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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Crianças sabem mais mexer no mouse do que amarrar os sapatos


Cristina GraemlCuritiba, PR
Ele ainda não anda, nem fala, mas já sabe ver fotos no celular. Com um ano e dois meses, Ulisses também clica na tela do computador portátil para experimentar jogos simples. "Ele viu que conseguia fazer as coisas ali, dar alguns comandos, e ele gostou. Fui procurando também programinhas para a idade dele", diz.
Na escola, a sala de informática está sempre ocupada. O que a gente está vendo e a maioria dos pais já percebeu em casa acaba de ser constatado em pesquisa. O levantamento foi feito fora do Brasil, em 10 países, mas reflete uma realidade que também é nossa.
A pesquisa de uma empresa inglesa de segurança na internet revelou que, de cada dez crianças menores de cinco anos, uma sabe amarrar os sapatos, mas sete sabem usar o mouse.
O pesquisador e neurologista infantil Antonio Carlos de Farias explica que o cérebro segue em formação depois que nascemos. Os estímulos vêm do ambiente em que as crianças crescem. Quanto mais estímulos o cérebro receber, maior será a quantidade de conexões entre os neurônios, o que garante mais habilidades.
"Manipular o computador nesses primeiros anos de vida por um certo período, um tempo curto que a criança possa desenvolver uma série de aptidões é ótimo, mas ficar o dia inteiro provavelmente causará prejuízo a ela", afirma Farias.
Em uma escolinha em Curitiba, as professoras ensinam os alunos pequenos a amarrar os cadarços. E fazem questão que brinquem como no passado, para que a aula de informática seja só mais uma atividade. "Eles não sabem pular amarelinha, passar anel. Nós fazemos esse resgate”, diz Dinalva Krasowski, diretora da escola.
“O conselho é que os pais façam uma ponte entre o mundo virtual e o mundo concreto. Quando a criança estiver no computador, é importante disponibilizar brinquedos que a criança possa pegar, sentir o cheiro e não só ficar olhando para a tela”, explica Farias.
Saiba mais
Logo após o Jornal Hoje, o pediatra infantil Antônio Carlos de Farias participou de um bate-papo com os internautas para falar mais sobre o assunto. Veja abaixo os melhores momentos dessa conversa.
Uso de tecnologia
Tem efeitos benéficos e outros não muito bons. Usamos muito o computador em reabilitação motora e cognitiva. Mas é óbvio que ele predispõe ao vício. É preciso observar o comportamento. Se ela tiver uma preferência de ficar com a máquina ao invés de ver os amigos, já não é o que se espera. É preciso encontrar um equilíbrio.
Amarrar os sapatos
Se a criança está sendo pouco exposta a isso ou a mãe está amarrando seus cordões, ela não irá adquirir essa habilidade. A partir dos cinco anos ela já pode ser treinada para isso, para essa coordenação motora fina.
Moderar o uso
O diálogo é muito importante. É preciso oferecer alternativas, não apenas proibir o uso. A sociedade moderna tem demandas e muitos pais usam o computador como babá eletrônica. Não sou contra a máquina, mas é preciso controlar o tempo de uso. Observe também a forma como ela senta e como ela pega no mouse para não ter problemas posturais.
Estímulos
Todo tipo de estímulo que vivenciamos de forma repetitiva, eles modificam nosso cérebro. Alguns são positivos outros negativos. Podem ser aspectos comportamentais, como a repetição de comportamentos inadequados. Mentir perto do filho é um estímulo negativo. Como também postura motoras inadequadas irão motivar o cérebro a automatizar algo errado, gerando problemas no futuro.
Aspectos concretos
É muito melhor a criança pegar uma maçã, sentir uma maçã, cheirar uma maçã e provar uma maçã, do que apenas ver a foto dela no computador. É importante estimular os outros sentidos.
Apoio pedagógico
Se a criança gosta de usar o computador, mas tem problemas na escola, associe o uso do computador com programas que trabalhem questões como matemática, por exemplo. Jogos para faixa etária infantil devem ser sempre pedagógicos, não devem estimular apenas a competitividade.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Diário de uma autista: Gabriela (enviada de Deus)

Olha que email gostoso que eu recebi hoje!

É da Mariel, mãe da Gabriela. Conheci a Mariel no 1º Encontro Brasileiro de Pesquisa em Autismo em Porto Alegre/RS, em abril deste ano. Essa mamãe me enviou email para compartilhar sua alegria por ter publicado em uma revista a história da Gabriela, sua filha autista.
Me enviou o texto na integra e fotos da gatinha. Que linda!!!

Mensagem especial para a Mariel:
Claro que eu me lembro de você! Nos conhecemos no intervalo da palestra do Dr. Carlos Gadia enquanto eu divulgava o blog. Me me falou com tanto amor da sua filha. Como eu poderia esquecer! Anotei seu email e desde de então envio mensagens. Muito bom saber que o CAMINHOS DO AUTISMO tem sido informativo e acolhedor pra sua família. Continuamos juntas CAMINHANDO!

Como você mesma escreveu: "Vamos divulgar cada vez mais o assunto e mostrar que com amor tudo é possível."


"Sorriso que ilumina nossos dias..."
 Abaixo texto na íntegra e foto da Gabriela.
Esperamos pela publicação! Conte comigo sempre.
Um abraço a todos!
Amanda Bueno

TEXTO ENTREVISTA VICK
Diário de uma autista: Gabriela ( enviada de Deus)

Muitas vezes me pedem para contar: Como é ser uma mãe de autista? como descobrimos? Como diagnosticamos? Como é nossa vida? Como é seu tratamento? Como criamos uma criança especial?

Para contar um pouco dessa experiência única e abençoada vamos dividir com vocês leitores nossa história através de trechos de um diário dedicado a nossa amada Filha, que escrevo desde que ela foi gerada.

1 ano e 5 meses- Querida filha, foi nessa idade que tivemos certeza de que algo não estava certo, pois vínhamos percebendo muitos comportamentos diferentes em você. Tais como: Não responde ao chamado do seu nome, faz pouco contato com o olhar, ainda não fala nada, não utiliza gestos para compensar a falta da fala, não aponta objetos, prefere ao invés de brincar com seus lindos brinquedos brincar com pedrinhas, folhas, prendedores, medindo e comparando os tamanhos de cada um, separa os legos por cores e tamanhos, não imita nada nem ninguém, Não gosta que outros adultos ou crianças toquem em você, não entende o que te pedimos ou te explicamos, chora muito e irrita-se quando tentamos te ensinar as coisas, apresenta estereotipia de bater os braços e mãos como uma borboletinha. Monta sozinha quebra cabeças além da sua idade.

Estamos angustiados pois até agora nenhum médico nos deu um parecer sobre o que tens. Mas não se preocupe por que acima de qualquer coisa você tem nosso amor e estamos fazendo de tudo para buscar ajuda e estaremos sempre do teu lado.

07 de março de 2008- 1 ano e 9 meses- Gabriela hoje levamos você em Santa Maria em uma Psicopedagoga e depois de tantas consultas, tantos exames, tivemos um diagnóstico que ao que tudo indica você apresenta Comportamentos do Espectro Autista, mas ainda precisa ser confirmado por uma Neuropediatra de POA que é especialista em Transtornos de desenvolvimento.

Em primeiro lugar, gostaríamos que você soubesse que esse “diagnóstico não muda em nada o amor incondicional que temos por você e sim vai nos dar uma caminho a seguir e te confesso que hoje estou com medo, assustada, angustiada, com o coração em pedaços, apertado e triste. Mas tudo isso se reduz quando olho nos teus olhos e vejo que sabes que te amamos muito e que és uma menina feliz e que deseja estar aqui do nosso lado e que seu mundo é aqui conosco. Minha menina mamãe jamais vai deixar que você se isole e se perca em nosso mundo, onde quer que esteja ou vá sempre vai querer voltar, pois saberá que teu lugar é aqui com as pessoas que te amam.

Filha, sei que esse é apenas o início de uma grande caminhada, mas agora sabemos por onde ir , mas principalmente “ Por que ir, ou melhor “por quem” e é por você nosso anjo de luz, e de amor que Deus nos confiou que seremos muito fortes, tenho certeza que sabia que serias muito bem vinda e acolhida em nossas vidas, mamãe sempre disse que você era especial e hoje tenho certeza que entenderemos o verdadeiro significado da palavra “ especial”. Todos juntos munidos de muito amor e fé iremos estar do teu lado.

Qual o caminho a seguir? 1 ano e 10 meses- Amor vivemos dias de dúvidas, estudo, dor, angústias mas sobre tudo de muita fé e amor. Finalmente depois de muita leitura, conversas, escolhemos teu tratamento, contratamos uma profissional especialista em Autismo que irá nos orientar em como agir com você e ajudá-la. Prometo a você sempre agir como o coração, fazer por você tudo aquilo que te fizer bem e te deixar feliz.

Filha se realmente “ é através dos olhos da mãe que uma criança descobre o mundo, a vida, meus olhos são teus meu amor.” Por isso sei que tudo vai dar certo, tua mãe está longe de ser uma mulher perfeita , mas o que não falta é amor no coração, força, alegria de viver, fé, determinação. Deus nos abençoe.

Início dos atendimentos- Seu primeiro atendimento começou na Apae, com a Estimulação precoce ( 1x por semana) com uma profissional experiente e comprometida. Escolhemos tua Fonoaudióloga( 3x por semana) pela confiança que tivemos nela, por sua dedicação e sinceridade. Sua escolinha tem sido incansável em nos auxiliar e ajudar, percebemos que você adora estar lá.

Filha sei que está sendo tudo bem difícil para você , pois estranhou essa rotina toda, e chorava muito, mas você como sempre se superando logo logo se adaptou e entendeu que era para seu próprio bem e se ajudou também.

2 anos e 2 meses- Amor da minha vida, conseguimos uma vaga para você na Equoterapia, ainda chora muito, pois é mais uma coisa nova na tua vida, estranha o local, as pessoas, mas sei que tudo vai dar certo a equipe é bem preparada e orientada , e fazem seu atendimento com muito amor.

3 anos- Princesinha de nossa vida, você deu um salto em teu desenvolvimento, seu olhar está muito expressivo, nos mostra teus desejos e teus sentimentos através dele.

Amor teu tratamento continua o mesmo 3x na fono, 2x na estimuladora , 1x na equoterapia e mais acompanhamento em casa.

Tua força de vontade é invejável, creio que tuas primeiras palavras estão bem próximas, pois percebemos que hoje tens prazer em realizar tuas atividade, tua imaginação parece estar despertando, estás imitando bastante e o faz de conta está começando a existir para você. Amada não usa mais fraldas.

Na equoterapia então, a cada dia se supera e nos mostra habilidades novas, anda sozinha no cavalo, com as terapeutas do lado, põe sozinha o capacete, alimenta o cavalo, solta as mãos, acaricia o cavalo, dá beijos, uma gracinha.

Estamos tão felizes com você na escola também, pois estás completamente adaptada e incluída em todas as atividades possíveis, pois todos são incansáveis em te auxiliarem.

És a luz de nossos dias e nossa inspiração.

3 anos e 10 meses- Querida filha Gabriela...você nos surpreende mais e mais, só coisas boas pra te escrever. Estás falando muitas palavrinhas, imitando sons dos animais que você adora. Esses dias entrei em uma sessão tua com a Fono e fiquei encantada com o trabalho de vocês duas juntas. Senti muito orgulho e felicidade por você. Sabe filha às vezes me pego te olhando e não consigo esconder minhas lágrimas de felicidade, ao lembrar do quanto já caminhamos juntas e o quanto ainda temos que caminhar. Hoje me sinto mais forte, mais confiante e sei que você também e que a cada dia nos unimos mais ainda nessa busca, que hoje é nossa pois você já demonstra muito bem o que desejas.

Agradeço a Deus por estar crescendo assim, tão cheia de vida, de alegria, enchendo nossos dias de uma paz verdadeira, a paz do amor. Tudo que desejo nessa vida é ver você e seu irmão, que são a razão do meu viver, felizes, e espero poder ver os seus sonhos realizados, podendo abraçá-los em cada vitória, com nossa família muito unida.

4 anos- Dias felizes- Gabriela sempre vamos procurar fazer o melhor por ti, estamos sempre buscando aquilo que consideramos importante e correto para você e uma medida fundamental para isso é o bom senso e acima de tudo olhos bem abertos a teus sentimentos, anseios, medos , realizações e desejos. Iremos sempre respeitar em 1º. Lugar você como um ser humano que hoje já sabe bem o que deseja, o que gosta e o que não gosta.

Nenhum de nós conhece os mistérios da vida, nem seu significado definitivo, mas, “Acreditamos em você meu amor e sabemos que a vida é uma dádiva preciosas e que com amor, paciência e persistência tudo se torna possível.”

Quando as pessoas hoje perguntam: O que vocês fizeram para que a Gabriela esteja assim tão bem? Sempre respondo inspirada nas palavras de( Goethe ): Nós acima de tudo acreditamos e a tratamos como se ela fosse o que poderia ser e isso a ajudou a se tornar aquilo que era capaz de ser.

O Amor de sua família, amigos, profissionais, a permitiram fazer e realizar aquilo que parecia impossível. Agradeço a deus todos os dias as pessoas que estão do nosso lado pois sem eles certamente não teríamos conseguido.

Gostaríamos de deixar um recado a todos os pais que tem um filho Autista, que estão desconfiando que seu filho tenha o Transtorno: O seu papel , colaboração, afeto, paciência e disponibilidade são fundamentais no desenvolvimento de seu filho. Nunca neguem, escondam ou evitem falar sobre o assunto, pois quanto mais informadas as pessoas estiverem sobre seu filho mais poderão ajudar. Amor, amor, amor, paciência, paciência, paciência...




















































terça-feira, 17 de agosto de 2010

Entrevista HOJE EM DIA - ABADS - Pestallozzi atendendo AUTISTAS!


http://www.abads.org.br/
Acabei de assistir a entrevista, no programa HOJE EM DIA da Presidente da ABADS, novo nome da Pestallozzi de São Paulo.
Agora a ABADS atende AUTISTAS!
Na entrevista ainda foram feitos esclarecimentos sobre as principais características do Autismo e a importância do diagnóstico precoce.
Lá eles tem uma criança de 1 ano e 8 meses diagnosticada!
Fiquem de olho no trabalho dessa instituição exemplo!

Entrei em contato com a ABADS para receber material detalhado para divulgação.

Bom dia a todos! 
Amanda Bueno *amandabueno.autismo@gmail.com
Abaixo mais informações sobre a ABADS:


Quem Somos
Quem Somos

A Sociedade Pestalozzi é uma Instituição Beneficente de Utilidade Pública, que há quase 60 anos dá assistência a crianças e adolescentes com deficiência intelectual.

Atualmente está expandindo o seu leque de atendimentos dando assistência também aos austistas e apoio ao deficiente intelectual adulto.


A atuação da Instituição é referência para a construção de uma sociedade inclusiva, gerando benefícios ilimitados à comunidade, com a disseminação de informações, suporte às famílias e formação de profissionais.


O reconhecimento das ações desenvolvidas pela instituição é confirmado por meio de diversas premiações, a mais recente foi recebida em 02 de Dezembro de 2009 - Premio TOP Qualidade Brasil - concedido pela excelência de qualidade em suas ações.
Doações
Depósito Bancário ou Transferência On-line


CNPJ 60.805.975/0001-19

Boleto Bancário
Solicite através dos fones: (11) 2909-6593 / 2905-3048 – Setor de Desenvolvimento Institucional ou através do Fale Conosco.

As doações realizadas por pessoas jurídicas para Instituições com título de Utilidade Pública Federal podem ser deduzidas no Imposto de Renda até o limite de 2% do lucro operacional (tributação pelo lucro real).

Além de atender às crianças e adolescentes com idade entre 0 e 22 anos, com deficiência intelectual, e também, oferecer apoio aos adultos com deficiência intelectual, a Pestalozzi oferece processo terapêutico e educacional, direcionado às crianças e adolescentes com autismo.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

JÔ SOARES FALA DE SEU FILHO AUTISTA NA MATÉRIA: DECIFRA-ME OU TE DEVORO

Decifra-me ou te devoro

Alecsandra Zapparoli*
  
Reportagem deliciosa que vale a pena ler na íntegra.
Em agradecimento às 5.000 visitas no blog. Já em rumo à 6.000.
Um grande abraço, Amanda.
***amandabueno.autismo@gmail.com
Fotos Mario Rodrigues
Jô e o border collie "Walter": descontração no apartamento de Higienópolis
Ele ri com a mesma fluência com que fala seis idiomas. É inteligente, galanteador e muito perfumado. Quando passa de entrevistador a entrevistado, fica com a leveza do craque santista Robinho – nessa hora é possível jurar que ele não pesa 116 quilos. Adora falar dele, mas não sobre ele. Tem duas geladeiras na cozinha, 58 fotos e caricaturas suas no corredor do apartamento, não usa cueca e é capaz de, durante uma viagem ao exterior, comprar luvinhas para proteger as mãos de uma funcionária do programa que manipula diariamente pilhas de jornais. Bem-vindos ao show de José Eugenio Soares, humorista, ator, comediante, diretor, escritor, produtor, artista plástico – essas habilidades encabeçam seu curriculum vitae desta reportagem.

O novo imóvel de 600 metros quadrados: futuro Espaço Cultural Jô Soares
A rotina tem sido dura para o multimídia Jô Soares. Aos 65 anos, divide os ensaios da nova apresentação com três gravações semanais do talk-show global, com seis entrevistas em cada uma. Consegue ainda ler um livro por semana e assistir a um filme por dia, uma de suas grandes paixões. Solteiro atualmente (atenção, paparazzi, esta é quente: ele terminou o namoro com a atriz Mika Lins!), anda engavetando os mais de vinte convites para baladas que recebe por semana. Na verdade, menos por falta de companhia e mais por opção. "Não sou um recluso, mas adoro ficar em casa. Tenho um projetor com quadruplicador de linhas, duas bibliotecas..." Em breve, a necessidade de sair do apartamento de 600 metros quadrados no bairro de Higienópolis será ainda menor. O apresentador comprou o imóvel do andar de baixo e derrubou as paredes para transformá-lo no Espaço Cultural Jô Soares. Lá, pretende expor seus quadros (sim, ele também pinta) e convidar os amigos para jam sessions. "A idéia é um lugar para pequenos ensaios."
A amplitude e a iluminação do imóvel são fantásticas, com tubulação elétrica e de ar condicionado aparentes. Como está em obras, obviamente não tem o mesmo aconchego do apartamento do andar de cima, decorado logo no hall de entrada com a estátua de um músico negro – ela foi despachada em Paris, perdeu-se na Colômbia e chegou a São Paulo depois de um ano e meio. Na casa do apresentador tudo é assim, tem história. Do chapéu de bombeiro de uma vítima do World Trade Center (exposto no escritório) a uma tela do cultuado artista pop americano Roy Lichtenstein (exposta na sala). Os livros são um capítulo à parte. Ao todo, 3.600 exemplares. As obras de Fernando Pessoa, Gore Vidal, Dostoievski, Eça de Queiroz e outras tantas ficam ao lado das de sua autoria – O Xangô de Baker Street (incríveis 600.000 cópias vendidas no Brasil) e O Homem que Matou Getúlio Vargas (385.000). Seria criminoso terminar o parágrafo apartamento turbinado sem falar do invejável ofurô com televisão acoplada que ele tem no quarto, a menos de dez passos da cama.
Arquivo pessoal
Em 1971, depois de perder 80 quilos: silhueta fina durou pouco

Jô garante que usufruir todo esse conforto sozinho não chega a ser um problema. "Tem uma diferença entre estar em casa só e estar em casa em solidão", afirma ele. "Você também pode estar em solidão acompanhado." Ex-consorte de belas mulheres, o apresentador volta a encarnar o driblador Robinho no campo amoroso. Discretíssimo, limita-se a dizer que foi casado duas vezes no papel. Por vinte anos com a atriz Theresa Austregésilo e outros catorze com a designer gráfica Flávia Soares. "Como marido, ele é infantil, feminino, doce e delicado", derrete-se Flávia, na intimidade "Bitika". Começaram a sair quando ela tinha 20 anos e ele, 46. Romperam em 1998, mas ainda se falam diariamente. "Fisicamente Jô nunca foi o protótipo dos namorados que eu tive. Ele subverte a gordura com muita sedução, sensualidade e... é muito bom de cama." Nesse quesito, Theresa, na intimidade "Nenê", concorda. "Ele sempre foi o máximo." 


Theresa com o filho do casal, Rafael, em 1968
Theresa só conquistou essa serenidade para falar do ex algum tempo após a separação. "Eu não precisava nem preencher um cheque porque o Jô imitava minha assinatura", conta ela. "Do dia para a noite fiquei sem aquele homem genial, delicado, lindo, e só sobrou um medo enorme de viver." Desse casamento nasceu Rafael, 38 anos. Quando fala das habilidades do filho, Jô se emociona. Theresa também. Ele toca piano, faz programa de rádio em casa, fala inglês, aprendeu a ler sozinho aos 4 anos de idade. Tem o jeito de andar de bonequinho, o humor e a musicalidade do pai. Sofre do chamado autismo "de alto nível", como o personagem vivido por Dustin Hoffman em Rain Man. Rafael possui uma boa capacidade de comunicação e inteligência, mas tem dificuldades motoras e vive em uma espécie de mundo particular. "Estávamos em uma loja de livros e o Rafinha separou vinte para levar", conta Jô. "Pedi que escolhesse alguns e ele me respondeu: 'Não quero nenhum. Escolher é perder sempre'." Jô lembra-se com desvelo de outras boas sacadas do filho, como quando disse durante uma partida do Fluminense que o grito de guerra das torcidas estava desafinado. "Ele é genial." Outros filhos não aconteceram na vida do apresentador. Theresa chegou a engravidar de gêmeos depois de Rafael, mas a gestação não vingou. "O Rafinha é diferente. Mas hoje eu não queria ter um filho diferente dele."
A fala do apresentador também fica mais pausada quando se lembra dos pais, o corretor da bolsa de valores Orlando Heitor Soares e a dona-de-casa Mercedes. Filho único, estudou nos Estados Unidos e na Europa dos 12 aos 18 anos. Com uma reviravolta nos negócios do pai, voltou ao Brasil. "Do anexo do Copacabana Palace mudei para um quarto alugado na Prado Júnior e meus pais foram morar num apartamento emprestado", conta. A família superou bem a falência. "Meu pai brincava: 'Bom, meus credores já não me procuram mais porque quando eles me procuram eu peço mais dinheiro emprestado'." Foi nesse momento de crise, em 1958, que começou, praticamente por acaso, a carreira de Jô. Ele estudava para prestar Itamaraty e ainda freqüentava a piscina do Copa. Atraído pelas brincadeiras e pelos números inventados pelo menino rechonchudo, o dramaturgo Silveira Sampaio, já falecido, acabou apresentando-o a Adolfo Celi, na época marido de Tônia Carrero. Em seu primeiro programa, na TV Rio, contracenou com Paulo Autran. Daí para a frente, todo mundo conhece.

Darcy Trigo
No auge da gordura, em 1972, com 160 quilos: "paladar infantil"

Jô diz que herdou da mãe o senso de humor extrovertido e do pai o senso de humor introvertido. O casal faleceu quando o apresentador tinha 30 anos. Primeiro a mãe, atropelada no Rio de Janeiro. Orlando morreu um ano depois. Uma história muito curiosa marca essa passagem. "Dez anos após a morte da mamãe, peguei um táxi no aeroporto. O motorista parou no meio do trajeto e começou a chorar", lembra. "Disse que ele era o taxista que a havia atropelado e que não conseguia dormir fazia dez anos, precisava do meu perdão. Ele não teve culpa de nada, e é claro que perdoei."
Generosidade, diga-se, é uma das qualidades mais marcantes de Jô. Uma fratura instável no braço esquerdo e uma prótese no direito, ele aponta como seus "defeitos". Com um ar meio reflexivo, enumera suas qualidades, que, segundo ele, equivalem aos defeitos. Ei-las:
Generosidade: adora agradar aos conhecidos e não mede esforços para isso. Certa vez, deu a Willem van Weerelt, diretor de seu programa, um Rolex Submariner. Pouco tempo depois, o relógio foi roubado. Ao ver a frustração do amigo, não titubeou: presenteou-o com outro igual. Quando namorava sua segunda mulher, Flávia, resolveu fazer uma surpresa de aniversário. Embrulhou um Escort novinho e, quando ela apareceu na garagem, pôs Parabéns pra Você no rádio do carro e ainda levou seu copeiro para servir champanhe. "Generosidade talvez seja a descrição mais sintética quando se fala do Jô", diz Flávia. "Mimar as pessoas faz parte de sua personalidade." Em outra ocasião, durante uma viagem a Nova York em que compromissos fizeram os dois se desencontrarem várias vezes, ele encheu o apartamento com livros e catálogos, duas paixões da ex-mulher. "Pela sala, havia caminhos feitos de catálogos, que levavam a fotos, bilhetinhos e outras gracinhas", lembra.
Preguiça: nada de falar com Jô antes do meio-dia. Ele detesta acordar cedo e, mesmo com tantas atividades na agenda lotada, confessa que às vezes é tomado por uma preguiça brutal. "Mas ela tem seu lado positivo", diz. "Impulsiona-me a fazer coisas, a produzir."
Gula: "Vício é diferente de hábito", costuma dizer. "Tenho o hábito de fumar charutos, mas sou viciado em comida." Principalmente em churrasquinho grego, maionese, bolacha e uma receita aprendida nos tempos de criança na Suíça: pão quentinho recheado com muita manteiga e uma barrona de chocolate no meio.
Vaidade: incomodado com uma "saia" de gordura instalada abaixo do umbigo, decidiu recentemente fazer plástica. Retirou 7 quilos no total, eliminando também uma parte da papada. "Digamos que Jô tem uma auto-estima magnífica", brinca Flávia. "E não aceita críticas muito bem. Várias vezes brigamos porque eu, em nosso relacionamento, assumi o papel de regularizar o ego dele – que é, aliás, proporcional a seu tamanho."
Perfeccionismo: nada tira mais Jô Soares do sério do que descaso e falta de profissionalismo e de pontualidade. Por mais atarefado que esteja, dificilmente se esquece de um assunto a ser resolvido. Em seu novo show, por exemplo, usa no palco apenas uma cadeira com rodinhas. Mandou fazer outras três extras por precaução. Se precisa resolver algum problema, não hesita em ligar às 3 da manhã para sua empresária, Claudia Colossi. Fiel escudeira há dezesseis anos (e filha do antigo empresário de Jô, Roberto Colossi), ela mantém em casa uma linha telefônica apenas para receber chamadas do patrão. "Ele não deixa nada para depois", diz. "É difícil se atrasar para um compromisso. Pode até ficar calado no meio de uma reunião, mas com certeza está prestando atenção aos mínimos detalhes."
 
Paulo Salomão
Cristina Granato
Aos 21 anos, no casamento com Theresa Austregésilo, e em 1986, com Flávia Soares: as duas caras-metades
Da sala especialmente separada para guardar os presentes que ganha dos convidados às piadas que contará na TV, nada escapa ao olhar de Jô também em seu talk-show na Globo. O apresentador é uma das personalidades mais paparicadas da emissora, que lhe paga por mês um salário em torno de 800.000 reais. Só a equipe do Programa do Jô conta com cinqüenta pessoas, entre as quais 33 técnicos para controlar do telão à afinação do piano. Responsável por atrair grandes anunciantes, o talk-show recebeu elogios até do The New York Times. Segundo uma reportagem do jornal americano, ele é "o apresentador do programa de entrevistas mais importante do Brasil, mas esse formato jamais foi o suficiente para conter um talento tão grande quanto seu tamanho". São 8.453 entrevistas no currículo. "Como ator comediante, Jô foi uma das figuras mais geniais da história da televisão brasileira", afirma o crítico Gabriel Priolli. "Mas vira e mexe expõe o público ao constrangimento quando quer mostrar mais conhecimento que seus entrevistados, transformando o bate-papo num duelo ridículo." Seja lá como for, o fato é que o apresentador consegue, mesmo depois de mais de uma década, atrair diariamente 1,2 milhão de telespectadores só na Grande São Paulo
O chavão de que humorista é sisudo na vida pessoal desaba no caso de Jô Soares. Como se disse no começo, ele ri com a mesma fluência com que fala seis idiomas. É divertido, goza a si mesmo, tem ótimas tiradas – e o melhor: sem querer fazer graça o tempo todo. O sorriso fácil, no entanto, disfarça o olhar enigmático. "Ele se escondeu demais. O Zezinho foi encolhendo e o artista Jô, cheio de expectativas, tomando conta dele", diz Theresa. "Eu costumava brincar que não é à toa que ele tem tantas camadas de gordura." O que ele respondia nessas horas? "Decifra-me que eu te devoro."
 
Paulo Salomão
 Jô, aos 17 anos, na Suíça: seis idiomas na bagagem
 

quarta-feira, 7 de abril de 2010

ENTREVISTA: TEMPLE GRANDIN POR TONY ATTWOOD

Este artigo foi publicado na edição de Janeiro-Fevereiro de 2000 do Autism Asperger’s Digest publicação de Future Horizons.


Para mais informações :http://www.autismdigest.com/


Ed. Note: Esta entrevista foi gravada em 9 de dezembro de 1999, num seminário em São Francisco, California. A audiência adorou quando Temple revelou alguns fatos muitas vezes engraçados de sua vida pessoal. Ver Temple rir de si mesma foi uma oportunidade rara... Divirta-se!
Tradução de Mônica Accioly




A autobiografia de Temple Grandin’s, Emergence: Labeled Autistic e seu livro subsequente, Thinking in Pictures, juntos contém mais informações e insights sobre o autismo do que qualquer livro que eu tenha lido. A primeira vez em que a ouvi falar, pude imediatamente perceber sua maneira direta de ser. Toda a audiência foi cativada por seu conhecimento.


Fiquei feliz ao ser convidadpo para entrevistar Temple, já que me proporcionou uma oportunidade de pedir seu conselho sobre tantas questões. Ela é uma pessoa extremamente afetuosa e a entrevista em São Francisco reuniu uma audiência de mais de 300 pessoas. Ao final, o aplauso foi longo e entusiasmado.


Temple é minha heroína. Ela tem o meu voto como a pessoa que proorcionou o maior avanço em nossa compreensão sobre o autismo, neste século.


Dr. Tony Attwood


Tony: Temple, você foi diagnosticada como autista aos quinze anos de idade. Como os seus pais contaram a você e como você se sentiu com esta notícia?

Temple: Bem, eles nunca me explicaram muito bem. Eu meio que descobri através de minha tia. Você tem que lembrar que eu tenho 53 anos e aquela era uma era freudiana, uma época muito diferente.


Na verdade, eu fiquei aliviada quando descobri que havia algo de errado comigo. Pude entender porque eu não me entrosava com o pessoal da escola e porque eu não entendia algumas coisas que os adolescentes faziam – como minha colega de quarto que gritava quando via os Beatles num show de televisão. Eu pensava, é...Ringo é bonito mas eu não rolaria no chão por ele...

Tony: Então, atualmente, se você precisasse explicar para um jovem de 14 ou 15 anos : você tem autismo ou Síndrome de Asperger, como você diria?

Temple: Eu acho que eu diria para ele ler o meu livro ou o seu...


Bem, eu provavelmente explicaria de maneira técnica, que é um atraso no desenvolvimento do cérebro que interfere com a interação social.


Eu sou basicamente uma pessoa técnica – este é o tipo de pessoa que eu sou. Eu quero consertar as coisas. Com a maioria das coisas que eu faço, eu tenho a visão do engenheiro. Minhas emoções são simples. Eu tenho satisfação ao realizar um bom trabalho. Eu tenho satisfação quando um pai chega e me diz ”li seu livro e ele realmente ajudou meu filho na escola”. Eu tenho satisfação como o que eu faço.

Tony: Parece que quando você era muito peqena e muito autista, você gostava de alguns comportamentos autísticos. Quais eram eles?

Temple: Uma das coisas que eu fazia era deixar a areia escorrer entre os meus dedos , observando e estudando cada partícula como um cientista através de um microscópio. Quando eu fazia aquilo eu me desligava do mundo.


Sabe, eu acho que é legal uma pessoa autista fazer isso às vezes porque é calmante. Mas se fizer todos os dias, não vai se desenvolver. As pesquisas de Lovaas mostraram que as crianças precisam estar conectadas com o mundo por 40 horas semanais. Eu não concordo que estas 40 horas precisem ser cumpridas sentada à mesa. Mas eu ficava conectada por 40 horas semanais. Eu tinha uma hora e meia de “Moça Educada”, quando eu precisava me comportar às refeições. A babá brincava comigo e com minha irmã uma série de brincadeiras e jogos infantis. Eu tinha atendimento fonoaudiológico todos os dias... estas coisas foram muito importantes para o meu desenvolvimento.

Tony: Ainda há pouco você usou a palavra “calmante”. Um dos problemas de algumas pessoas com Autismo ou Asperger é controlar seu humor. Como você controla o seu?

Temple: Quando eu era criança, se eu tivesse uma “crise de birra” na escola, minha mãe apenas dizia: “Você não vai assistir TV esta noite.”


Eu freqüentava uma escola regular – 12 crianças na turma. Havia uma parceria entre escola e casa. Eu sabia que não podia jogar minha mãe contra meus professore ou vice-versa. Para mim, bastava saber que se eu tivesse uma crise , não assistiria meu programa favorito naquela noite.


Quando eu estava no ginásio e as crianças implicavam comigo, eu entrei em brigas sérias. E fui expulsa da escola - não foi nada agradável.


Mais tarde, quando entrei em brigas no colégio interno, eles cortaram a equitação. E como eu queria andar a cavalo nunca mais briguei. Foi simples assim.

Tony: Mas, cá entre nós, com quem você brigava? Você ganhava?


Temple: Bom... eu geralmente ganhava...

Tony: Você lutava com meninos ou meninas?

Temple: Tanto faz – quem implicasse comigo.

Tony: Então você batia nos meninos...

Temple: Ah, eu me lembro uma vez que dei um soco mum menino na lanchonete...


Quando a briga acabava, eu chorava. Era a minha maneira de aliviar a tensão. É o que acontece agora, eu só choro, para prevenir as brigas. Eu também evito situações onde as pessoas começam a se irritar. Eu me afasto.

Tony: Eu gostaria de fazer uma pergunta técnica. Se você tivesse $10 milhões para pesquisa , você apoiaria pesquisas em andamento ou investiria em uma nova área?


Temple: Uma das áreas onde eu gastaria este dinheiro seria para tentar descobrir o que causa os problemas sensoriais. Eu sei que não é o déficit central do autismo, mas é algo que dificulta muito o funcionamento das pessoas com autismo.


Uma outra coisa ruim, especialmente para as pessoas de alto funcionamento, é que quanto mais velhos, mais ansiosos. Mesmo tomando Prozac ou outra coisa, são tão ansiosos que é muito difícil “funcionar”. Gostaria que houvesse uma outra maneira de controlar isso que não fosse dopá-los completamente.


Então levantaríamos questões como, deveríamos prevenir o autismo? Fico preocupada com isso porque se eliminássemos totalmente os gens que causam o autismo, estaríamos eliminando muitas pessoas talentosas, como Einstein. Eu acho que a vida é um contínuo – do normal para o anormal.


Afinal, as pessoas realmente sociais não são as mesmas que desenvolvem os computadores, ou as plantas de instalações elétricas, ou constroem enormes hotéis, como este. As pessoas sociais se ocupam interagindo.

Tony: Então você não usaria a verba para acabar com a Síndrome de Asperger. Você não a vê como uma tragédia?

Temple: Bem, seria bom acabar com o que causa a deficiência severa, se houvesse uma maneira de preservar alguns traços genéticos. Mas o problema é que existem uma porção de genes diferentes interagindo. Se você recebe poucos traços, é bom, mas se são muitos, é ruim. Parece que depende do funcionamento genético.


Aprendi trabalhando com animais que quando os criadores selecionam um determinado traço, outros traços ruins vêm junto. Por exemplo: na avicultura, selecionaram engorda rápida e muita carne, mas tiveram problemas porque o esqueleto não era forte o suficiente. Então criaram um esqueleto forte. E tiveram uma grande e desagradável surpresa, com que não contavam : acabaram com galos que atacavam e matavam as galinhas. Porque as pernas mais fortes acabaram com o comportamento normal do galo durante a corte.


Quem poderia prever este problema ? É assim que a genética funciona.

Tony: Temple, uma das suas características é que você faz as pessoas rirem. Acho que às vezes não é a sua intenção, mas você tem esse dom. O que te faz rir? Como é o seu senso de humor?

Temple: Bem , prá começar, meu senso de humor baseia-se no visual. Quando eu estava te falando das galinhas, eu via imagens. Uma vez eu estava no departamento de conferência na universidade e havia fotos dos diretores antigos, em molduras de madeiras, pesadas e grossas.


Olhei para elas e pensei: “Oh, galos emoldurados!”


Numa outra reunião na faculdade, quando eu olhei para elas tive vontade de dar uma gargalhada. Isto é humor visual.

Tony: Isto explica porque ás vezes você cai na gargalhada e as outras pessoas não fazem a menor idéia do que está acontecendo...

Temple: É isso mesmo, eu estou vendo uma imagem mental de algo que é engraçado...

Tony: Sobre a sua família: sua mãe foi muito importante na sua vida. Que tipo de pessoa ela era? O que ela fez, pessoalmente, que te ajudou?

Temple: Para começar, ela não me internou. É preciso lembrar que isto foi há 50 anos e todos os profissionais recomendaram que eu fosse internada. Minha mãe me levou a um neurologista muito bom que recomendou fonoaudiologia e jardim de infância. Isto foi um golpe de sorte. Era um Jardim na casa de duas professoras, que sabiam como trabalhar com crianças. Eram seis crianças e nem todas eram autistas. Minha mãe também contratou uma babá, quando eu tinha três anos, que tinha experiência com crianças autistas. Eu tenho a impressão que ela mesma talvez fosse Asperger porque em seu quarto havia um banco de automóvel, retirado de um jeep velho – era sua cadeira predileta...

Tony: De que outra maneira a pessoa que a sua mãe era te ajudou?

Temple: Bem, ela trabalhava muito comigo. Encorajava meu interesse por artes, desenhando comigo. Ela havia trabalhado como jornalista, num documentário sobre pessoas com retardo mental e num outro programa para TV sobre crianças com distúrbios emocionais.


Como jornalista ela havia visitado muitas escolas. Então quando eu me meti em confusão na nona série, por ter jogado um livro numa menina – eu fui expulsa e tivemos que encontrar outra escola . Ela encontrou um colégio interno que havia visitado como jornalista. Se ela não tivesse feito isso por mim, eu não sei o que teria acontecido. Quando eu cheguei lá, foi que eu encontrei pessoas como meu professor de Ciências e minha tia Ana, lá no rancho, que foi outra mentora importante para mim. Mas muitas pessoas me ajudaram pelo caminho.

Tony: E o seu pai? Descreva seu pai e seu avô.


Temple: Meu avô por parte de mãe inventou o piloto automático para aviões. Era muito tímido e quieto. Não era muito sociável. Do lado da família do meu pai , a gente encontra problemas de humor. Ele não achava que eu chegaria muitolonge. Também não era muito sociável.


Tony: Como você relaxa? Como se acalma no final do dia?

Temple: Antes de tomar medicação, eu costumava assistir Jornada nas Estrelas. Era fã. Uma coisa que eu gostava, especialmente nas séries antigas, eram os princípios morais. Fico preocupada hoje em dia com a violência. O problema com os filmes não é o número de armas , mas é que o herói não tem valores morais positivos. Quando eu era criança o Super Homem ou o Cavaleiro Solitário nunca faziam nada que fosse errado. Hoje, o herói faz coisas como jogar a mulher na água ou permite que ela leve um tiro. O herói deveria proteger.


Atualmente você não tem valores bem definidos. E isto me preocupa porque minha moral é determinada pela lógica. E não sei quais seriam os meus valores se eu não tivesse assistido todos aqueles programas com princípios morais tão bem definidos.

Tony: Como você acha que estará a nossa compreensão do a utismo daqui a cem anos?

Temple: Ah, não sei... A engenharia genética provavelmente estará muito avançada e teremos um programa Windows 3000 “Faça uma pessoa”. Eles saberão ler o código DNA até lá, o que não se faz hoje. Os cientistas podem manipular o DNA – tirar ou por – mas não podem ler as cadeias. Daqui a cem anos eles farão isto. E eu acredito que ao menos os casos severos de autismo desaparecerão porque seremos capazes de manipular totalmente o DNA.

Tony: Atualmente existem algumas autobiografias de pessoas com Autismo ou Sídrome de Asperger. Quais são os seus heróis no campo do Autismo ou Síndrome de Asperger, pessoas que tem estes diagnosticos?

Temple: Eu admiro as pessoas que alcançam sucesso. Há uma senhora chamada Sara Miller que programa computadores industriais. Hoje há outra senhora aqui, muito bem vestida, que conduz seu próprio negócio de jóias, e me disse ter Asperger. Pessoas assim são meus heróis. Alguém que se supera e vai lá e realiza coisas.

Tony: E quanto às pessoas famosas da história, quem você diria ter Autismo ou Síndrome de Asperger?

Temple: Penso que Einstein tinha uma série de traços autísticos. Ele não falou até os três anos de idade – eu escrevi todo um capítulo sobre ele no meu último livro. Acho que Thomas Jefferson também tinha uns traços Asperger. Bill Gates tem uma memória fantástica. Li um artigo em que o autor cita que em criança ele memorizou todo o Torah.


É um contínuo. Não há uma linha divisória entre o fanático por computador e , digamos, uma pessoa asperger. Eles se misturam. Por isto, se você acabar com os gens que causam o autismo, talvez haja um alto preço a ser pago. Anos atrás, um cientista em Massachusetts disse que se você acabasse com todos os gens que causam os distúrbios sobrariam apenas os burocratas ressequidos!



Tony abriu a entrevista para a audiência Uma das melhores:


Como você percebeu que tinha o controle de sua vida?

Temple: Eu não era uma boa aluna na época do ginásio. Eu ficava com a cabeça no mundo da lua. Por pensar visualmente, precisei usar portas como um simbolismo – uma porta material que eu atravessava – simbolizando a minha passagem para a próxima fase da minha vida. Quando você pensa visualmente e não possui muitas experiências anteriores no disco rígido, você precisa ter algo para usar como mapa visual.


Meu professor de Ciências conseguiu me motivar em diferentes projetos e eu percebi que se quisesse entrar na faculadde e me tornar uma cientista teria que estudar. Bem, um dia eu atravessei essa porta e disse “ OK, eu vou tentar prestar atenção na aula de Francês.”


Mas houve um momento em que eu percebi a necessidade de fazer algo sobre o meu comportamento. E vivi situações que não foram nada fáceis. Alguns mentores me forçaram - e isto nem sempre foi agradável – mas eles me forçaram a perceber que eu precisava mudar o meu comportamento. Eu não podia continuar a ser uma inútil. Eu precisava mudar aquilo.


Acho que li num dos primeiros artigos sobre o autismo, de Kanner, que a pessoa autista que finalmente alcança o sucesso, percebe que precisa trabalhar ativamente o seu comportamento. Não adianta ficar sentado reclamando das coisas. É preciso tentar mudar as coisas. Bons mentores podem te ajudar a fazer isso.


Temple escreveu dois livros sobre autismo: Emergence: Labeled Autistic and Thinking in Pictures. Ela é conhecida mundialmente por suas conferências sobre os transtornos do espectro autista. Tony Attwood é psicólogo clínico, na Austrália, especializado na Síndrome de Asperger e se tornou um dos maiores especialistas do assunto. Freqüentemente realiza palestras nos Estados Unidos e é o autor de Asperger’s Syndrome: A Guide for Parents and Professionals.


Todos os três livros estão disponíveis em Future Horizons. http://www.onramp.net/autism/

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