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domingo, 7 de agosto de 2011

Artigo sobre Dr. Marcos Mercadante no Jornal do Brasil

Determinado, persistente, gênio, mestre, generoso, humano, humilde, cativante, herói. Brilhante



Difícil de acreditar que todas essas palavras fizessem parte de um só ser. Mas refletem nada além do real e são apenas um mínimo resumo do homem que certamente deixará muitas saudades nas muitas vidas que tocou. Prof. Dr. Marcos Tomanik Mercadante – Mercadante, como geralmente era chamado por seus inúmeros aprendizes -, morreu aos 51 anos, no último 2 de julho, após uma persistente batalha de um ano contra um câncer de pâncreas.
Porém, mesmo já doente, conseguiu realizar um sonho que reflete sua mais recente conquista: idealizou e criou em 2010 a ONG Autismo & Realidade, da qual era presidente do Conselho Consultivo. Seu objetivo era difundir os conhecimentos mais atualizados sobre o espectro autista, principalmente para pais, além de apoiar estudos científicos na área.
Desde o início, seu histórico acadêmico e profissional traçara um brilhante caminho: graduação em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP), mestrado em Psicologia (Psicologia Clínica) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), doutorado em Psiquiatria pela USP e pós-doutorado na Universidade de Yale (EUA), da qual continuava colaborador. No retorno ao Brasil decidiu dedicar-se à investigação das raízes biológicas do autismo. Em 2010, foi ganhador do prêmio “Prof. Zaldo Rocha”, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
Sua última função foi como professor e doutor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador principal do primeiro Estudo Epidemiológico de Saúde Mental do Escolar Brasileiro do INPD – Instituto Nacional de Psiquiatria do Desenvolvimento.
Sem dúvida alguma, foi com seu jeito único de ser que Mercadante marcou de maneira permanente a história do autismo no Brasil. Um dos principais especialistas e pesquisadores sobre o transtorno no país, além de uma das mais brilhantes mentes já conhecidas, ele colocava em evidência sua paixão pela ciência em todos campos de sua vida, sempre com um artigo nas mãos para ler, como dizia seus três filhos – Júlia, 25, Mariana, 22, e João, 13. Foi autor do primeiro estudo de prevalência de autismo na América Latina, realizado com amostragem na cidade de Atibaia, SP, publicado em fevereiro deste ano.
Em 2006 co-fundou a Upia, Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Unifesp-SP, importante centro de ensino, pesquisa e assistência às crianças e adolescentes acometidos ou em risco de desenvolverem transtornos mentais, onde mais de 500 crianças e adolescentes são atendidos por mês. São seis ambulatórios: ambulatório de transtornos do humor; ambulatório geral; ambulatório de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC); ambulatório de transtornos externalizantes, ambulatório de transtornos psicóticos e ambulatório de cognição social, sendo este último sua declarada paixão.
Seu objetivo era multiplicar conhecimento, discutir suspeitas diagnósticas, pensar alto suas incríveis hipóteses (muitas vezes ele mesmo se dizia inspirado no personagem Dr. House da série House) – geniais e quase impossíveis ao mesmo tempo – sobre possíveis causas do autismo, e, por mais improvável que pareça, aprender. Sua humildade era transparente, sempre disposto a assumir que “bobeou”, como dizia, por algum pensamento “errado” que poderia ter tido. Esse traço tão belo de sua existência é um dos muitos que o tornara singular. “Quanto mais aprendemos, mais vemos que sabemos quase nada, não é?”, muitas vezes dissera abismado e pensativo para sua orgulhosa equipe formada por psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogas, psicopedagogas, entre outros.
Seu maior sonho era descobrir a causa do autismo. No entanto, enquanto este caminho ainda lhe parecesse tão distante, Mercadante certamente não imaginara que durante sua persistente trajetória, tornara o grande sonho de tantas famílias, profissionais e aprendizes tentar aprender a seguir algo meramente similar aos seus passos brilhantemente inconfundíveis.
Por Isabela Fortes – Psicóloga Infantil, mestranda em Saúde Mental Infantil pela Unifesp (ex-orientanda do Mercadante), psicóloga da UPIA – Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência – do Ambulatório de Cognição Social – Marcos Tomanik Mercadante – , colaboradora da ONG “Autismo e Realidade” (www.autismoerealidade.org) e pesquisadora do INPD – Instituto Nacional de Psiquiatria do Desenvolvimento
Fonte: http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2011/08/02/mercadante-brilhante-pesquisador-de-autismo-que-jamais-sera-esquecido/

terça-feira, 5 de julho de 2011

Marcos Mercadante (1960-2011) - Professor e estudioso do autismo

Marcos Mercadante, Claudia Bucalem e Julia Mercadante
Mas enquanto a doença permanece com a causa desconhecida, o psiquiatra infantil decidiu trabalhar em prol de uma maior difusão de informações sobre ela.
No ano passado, fundou a Autismo & Realidade, ONG que busca apoiar a preparação de pessoas e instituições para trabalhar com autistas e combater o preconceito.

Filho de pais corretores de seguro, formou-se em medicina pela USP em 1983.

Fez doutorado sobre TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) na USP, mas só com o pós-doutorado em Yale, nos EUA, especializou-se em autismo, tornando-se uma das maiores autoridades sobre a doença no Brasil.

Professor da Unifesp, deu aulas também no Mackenzie.

Magoo, como ficou conhecido quando jogava basquete e usava óculos protetores que o deixavam parecido com o personagem de desenho Mr. Magoo, tinha uma clínica, onde conheceu os pais que o ajudaram na ONG.

Do primeiro casamento com a psicóloga Caia, teve seus três filhos: Julia, 25, advogada, Mariana, 22, estudante de medicina, e João, 13. Vivia há quatro anos com a segunda mulher, Cláudia, que tem um filho, Rodrigo.

Segundo a família, Magoo era muito dedicado à ciência e andava sempre com algum artigo nas mãos, para ler.

No ano passado, descobriu um câncer de pâncreas e deixou claro para os filhos que teria uma batalha difícil. Morreu no sábado, aos 51.

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