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domingo, 26 de setembro de 2010

EDIÇÃO VIRTUAL: Revista Autismo - Número 0 - Ano 1 - Setembro de 2010

Olá amigos!

Trago hoje pra vocês a boas novas sobre a Revista Autismo!
Como a revista é grátris é diponilizada no site, 
pude disponibizar os links para nossos leitores.
Clicando abaixo vocês irão direto para o site da revista.

Agora para quem é de Curitiba e região:
Estou tentando trazer a revista para distribuição> Entrei em contato com os responsáveis e estou no aguardo do retorno. Quel tal nos juntarmospara adr uma boa doação para essa iniciativa maravilhosa?

Um abraço!
Amanda Bueno
* amandabueno.autismo@gmail.com
@caminhosautismo


Editorial - Lançamento da Revista Autismo 
QR-Code - Saiba o que é um QR-Code e como usá-lo
HQ - Quadrinho Autista - As Aventuras de Luka: Ecolalia(Karla e Luiz Saris Coelho)
Neuropediatria - Autismo e outros transtornos do espectro autista (José Salomão Schwartzman)
Técnica para Pais - Son-Rise: uma abordagem inovadora (Mariana Tolezani)
Psiquiatria - É possível identificar o Autismo Infantil antes dos 2 anos de idade (Walter Camargos Jr.)
Psicologia - ABA: uma intervenção comportamental eficaz em casos de autismo (Sabrina Ribeiro)
Tratamento Biomédico - ARI e Protocolo DAN! (Simone Pires)
Método Padovan - Com o método Padovan, todo o sistema nervoso é estimulado - Entrevista com Iolanda Bezerra Costa (Paiva Junior)
Odontologia - Atendimento a autistas é possível com Son-Rise (Adriana Gledys Zink)
Fonoaudiologia - Na intervenção fonoaudiológica é preciso avaliar e tratar o quanto antes (Renata de Lima Velloso)
Nutrição e Dieta - Vivemos para comer ou comemos para viver? (Cláudia Marcelino e Priscila Spiandorello)
Ortomolecular - Medicina e ortomolecular: armas também contra o autismo (Marta Tornavoi)
Reportagem de Capa - Número impressionante: uma em cada 110 crianças tem autismo (Paiva Junior)
Reportagem de Capa - Epidemia de Autismo (Sabrina Ribeiro)
Direito e Justiça - A dignidade da pessoa humana e os direitos indisponíveis (José Augusto Farina)
Educação - O autismo e a área educacional (Adriana Mora, Andréa Lungwitz Cleto e Estela Shimabukuro)
Internacional - Polêmica entre vacina e autismo termina em cassação de médico (Paiva Junior)
Internet - Uso indevido do termo 'autismo' prejudica pesquisas na internet (Paiva Junior)
Depoimento - Nossa História (Cláudia Dias)
Agenda (Ana Muniz e Cláudia Dias)
Guia Brasil (Ana Muniz e Cláudia Dias)
Dia Mundial de Conscientização do Autismo
Nasce uma revista (Martim Fanucchi)
Expediente

Autismo Infantil: ele não é um estranho

Observar a criança durante os primeiros meses de vida é fundamental para detectar o distúrbio


Por Rafaela Fusieger postado no midiasdigitaisunisul em setembro 26, 2010

“Procurei um médico apenas quando ele tinha três anos, porque sempre tinha alguém que falava: ‘menino demora mesmo para começar a falar’; ‘ele é tímido igual ao pai’. Na verdade, eu deveria ter procurado um médico antes”. O depoimento é de Rosinei Miranda Caetano, mãe de Guilherme. A partir de 1 ano e 6 meses de idade o menino já apresentava déficit no desenvolvimento em relação à fala, no entanto a ajuda médica foi procurada 1 ano e meio depois, e o diagnóstico foi autismo.

Conforme Nicolas Laza, neuropediatra da Colômbia e coordenador do Grupo de Apoio a Distúrbios de Comportamento e de Aprendizagem Neuroxtimular, o autismo pode ser considerado um transtorno do desenvolvimento da função cerebral que impede os indivíduos de “entender e se relacionar adequadamente com o ambiente”. Este distúrbio produz problemas em diferentes graus das relações sociais de comunicação, como a capacidade de expressão e a compreensão da linguagem, além de ocasionar “a redução nas atividades que exigem um certo grau de imaginação, devido à falta de flexibilidade mental”, explica.



Rosinei, mãe de Guilherme, reside em Curitiba e conta que assim que o bebê nasce os pais recebem a caderneta de Saúde da Criança Curitibana. Na caderneta, constam itens relacionados ao desenvolvimento da criança e, assim, mês a mês os pais devem acompanhar e anotar cada evolução do filho. “A partir de 1 ano e 6 meses a 2 anos, no item em que a criança “começa a juntar duas palavras, construir frases simples, pedir as coisas pelo nome” não anotamos nada”.

Em relação aos aspectos físicos, o menino progredia normalmente: começou a andar no tempo certo e também deixou de usar a fralda sem preocupações. No entanto, a mãe conta que o ponto mais crítico realmente foi falar. “Na outra fase (da caderneta), que é de 2 anos a 3 anos, a criança já deve perguntar de tudo, aprender várias palavras, entender e responder perguntas simples, saber o seu nome, o de seus pais, irmãos e avós. Ele não fala isso até hoje, já com 4 anos e 8 meses”, lembra.

A importância do diagnóstico precoce

O autismo manifesta-se sempre antes dos 30 meses de vida da criança, pode aparecer já no nascimento ou durante o desenvolvimento. Aproximadamente 10 a 15% dos indivíduos com autismo têm inteligência normal ou acima do normal; 25 a 35% estão na faixa de um leve retardo mental, enquanto os outros possuem retardo mental de moderado a profundo. Quanto mais cedo a disfunção for detectada, mais possibilidades a criança tem de se desenvolver.

Para a pedagoga Mariana Esteves Statzner, Pós-Graduada em Estimulação Precoce, a intervenção e estimulação precoce desempenha um papel muito importante no desenvolvimento da criança, nos primeiros anos de vida, pois ela ocorre em etapas críticas do desenvolvimento psicomotor. “A finalidade é reabilitar e/ou recompensar os atrasos evolutivos. Nas crianças autistas, a estimulação vai colaborar para o desenvolvimento das características ditas normais. Ou seja, se ocorrer precocemente, a possibilidade do desvio do comportamento ser menos acentuado, é maior”. Ela salienta que é importante pensar que os autistas têm lacunas em algumas áreas, no entanto todos têm potencial para progredir.

Nicolas Laza, neuropediatra, reforça que estudos comprovam que todas as pessoas com autismo podem melhorar significativamente o seu comportamento de acordo com uma adequada educação e intervenção precoce, feita por uma equipe multidisciplinar, utilizando programas especiais personalizados e envolvendo um certo grau de repetição. “Em alguns pacientes em que foi realizada a intervenção precoce, muitas vezes constatamos tanta melhora que tivemos que parar para realizar uma reavaliação do diagnóstico inicial”.

“Além da medicação, passamos também, depois de muitos estudos e ajuda das terapeutas, a perceber que o isolamento muitas vezes, é por não saber como chegar nas pessoas. Temos que ter sempre a iniciativa, e estar ciente disso. Acho muito engraçado quando ele vê alguém que gosta muito, parece que a mente dele pensa: ‘vou abraçar’, o corpo dá o impulso, com se fosse mesmo, mas ele não sai do lugar. Já presenciei isto algumas vezes, aí digo para a pessoa ele quer abraçar. Então a pessoa retribui, dá uns apertões e ele fica feliz”, conta Alessandra, de Florianópolis, mãe de Guillermo, 4 anos, diagnosticado com autismo aos 2 anos e 6 meses.

A intervenção

Atualmente, Mariana, que reside no Rio de Janeiro, faz atendimento domiciliar a cinco crianças autistas. Ela comenta que não trabalha com uma técnica fechada de intervenção. “Porque acho que não cabe, ainda mais quando falamos e pensamos em diversidade. Se todos somos diferentes porque temos que aprender da mesma forma?”, questiona.

A pedagoga segue os preceitos do Programa Son-Rise, que prega uma abordagem prática e abrangente para inspirar a pessoa com autismo a participar espontaneamente de interações divertidas e dinâmicas com outras pessoas, tornando-se aberta, receptiva e motivada para aprender novas habilidades e informações.

“Trabalho a partir dessa filosofia e seguindo os interesses da criança. Mas nada me impede de lançar mão de outras técnicas como o PECS (sistema de utilização de cartões de figuras) e do TEACCH (ensino estruturado). O importante é conhecer as vantagens e desvantagens de cada uma delas e sua aplicabilidade correta. É trabalhar com responsabilidade”, finaliza.

Nicolas Laza, neuropediatra, explica que um bom tratamento para crianças autistas dependente, principalmente, de quatro fatores: 1 – deve ser realizado de forma individualizada; 2 - o envolvimento dos pais deve ser entendido como um fator chave para o sucesso; 3 – o tratamento deve ser bem estruturado; 4 – deve ser intensivo e se estender a todos os contextos do indivíduo.

O não-verbal expressado pelos autistas

“Perceber os sinais… como é difícil! E muitas vezes vejo que a falta de comunicação não é dele, é minha. Falo isso em relação ao tirar fraldas. Quando ele faz coco, ele tira a fralda ou a cueca aonde estiver, claro que suja as perninhas e sai pisoteando tudo pela casa e vai pro chuveiro.

Portanto sempre que faz xixi, principalmente na cueca, ele já corre para o chuveiro e eu tenho medo porque ele pode escorregar. Isso já aconteceu e abriu o queixo, então é aquela tensão: ‘fechou a porta?’, ‘Chaveou?’. É sempre em sentinela, e como cansa!

Faz dois dias que deixei ele de fralda quando chega da aula à tarde. Hoje por um deslize deixamos a porta aberta e ele correu pra lá, logo sentimos que o chuveiro estava aberto, era ele, mas não havia feito nada, tinha se molhado todo, e eu ainda briguei e o repreendi.

Aí ele voltou para o quarto, minutos depois veio ele todo sujo para porta do banheiro e todo pisoteado. Ele tentou avisar do jeito dele, já devia estar sentindo vontade, era mais ou menos o mesmo horário dos dias anteriores, eu que não percebi, mas ele se comunica sim.”

O relato acima é de Alessandra, mãe de Guillermo. Conforme Nicolas Laza, neuropediatra, uma das características clínicas do autismo é o pensamento visual. “Elas pensam em imagens, não em palavras. Através de desenhos compõem o que é abstrato ou complexo, tais como tempo, seqüência, situações sociais”, explica. A linguagem verbal é o “segundo idioma” dos autistas. Neste caso, Guillermo tentou, da sua forma, mostrar que precisava ir ao banheiro.



- A mãe do Autista (Blog onde Alessandra Cruz conta como é ser mãe de um pequeno autista).

- Apatia e desinteresse nas pessoas e abraços ou carícias.

- Choro constante, ou ausência de choro (incomum).

- Repetitivo balançar.

- Problemas de alimentação e/ou dormir.

- Surdez aparente.

- Falta de desenvolvimento de padrões de comunicação em relação à linguagem.

• De 18 meses a 4 ou 5 anos:

- Linguagem ou a falta dela.

- Excitação e/ou ansiedade de difícil controle.

- Resistência a diferentes tipos de alterações.

- Movimentos repetitivos com as mãos, cabeça, corpo, etc.

- Pouco desenvolvimento de respostas de autonomia no vestuário.

- Há muitas vezes auto-agressão.

- Falta de imitação e simbolização.

- Dificuldade de relacionamento.

• Depois dos 5 anos.

- Dificuldade ou incapacidade de lidar com símbolos.

- Persistência de distúrbios da fala.

- Tendência para o isolamento.

- Incapacidade de manter ou iniciar uma comunicação com os outros.

Quadro cedido por Nicolas Laza, neuropediatra da Colômbia e coordenador do Grupo de Apoio a Distúrbios de Comportamento e de Aprendizagem Neuroxtimular.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

REPORTAGEM - AUTISMO: UM CONVITE À ESPERANÇA


Agradeço muito a indicação desta reportagem à Patrícia Lourega.
Obrigada pelo apoio!

A criança não balbucia uma palavra, não aponta objetos, não olha nos olhos das pessoas. São sinais típicos do autismo, doença que não tem cura e é vista por muitos como uma sentença definitiva.

Veronica Bird, 42 anos, brasileira radicada nos Estados Unidos e mãe de um garoto com o problema, também achava que autismo era o fim de tudo. Não acredita mais nisso - e ninguém acreditaria mesmo, ao ver seu filho Ramsey, 7 anos. 'Ele vai à escola, tem amigos, faz esportes, é superamoroso', conta Veronica, ex-atriz que decidiu assumir grandes papéis na vida: cuidar do filho e da Veronica Bird Charitable Foundation, entidade divulgadora do autismo, com escritório também no Brasil, no Rio de Janeiro. Nesta entrevista a CRESCER, ela explica sua visão do problema e conta sua experiência.

Quando você soube que seu filho era autista?

Quando Ramsey tinha quase 2 anos de idade, de repente, ficou diferente: parou de falar, não olhava para mim, parecia totalmente surdo e batia os bracinhos como se fossem as asinhas de um beija-flor.

Levei- o a três pediatras e ninguém descobria o que ele tinha. Um desses médicos, porém, achou que Ramsey tinha uma quantidade de secreção anormal nos ouvidos e por isso não escutava. Receitou para ele um antiinflamatório. Depois das primeiras doses, ele disparou a falar. Achei estranho e consultei um médico otorrino, que não encontrou nada no ouvido do meu filho. Aí, fui parar no chefão do setor de pediatria neurológica de um famoso hospital, o Johns Hopkins Medical School.

Esse neurologista fez vários exames em Ramsey e diagnosticou o autismo regressivo, uma forma da doença que faz a criança perder habilidades que já tinha. Ele disse que o antiinflamatório que Ramsey havia tomado, chamado prednisona, estava em estudos para o tratamento de crianças autistas, que essa droga as fazia falar. O remédio tinha funcionado no meu filho.

Como você reagiu à notícia?

Chorei muito. Ao mesmo tempo, acho que liguei um piloto automático e comecei a agir. Minha família deu apoio, mas meu marido e a família dele não admitiam o problema. Nos Estados Unidos, tudo que se refere à saúde mental é tabu. As pessoas fazem segredinhos. Eu, ao contrário, decidi aprender tudo sobre autismo e fui constatando que essa doença não é o fim de tudo.

Como Ramsey foi tratado?

Após o diagnóstico, ele passou a freqüentar uma sala de educação especial com outras crianças autistas. E tomou a prednisona por cinco meses. Começou a falar e a escutar. Melhorava cada vez mais. Era a primeira vez que se usava o remédio numa criança com a idade dele, 2 anos na época. Algumas crianças autistas reagem bem a essa droga, mas ela ainda não foi aprovada para o tratamento da doença. Ninguém sabe por que funciona, e o remédio pode ter efeitos colaterais graves e levar à morte. Jamais deve ser tomado sem indicação médica.

O que funcionou mais, o remédio ou a educação especial?

Provavelmente, a combinação das duas coisas. Com os progressos do meu filho, descobri que o autismo é o resultado de uma desordem neurológica que afeta o desenvolvimento do cérebro. Por exemplo, uma criança de 3 anos aprende automaticamente a falar, comprimentar os outros, ir ao banheiro. Se tem autismo, não aprende assim, porque seu cérebro não está se desenvolvendo como deveria. É essencial que ela tenha uma educação especial intensiva, como o Applied Behavior Analysis (ABA) ou o Lovass. São métodos que induzem a uma forma de comportamento.

Quando a criança faz o que se pede, ganha uma recompensa. O ABA é utilizado no Brasil pela Associação de Amigos do Autista (AMA) e pelo Centro de Referência e Apoio às Desordens do Desenvolvimento (CRADD). A criança com autismo precisa aprender tudo desse jeito e pela repetição, nem que seja fazendo cem vezes a mesma coisa.

Como está seu filho hoje?

Ramsey não precisa mais de tratamento. Tem limitações mínimas, puramente sociais. Por exemplo, tem amigos, mas nunca inicia uma amizade. Só fala do que interessa a ele, pois não percebe que o outro tem interesses. Mas é um garoto feliz, à maneira dele. Faz tudo sozinho. Estuda, lê e resolve cálculos melhor que outras crianças. Ele e meu outro filho, o Ryan, que tem 8 anos, têm uma professora de português. O Ramsey está aprendendo mais rápido, e o Ryan reclamou. Eu disse a ele: 'Você faz tanta coisa a mais do que seu irmão. Por que ele não pode fazer também?'.

Seu envolvimento com o autismo ajudou seu filho?

Foi tão importante quanto o apoio clínico e educacional. E também o fato de o diagnóstico ter sido precoce e ele ter tido acesso a um colégio apropriado já aos 2 anos de idade. Isso é essencial para a criança autista progredir, pois seu cérebro está se desenvolvendo até os 5 anos. Se todas as crianças autistas tivessem essa chance, muitas delas estariam mil vezes melhor. Se vocês conhecessem meu filho, não perceberiam nada. Tecnicamente, não posso dizer que ele está curado, pois o autismo não tem cura. Mas me dêem o nome de dez pediatras para eu levá-lo a uma consulta e, garanto, todos vão dizer que ele não tem nenhum problema.



Filme da vida real

Veronica Bird registrou em vídeo a evolução do tratamento do seu filho Ramsey. A produção deu origem ao filme The different shades of autism (As diferentes formas de autismo), feito para orientar médicos, pais e psicólogos a reconhecer os primeiros sinais da doença. O trabalho foi aprovado pela academia pediátrica norte-americana, ganhou vários prêmios e tornou-se um recurso adicional de ensino nas escolas de medicina. 'No Brasil, estou buscando uma parceria com o governo federal para reprodução e distribuição do filme em português. Meu objetivo é que, em menos de um ano, ele esteja nas universidades e bibliotecas, com os pediatras e pais', diz Veronica.

Para saber mais:


Fundação Veronica Bird, Avenida das Américas, 700, sala 229, bloco 6, Citta America, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ, CEP 22640-100, Tel: (21) 3803-8080 /3803-7765 /3803- 7145, e-mail vbcf@citta-america.com, www.aheadwithautism.com (com versão traduzida para o português).


Fonte: Revista CRESCER  e blog
FILHO ESPECIAL!

domingo, 25 de julho de 2010

MÃE MATA DOIS FILHOS POR SEREM AUTISTAS?

Saiqa Akhter, de 30 anos, foi acusada de homicídio qualificado pela morte da filha de dois anos e o filho de cinco anos, os dois autistas.
A mulher ligou para o 112 na segunda-feira à noite e depois de se identificar disse ter estrangulado os filhos com uma corda, depois de os ter tentado afogar.
Os paramédicos tentaram reanimar as crianças, mas Zain Akhter morreu no hospital na segunda-feira e a irmã mais nova Faryaal Akher faleceu na terça-feira também no hospital, de acordo com as autoridades.
"Matei-os, matei os dois. Matei os meus dois filhos... eles não fizeram nada. Eles estão azuis. Os seus corações já não batem” , disse Saiqa Akhter no telefonema que fez para o 911 (o 112 americano).
A mãe das duas crianças encontra-se detida no condado de Dallas. De acordo com o departamento de sprotecção de famílias do Texas, a família Akher já teria sido referenciada em 2009 por “supervisão negligente”.

sábado, 26 de junho de 2010

ALUNO COM SÍNDROME DE ASPERGER É DESAFIO PARA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Especialistas defendem opção por ensino regular.
Animação em cartaz nos cinemas traz personagem com Asperger.


Vanessa Fajardo
Do G1, em São Paulo
Especialistas defendem que as crianças que apresentam este tipo de síndrome podem - e devem - frequentar escolas regulares. “As pessoas aprendem de jeitos diferentes e a pluralidade faz com que a escola fique cada vez mais interessante. Ambientes homogêneos são desinteressantes”, diz Liliane Garcez, coordenadora do curso de pós-graduação inclusiva do Instituto Vera Cruz.

Para Liliane, o papel da escola é aproveitar o potencial do aluno e canalizá-lo para os demais conteúdos da série que cursa. "É preciso aprofundar o conhecimento sobre estas síndromes para melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas envolvidas. Não cabe mais a segregação."
Em cartaz nos cinemas, a animação “Mary e Max – Uma Amizade Diferente” mostra os problemas dos “aspies”. Na ficção, Mary, de 8 anos, uma menina gordinha e solitária, que mora na Austrália, torna-se amiga de Max, um homem de 44 anos, que tem síndrome de Asperger e vive em Nova York. Ambos têm dificuldade de fazer amigos e passam a trocar correspondências onde compartilham alegrias e decepções.
Na animação, Max é um homem de 44 anos que tem síndrome de Asperger (Foto: Divulgação)

Famílias

Na vida real, a professora e atual presidente da AMA (Associação de Amigos dos Autistas), em São Paulo, Sonia Maria Costa Alabarce Nardi, de 48 anos, conhece as dificuldades da síndrome. Seu filho, Guilherme Alabarce Nardi, de 15 anos, tem Asperger e passou por três escolas antes de completar 7 anos. “As escolas não estavam preparadas para recebê-lo porque ele chorava muito e não aceitava regras.”

Sonia buscou apoio na AMA, que fornecia suporte pedagógico a Guilherme e o matriculou em uma escola pequena, onde os funcionários podiam lhe dar mais atenção. “Ele não tinha facilidade de conviver com outras crianças e tivemos de nos adaptar.” Hoje, no segundo ano do ensino médio, Guilherme tem notas exemplares. “Ele é muito inteligente, tem uma memória excelente, mas a convivência ainda é um pouco difícil. São poucos os amigos.”

A auxiliar financeira Maria Aparecida de Santana Oliveira, de 53 anos, também tem um filho com a síndrome. Jefferson Santana de Oliveira, hoje com 23 anos, sempre estudou em colégios comuns. “Ele conseguiu acompanhar, ficava um pouco isolado, mas, aos poucos, começou a interagir. Às vezes os colegas o excluíam, mas ele gostava de ir à escola. Tinha dificuldade em matemática, mas muita facilidade para línguas.”
Concluído o ensino médio, Jefferson tem uma nova batalha: encarar a frustração de não ter passado no vestibular da Universidade de São Paulo (USP) e retomar os estudos. A mãe diz que antes o jovem quer encontrar um emprego.
Diagnóstico

O primeiro obstáculo dessas famílias é acertar o diagnóstico. Muitas vezes percorrem verdadeiras maratonas em psicólogos, psiquiatras e neurologistas que chegam a confundir a síndrome com hiperatividade ou déficit de atenção. “São sintomas sutis e muitas vezes os pais não identificam porque acham que é o jeito da criança”, afirma Cinara Zanin Perillo, psiquiatra especialista em infância e adolescência.

Outra característica da síndrome é a fixação por interesses específicos, geralmente ligados ao campo das ciências, como biologia, corpo humano, astronomia ou dinossauros.

Os “aspies” têm dificuldade de centrar o olhar em um determinado ponto e entender metáforas. Todas as expressões, para eles, têm sentido literal.

A síndrome de Asperger é causada por alterações genéticas associadas a fatores hereditários. É mais comum em meninos e os indícios podem ser percebidos a partir dos 3 anos. Segundo Cinara, é comum que os portadores desenvolvam outros transtornos psiquiátricos. Não há cura.

quinta-feira, 11 de março de 2010

ESTUDO: 25% DOS PAIS ACHAM QUE VACINAS CAUSAM AUTISMO NOS FILHOS

 ESTUDO: 25% DOS PAIS ACHAM QUE VACINAS CAUSAM AUTISMO NOS FILHOS

 Atenção amigos. Estudos recentes já reiteram o que já vem sendo dito há tempos: VACINAS NÃO CAUSAM AUTISMO. 

Como eu já havia publicado no blog:

ARTIGO QUE ASSOCIA VACINA A AUTISMO É CONDENADO

 Continuem vacinando seus filhos!!!

Abraços!!

Abaixo notícia na íntegra:

A maior parte dos pais acredita que as vacinas protegem suas crianças contra doenças, mas 25% deles acreditam que certas vacinas podem causar autismo em crianças saudáveis, e cerca de 12% recusaram ministrar a seus filhos pelo menos uma vacina recomendada pelos médicos, de acordo com um novo estudo.
A vacina com maior probabilidade de rejeição pelos pais era a que combate o vírus de papiloma humana, ou HPV, que serve para proteger contra o câncer de colo de útero, de acordo com o relatório. O estudo se baseia em questionários apresentados a mais de 1,5 mil pais de crianças com 17 ou menos anos de idade. Muitos pais também rejeitam a vacina contra a catapora, a vacina meningocóccica conjugada contra a meningite bacteriana e, em menor dimensão, a vacina tríplice, que protege contra caxumba, sarampo e rubeola.
No mês passado, o jornal médico britânico Lancet decidiu retirar um estudo publicado em 1998, o primeiro a vincular a vacina tríplice a casos de autismo e a disparar alarmes generalizados quanto à segurança das vacinas.
"Nós ficamos preocupados ao constatar que 25% dos pais acreditam erroneamente que as vacinas podem causar autismo em crianças de outra forma saudáveis", disse o Dr. Gary Freed, professor de pediatria na Universidade do Michigan e diretor científico do novo estudo, publicado na edição online da revista Pediatrics em 1° de março. "Felizmente, eles ainda assim vêm optando por maioria esmagadora pela aplicação de vacinas em seus filhos".
Cerca de 90% dos pais concordaram em as vacinas protegiam as crianças contra doenças, mas mais de 50% dos entrevistados se declararam preocupados com a possibilidade de que tenham sérios efeitos colaterais.
Tradução: Paulo Migliacci ME

11 de março de 2010 15h25 atualizado às 15h29

quarta-feira, 10 de março de 2010

OS MUNDOS SECRETOS DO AUTISMO E SÍNDROME DE ASPERGER


Luísa e Piedade têm filhos especiais, meninos com dificuldades cognitivas, de linguagem e interacção social. Partilham connosco as suas lutas diárias e ajudam-nos a compreender melhor estas duas perturbações do desenvolvimento. 

Por Cristina Tavares Correia/Activa | 10 Mar. 2010

































"Imagine o que é andar pelo mundo e todas as caras representarem uma ameaça para si, até a cara da sua própria mãe." Foi assim que Richard Davidson, investigador da Universidade de Wisconsin, EUA, resumiu, em poucas palavras um dos problemas principais do autismo: as deficiências na interacção social e comunicação.

Luísa André, 46 anos, sabe que o académico tinha razão: "Até o meu tom de voz pode ser uma ameaça", diz. Tem dois filhos autistas, Francisco, de 13 anos, e Alexandre, de 15. Alexandre não fala e tem uma deficiência mental profunda mas, ao contrário do irmão, não foge do contacto físico.

Todos os dias, Luísa tem uma batalha nova, seja para lhes dar mais autonomia nas acções do dia-a-dia - como ir à casa de banho sozinho ou comer - ou a lutar contra a incompreensão social. Quem não conhece crianças autistas, pode facilmente tomá-los por mal-educados. "Às vezes ficam umas clareiras de gente à nossa volta, quando o Francisco dá um grito num sítio onde está muita gente e muito barulho, porque tem hipersensibilidade aos sons. As pessoas assustam-se e fogem." Hoje, esta enfermeira divorciada vive sozinha com os filhos. Os seus pais são o seu braço direito nesta tarefa.


"Em dois meses, ele deixou de falar"


"Notei que havia algo errado com o Alexandre quando ele tinha pouco mais de dois anos, estava eu no final da gravidez do Francisco, mas pensei que não estivesse a lidar bem com a vinda do irmão", recorda Luísa. "Em dois meses deixou de falar (já dizia algumas palavras e pequena frases), de comer sozinho, de usar a casa de banho sem ajuda e passou a isolar-se. A última palavra que disse foi ‘água'. Só voltou a falar aos seis anos: segurou-me na cara, olhou para mim e disse ‘mãe'. Valeu por todas as palavras que me pudesse ter dito."

Apesar de tanto ela como o ex-marido serem profissionais de saúde, não suspeitaram do verdadeiro diagnóstico. Foi a insistência da família que os convenceu a procurar um especialista. "Na primeira consulta o diagnóstico foi brutal. Chegámos cá fora, chorámos e eu disse: ‘vamos comprar material educativo'", recorda. Com o Francisco, as coisas foram diferentes. "O desenvolvimento foi mais lento. Não me lembro dele sorrir em bebé, por exemplo. A confirmação do diagnóstico só aconteceu aos quatro anos mas, desde o início, o meu sexto sentido dizia-me que as probabilidades dele também ser autista eram grandes. Foi difícil ter de dizer ao mundo que tinha um segundo filho deficiente. Achei que a maior parte de mim olhava para mim como aquele ar de ‘coitada!' Não posso aceitar que a deficiência dos meus filhos seja um factor negativo na minha vida."

Muitos pais isolam-se, por causa da dor e da maior necessidade de protecção dos seus filhos face ao exterior. "Começamos a perceber que, o mundo à volta deles, de maneira nenhuma aceita esta diferença enorme que é o autismo. Deixei de ir a casa dos meus amigos porque não estava para me sujeitar a ouvir uma ‘boca' ou que as outras crianças gozassem com eles. Acabei por me isolar um bocado. É uma situação que ainda hoje me acompanha um pouco."


"Comunicamos com os olhos e o coração"


Os prognósticos dos médicos, especialmente em relação ao Alexandre, não quebraram o espírito de luta desta mãe. Ao contrário do que disseram os especialistas, o Alexandre largou as fraldas e aprendeu outras competências, como manusear um rato de computador. "Ninguém está preparado para ter um filho autista. Leva algum tempo a fazer o luto pelo filho que esperávamos vir a ter e adaptarmo-nos à nova realidade", observa Luísa. "Hoje, vivo melhor com a ideia de que ele não irá falar. Mas o sorriso dele, a forma como me beija ou abraça são, para mim, equivalentes a enormes conversas. Um filho autista obriga-nos a comunicar com os olhos e o coração. Os meus filhos são uma lição de vida para mim: dão a possibilidade de me confrontar, todos os dias, com gente diferente e de me tornar uma pessoa melhor."

Luísa, que também é membro da Direcção da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA), sabe que, quando os filhos forem adultos, continuarão a ser dependentes e essa é sua maior dor e preocupação. "Por muito que as instituições façam, pelo bem-estar destas crianças, como podem elas ter em consideração todas as necessidades especiais que os meus filhos têm, e que são diferentes de um para o outro?"


Afinal, o que é o autismo?


O autismo é definido como uma perturbação do desenvolvimento infantil, que se prolonga por toda a vida. Embora a maioria sofra de algum grau de atraso cognitivo, existem indivíduos com quocientes de inteligência elevados - situação que se repete no Síndroma de Asperger, perturbação da família do autismo, em que a parte intelectual não está comprometida.

Os autistas batem-se com problemas de comunicação e linguagem (estima-se que 50% não cheguem a falar), interacção social, pensamento e comportamento. A criança autista tem uma tendência marcada para se isolar ou interagir de forma desadequada. Prefere o silêncio e quando comunica, não o faz de uma maneira empática ou afectiva: não fala ‘com' alguém, mas ‘para' alguém, sobre as suas necessidades imediatas, por exemplo. Gosta de rotinas e repetições, resiste à mudança - um corte de cabelo novo ou uma mudança de itinerário no caminho para casa podem ser problemáticos. Não consegue usar os jogos de faz-de-conta, a imaginação. Muitos têm hipersensibilidade aos estímulos sensoriais, como sons fortes, texturas, gostos - o que pode acarretar grandes dificuldades de alimentação. Muitos autistas têm uma excelente capacidade para memorizar mecanicamente.

Uma em cada mil crianças nasce com autismo, segundo um estudo canadiano de 2003 levado a cabo no Canadá. Em Portugal, os números são idênticos (dados de 2006). Existem quatro e cinco rapazes afectados por cada rapariga.

Na Síndrome de Asperger o número sobe para oito rapazes para cada menina. As causas para ambas as perturbações não estão totalmente esclarecidas, mas sabe-se que existe uma forte predisposição genética. Pensa-se que alguns factores pré-natais - doenças como a rubéola materna ou o hipertiroidismo - e pós-parto - prematuridade do bebé, baixo peso ao nascer, traumatismo no parto, infecções neo-natais graves possam também ter alguma influência. Segundo a APPDA, o número de casos aumentou nos últimos 20 anos, o que significa que a razão pode não se ficar pelos genes.


"Asperger: Não está na cara, mas existe"


Quando o Nuno era bebé, a sua rigidez muscular despertava alguma preocupação à mãe, Piedade. "Mudar as fraldas era um castigo. Mas era muito calmo, quase não chorava, um ‘come e dorme'. Era justamente isso que me preocupava. Quando estava a aprender a falar, e não conseguia verbalizar correctamente, mordia-se e flagelava-se."

Aos dois anos e meio, diagnosticaram-lhe um pequeno défice cognitivo, mas só sete anos depois surgiu o diagnóstico que lhe apontava características de Síndroma de Asperger (SA). "O Nuno não é um Asperger puro; também tem características de um autista de alta funcionalidade." Piedade bateu-se imediatamente por uma terapeuta da fala, que acompanhou o filho dos 3 aos 9 anos, e nunca se rendeu a diagnósticos redutores. "Foi um choque mas, talvez pelo facto de ter católica, nasceu-me uma força que me convenceu de que não ia ser isto que me iria derrotar. No princípio, o que mais me custou foi não saber como fazer respeitar o meu filho e adquirir esta força, que vamos dando um ao outro, para ultrapassarmos as dificuldades dele. Partia para as batalhas preparada com todos os argumentos e não valia a pena dizerem-me que não", diz esta mãe, que é casada e tem mais uma filha de 19 anos.

Hoje o Nuno acompanha as aulas do 7.º ano e Piedade é a mentora da Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA). Com 250 associados em todo o país, faz este mês cinco anos. "A APSA nasceu com o intuito de explicar e desdramatizar a SA, que é a forma mais ténue no longo espectro do autismo. O Asperger não está na cara, mas existe. Estes são os meninos que, à partida, consideramos mal-educados, cabeças no ar, os que estão sozinhos no recreio, que não gostam de actividades físicas, os meninos à margem."

A SA diferencia-se do autismo porque não existe atraso no desenvolvimento cognitivo e linguagem. Mas os aspies, como são carinhosamente conhecidos, partilham algumas das dificuldades de comunicação e interacção social dos autistas: uma marcada tendência para o isolamento, o gosto por repetições e rituais rígidos; boa capacidade de memorização mecânica, dificuldade em estabelecer uma comunicação baseada na empatia, em entender linguagem não verbal ou metáforas, apesar do uso da linguagem ser correcto. Os aspies demonstram, também, movimentos desastrados e fixação em cheiros e texturas de objectos. "Costuma dizer-se que aprendem a falar antes de andar, enquanto os autistas aprendem a andar antes de falar", disse Glenis Benson, especialista norte-americana em desordens do espectro do autismo, num seminário promovido a 19 de Setembro, em Lisboa, pela APSA. Por tudo isto, o diagnóstico é mais tardio; geralmente, dá-se quando as crianças já estão na escola primária.


Escolas especiais ou regulares?


As crianças autistas não têm necessariamente de frequentar escolas de ensino especial. Os filhos de Luísa André estão integrados no ensino regular - Alexandre há oito anos, com uma passagem de um ano por um estabelecimento de ensino especial. Luísa pondera os prós e os contras: "Na escola especial eles estariam mais protegidos mas é-lhes roubada a vantagem de conviverem com crianças sem deficiência. E os meus filhos também representam uma experiência fantástica para a escola, em termos de aprendizagem de cidadania para as outras crianças. Por outro lado, a escola pública não tem muitos recursos necessários para ensinar aos autistas competências básicas, como a autonomia nas acções do dia-a-dia."

O ensino público tem escolas de referência para autistas e Aspergers. Na escola de Francisco e Alexandre há mais sete crianças autistas e outras sete com Síndroma de Asperger. Ambos estão integrados em turmas regulares, mas estudam numa sala separada e partilham uma aula por semana com os seus colegas não deficientes - a de educação física. Não acompanham o programa escolar dos seus colegas mas transitam de ano com eles - não se espera que tenham o mesmo rendimento escolar mas que interajam.

Do outro lado do espectro autista, a APSA promove acções de sensibilização nas escolas - o ‘Projecto Gaivota' - para ajudar colegas e professores a lidar e comunicar com os alunos aspies. "Há pais que não querem nem que sonhe com o facto dos filhos terem esta síndrome", diz Piedade Monteiro..

É raro que estas crianças venham a encontrar uma profissão, devido aos seus problemas de comunicação e sociabilização, "mas se trabalharem naquilo que gostam são os melhores funcionários", observa Piedade. "Há um trabalho enorme a ser feito com toda a sociedade. É preciso bater às portas de empresas e da consciência social." Um dos projectos da APSA é a criação de ateliês que possam servir de pólo de formação profissional e geradores de empregos para os jovens com Asperger. As parcerias com as empresas seriam parte do processo. "Em vez de massacrarmos os nossos filhos com as notas, a física e a matemática, devemos acautelar o seu bem-estar pessoal e social."

Autismo: Primeiros sinais


Apesar de ser difícil diagnosticá-lo antes dos dois ou três anos, há características comuns a muitos bebés autistas, descritas no site da Associação Portuguesa de Perturbações do Desenvolvimento e Autismo. No entanto, cada criança é um caso.
- Pode demonstrar indiferença pelas pessoas, ambiente ou medo de objectos.
- Problemas de alimentação e de sono.
- Pode chorar muito sem razão aparente ou, pelo contrário, nunca chorar.
- Repetição de movimentos, quando começa a gatinhar: bater palmas, rodar objectos, mover a cabeça de um lado para o outro.
- Ao brincar, não consegue usar o jogo de faz de conta. Não interage com os outros e pode não saber responder aos desafios ou brincadeiras.
- Não utiliza os brinquedos na sua função própria. Um carro pode ser um instrumento de arremesso.
Contactos Úteis:
Associação Portuguesa de Síndroma de Asperger:
tel.: 214 605 237 / 961 041 214; http://www.apsa.pt/..
Federação Portuguesa de Autismo:
www.appda-lisboa.org.pt/federacao , tel.: 21 361 62 50

terça-feira, 9 de março de 2010

NOTÍCIA 08-03-10 - EXERCÍCIO DE AMOR E DETERMINAÇÃO VIRA LEI EM FAVOR DOS AUTISTAS

EXERCÍCIO DE AMOR E DETERMINAÇÃO VIRA LEI EM FAVOR DOS AUTISTAS

Duas matérias falando sobre a luta desta mãe. Abaixo o link do blog da Associação Baiana de Autismo. Caminhando juntos podemos fazer mais!

Aos 54 anos, a jornalista Angélica Menezes começa agora a retomar as rédeas de sua vida e voltar ao mercado de trabalho. A mudança radical por que passou e que deixou sequelas em sua saúde e carreira começou há 23 anos, com o nascimento do seu terceiro filho. 

Quando o garoto estava com cerca de um ano e meio veio a separação do marido. “Não tive medo de criar sozinha meus filhos”, adianta, já demonstrando sua personalidade destemida. Para trabalhar, precisou colocar o pequeno Igor e as filhas mais velhas, de 7 e 9  anos, numa creche. 

Foi lá que os primeiros sintomas comportamentais do garoto foram notados. Angélica foi alertada pela diretora que ele costumava se morder, puxar o cabelo dos colegas, não demonstrar dor, chorar sem derramar lágrimas e não avançava na verbalização, sempre se referindo a si próprio na terceira pessoa.  

A mãe, então, tentou alfabetizá-lo em casa ao tempo em que o colocou numa escola especial. “Era mais um depósito, pois faltava pedagogia. O diagnóstico também não era definido pelos médicos”, conta. Apenas quando o menino estava com 4 anos é que foi esclarecido o seu problema: autismo

Portador da síndrome num grau bastante elevado, Igor tinha ataques violentos, o que exigia atenção redobrada e integral. 

A pouca disponibilidade de tempo fez com que Angélica abandonasse os empregos que tinha. “Passei a fazer frilas nos quais podia trabalhar em casa. Mas o dinheiro era pouco e os custos altos. Nosso padrão de vida começou a cair”, lembra. A sobrevivência da família era garantida pela solidariedade dos parentes.
Agressividade - No prédio onde morava, no bairro do Costa Azul, a discriminação era grande, inclusive em relação às filhas mais velhas. Isso por conta do comportamento arredio e agitado de Igor, fruto da doença. Ele costumava urinar pela janela, respingando em outros apartamentos, acordava muito cedo e gritava muito forte e alto.
Já adolescente, em momentos de maior agressividade era difícil contê-lo. Então, a mãe precisava trancá-lo no quarto.
Algumas vezes chegou a colocar sua vida em risco. Chegou a cortar os pulsos quando quebrou o vidro da janela. “No ônibus, ele berrava e batia nas pessoas. Cheguei a pensar que ia ser linchada”, relata Angélica.
Em uma das situações mais graves, Igor quebrou a grade de proteção da janela do apartamento e jogou embaixo. O objeto caiu sobre um carro zero quilômetro, cujo dono, transtornado, tentou  invadir o imóvel. O caso foi parar na delegacia. O fato acabou motivando a família a se mudar para um local ermo, em Camaçari, onde permanece até hoje. “Quando chegamos não tinha nem luz. Andávamos com candeeiro”, lembra Angélica Menezes.
Preconceito - Apesar das dificuldades, ela não desanimou. “Geralmente é a mulher que se sacrifica, mesmo no caso de famílias mais estruturadas. Tinha dias em que eu ia dormir logo para que amanhecesse um novo dia. Porque não há nada que não se consiga superar no dia seguinte”, teoriza a jornalista, na tentativa de explicar de onde extraía forças.

Ela fez até algumas incursões na árvore genealógica para tentar encontrar a resposta. Sua bisavó era índia e teve um filho (seu avô) com um barão. Já sua avó era filha de uma imigrante italiana e foi uma das primeiras mulheres a fazer faculdade de medicina na Bahia.

Se sua força vem daí não dá para ter certeza. Mas a luta de Angélica ultrapassou os muros de sua casa. Teve a ideia de fazer uma lei que garantisse aos portadores de autismo assistência de saúde e educação integrada custeada pelo poder público. Foi assim que se articulou  para aglutinar outros pais de autistas e angariar o apoio do Poder Legislativo para este fim.

JUSTIÇA OBRIGA ESTADO A BANCAR TRATAMENTO DE AUTISMO SEVERO
Materia Completa
Uma decisão inédita na Justiça baiana está servindo de alento para os familiares de portadores de autismo. O juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, Ruy Eduardo de Almeida Britto, deferiu um pedido de tutela antecipada determinando que o governo do Estado subsidie o tratamento clínico de um portador de autismo em grau severo. O rapaz, de 22 anos, está na única clínica existente na Bahia adequada para sua patologia e que atende de forma particular.

Apesar de ter sido promulgada no ano passado, a lei estadual nº 10.553, que trata de forma específica dos cuidados que devem ser dispensados aos autistas, até hoje não foi regulamentada. Com isso, as famílias são obrigadas a custear o tratamento de forma privada ou, então, acolhê-los em casa, sem infra-estrutura nem preparo. A vitória foi conquistada pela jornalista Angélica Menezes, 52 anos, mãe de Ygor, 22. Esta é a segunda decisão favorável do País neste sentido. A primeira foi em São Paulo.

Diagnosticado aos cinco anos, devido a atos como se morder, puxar o cabelo dos colegas, roer o pé e não ter lágrimas, o garoto tomava medicação para controle dos sintomas. Na adolescência, porém, seu quadro foi se agravando.

ATENÇÃO – Aos 13, ele cortou os pulsos ao dar um soco numa janela de vidro, pegou uma infecção hospitalar e passou um mês internado, com a mãe o segurando na cama todo o tempo para que não arrancasse os curativos. “Tive que parar de trabalhar para cuidar dele. Exige atenção 24 horas”, desabafa. O jovem urinava da janela do apartamento totalmente gradeado e chegou a jogar uma barra de ferro que atingiu um carro. A discriminação dos vizinhos, que chegaram a prestar queixa, obrigou a família a mudar para uma casa mais reservada em Lauro de Freitas.

A agressividade decorrente do severo grau do autismo de Ygor fazia-o quebrar portas, móveis e eletrodomésticos. “A ansiedade aumentava quando o remédio começava a passar o efeito”, recorda a mãe, que, muitas vezes, precisou se trancar no quarto com a filha até ele se acalmar.

Essa situação a forçou a procurar um atendimento especializado, que só encontrou na clínica Rosa dos Ventos, em Governador Mangabeira, a 132 km de Salvador. Ygor está internado há dois anos e, segundo a mãe, tem apresentado melhoras significativas no comportamento, devido ao tratamento que integra ecoterapia, psicomotricidade, trilhas e muita atividade física. O custo: em torno de R$2,8 mil. “Ele está ameaçado de ser desalojado”, diz Angélica, preocupada.

INDENIZAÇÃO - Para garantir a continuidade do tratamento de seu filho, Angélica Menezes procurou a Justiça. A advogada Sandra Teles explica que deu entrada na ação cautelar em março. A decisão foi proferida há poucos dias, publicada no Diário do Poder Judiciário do dia 25 de julho. Até a manhã desta sexta-feira, dia 1º, o mandado judicial determinando que o Estado cumpra a decisão não havia sido entregue.

“Esta é uma ação preparatória, emergencial devido ao risco dele ficar sem tratamento. Agora, tenho o prazo de 30 dias para entrar com a ação principal”, explicou a advogada. Ela adianta que pedirá o ressarcimento pelos danos materiais e morais sofridos pela família em decorrência da falta de serviços gratuitos como casas-lares.

Quanto à possibilidade do poder público recorrer, a advogada está confiante na sensibilidade dos governantes, uma vez que um dos principais fundamentos da ação é exatamente a lei promulgada no ano passado. “Seria uma incoerência. O fato é que estou muito orgulhosa de participar de algo tão importante que abre um leque para outras famílias”, explica.

REUNIÃO – No próximo dia 18 de agosto, às 14h, na sede do Ministério Público (MP), em Nazaré, acontecerá uma reunião entre representantes do MP e do governo do Estado, numa tentativa de chegar a um acordo sobre a implementação de políticas públicas que viabilizem a efetivação da lei estadual nº 10.553/2007. O encontro surgiu a partir de uma solicitação enviada ao MP pela Associação de Amigos do Autista da Bahia.

A entidade também planeja realizar uma caminhada este mês com o propósito de chamar a atenção da população baiana sobre as dificuldades enfrentadas para manter a associação, que atende atualmente 68 autistas com idades de dois anos e oito meses a 27 anos, que recebem estímulos de psicomotricidade e escolaridade.

“O custo é alto e estão faltando recursos”, lamenta a presidente Rita Brasil. Segundo ela, a despesa mensal é de R$ 6mil – R$ 1,5 mil só de aluguel. Uma única parceria com o poder público é o que garante os professores. O restante vem por meio de doações.

Outro grave problema é o diagnóstico da doença. Atualmente a entidade acumula uma lista de espera com mais de 280 crianças e adolescentes precisando de diagnóstico e tratamento. Além da falta de serviços públicos, diz, há em Salvador uma carência de profissionais especializados para lidar com esse público.

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