais ou o próprio estudante (caso seja maior de 18 anos) podem ligar entre 25 e 31 de outubro para o número 156.

Primeira fase

O atendimento do Telematrícula vai das 7h às 21h, de segunda a sexta-feira; e das 8h às 18h aos sábados, domingos e feriados.

Para facilitar a inscrição, ao ligar para o 156, é preciso ter em mãos as seguintes informações:

- Nome completo do aluno,

- Data de nascimento (dia, mês e ano),

- Nome da mãe,

- Tipo de deficiência ou TGD,

- Endereço completo, com CEP (pode ser o da residência ou do trabalho do responsável ou do próprio aluno, quando maior de idade)

Segunda fase

A segunda fase da matrícula será de 3 a 9 de novembro. Neste período, os pais ou responsáveis, acompanhados do estudante, devem comparecer à Diretoria Regional de Ensino (DRE) vinculada à escola onde o aluno foi inscrito. A DRE entrará em contato informando o dia para apresentação dos documentos.

Documentos necessários:

- Certidão de nascimento e/ou RG do estudante,

- RG dos pais ou responsáveis legais,

- Histórico escolar (para aqueles que já frequentaram a escola), bem como quaisquer documentos relacionados à vida escolar do estudante,

- Laudo médico e quaisquer outros comprovantes do quadro clínico do estudante.

Terceira fase

A inscrição pelo Telematrícula e o comparecimento à DRE não garantem a vaga. O estudante só terá a vaga assegurada apartir da efetivação de matrícula, que ocorrerá entre 3 e 14 de janeiro de 2011.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

PMCG está confirmando inscrições para Seminário de Formação para Educadores

A Secretaria de Educação, Esporte e Cultura da Prefeitura de Campina Grande já começou a confirmar as inscrições para o VI Seminário de Formação de Gestores e Educadores do Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade. O evento acontecerá entre os dias 07 e 11 de junho e está oferecendo 200 vagas para educadores e técnicos especializados na área, sendo uma promoção da Secretaria e do Ministério da Educação.

A confirmação das inscrições está sendo realizada na sala pedagógica da Secretaria de Educação, com os articuladores do Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade. O local do seminário será definido nas próximas semanas. O Seminário tem como objetivo compreender e fortalecer a gestão dos sistemas educacionais inclusivos expandindo e concretizando orientações político, técnico e pedagógica em torno de toda comunidade escolar.

O Seminário de Formação de Gestores e Educadores do Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade reunirá educadores e técnicos dos 49 municípios participantes do pólo de articulação de Campina Grande, além de professores da rede municipal de educação e integrantes das entidades que prestam assistência às pessoas com necessidades especiais.

A programação do seminário será aberta no dia 07 de junho, às 8h, com a participação do secretário de educação, esporte e cultura, Flávio Romero e do prefeito Veneziano Vital do Rego. Também estão previstas palestras, mesas redondas, oficinas e lançamento de livros.

Entre os temas que serão debatidos no Seminário estão: Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, o decreto 6.571 /2008 e as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica; Políticas Públicas – gestão da educação especial na perspectiva da educação inclusiva; As acessibilidades e a inclusão das pessoas com deficiência; Acompanhamento e monitoramento do acesso e permanência na escola das pessoas com deficiência; A Formação Continuada de Educadores da Educação Especial; O Autismo e Suas Implicações no Processo de Ensino e Aprendizagem, entre outros.

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