Mostrando postagens com marcador PESQUISA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador PESQUISA. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de junho de 2010

URINA DE CRIANÇAS COM AUTISMO REVELA MARCAS QUÍMICAS SINGULARES

 Submitted by Ciência Diária on Thursday, 3 June 2010

 Pesquisadores da Imperial College London, no Reino Unido, descobriram que crianças com autismo deixam uma marca química específica na urina, que não está presente em crianças não-autistas. A equipe, que revelou os resultados no jornal especializado Proteome Research, sugere que as descobertas podem levar ao desenvolvimento de um exame simples para diagnosticar a condição em crianças.
De acordo com o trabalho, o exame poderia ser baseado na análise de subprodutos de bactérias intestinais e processos metabólicos do organismo através da urina. Além de incluir sintomas de comunicação e habilidades sociais (como a compreensão da emoção de outras pessoas e problemas no contato visual), o autismo também se caracteriza por distúrbios gastrointestinais – de forma que o intestino possui bactérias diferentes de pessoas não-autistas.
Um teste simples de urina poderia facilitar o diagnóstico precoce, permitindo terapias comportamentais avançadas no início de seu desenvolvimento – e em uma fase em que há plasticidade no cérebro da criança, melhorando seus desempenhos futuros. As descobertas também poderiam ajudar pesquisadores a desenvolver tratamentos mais eficazes contra problemas gastrointestinais destas crianças.
O que é o autismo
O autismo é uma disfunção global de desenvolvimento, que afeta a capacidade de comunicação de um indivíduo. Por englobar diferentes graus de comprometimento, e indicando diferentes caminhos (embora não se saiba exatamente o que faz uma pessoa ser autista ou não), é muitas vezes chamado de desordem do espectro autista, ou seja: é um conjunto de anormalidades de interação social. As três principais formas são: autismo, síndrome de Asperger e transtorno invasivo do desenvolvimento não-especificado.
“O autismo é uma condição que afeta as habilidades sociais de uma pessoa, então, em princípio, pode parecer estranho que haja uma relação entre o autismo e o que ocorre no intestino de alguém”, diz Jeremy Nicholson, autor correspondente do estudo. “No entanto, o seu metabolismo e a composição das bactérias no intestino destas pessoas refletem em todas as coisas, inclusive no estilo de vida e nos genes”.
O pesquisador explica que o autismo pode afetar muitas partes do corpo, e a intervenção precoce – com diagnóstico precoce – pode fazer uma grande diferente no progresso destes indivíduos.
O que a urina revela
A equipe usou espectroscopia de RMN (ressonância magnética nuclear) para analisar a urina de três grupos de crianças entre três e nove anos: 39 eram diagnosticadas como autistas, 28 eram irmãos não-autistas de crianças autistas e 34 eram crianças que não tinham autismo nem irmãos com a disfunção. Os resultados mostram que cada grupo tem uma “impressão digital química” diferente.
“Nós esperamos que estes resultados possam ser um primeiro passo para a criação de um teste simples de urina para diagnosticar o autismo bem cedo, embora isto possa levar muito tempo para ser desenvolvido”, explica Nicholson.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pesquisadores testam medicamentos para combater sintomas de autismo


Obriga à Elvi pela dica!! Um abraço!!

Pesquisadores estão desenvolvendo novas drogas para melhorar as dificuldades sociais de autistas e de outras pessoas com dificuldades de aprendizado.
As únicas drogas prescritas no momento para autistas agem na redução da agressão e ansiedade, mas não atacam as causas do problema. As novas drogas, no entanto, poderiam atacar o cerne do problema.
"As pessoas podem aprender mais, a falar melhor, a interagir com outras pessoas e ser mais comunicativas", diz Randall Carpenter da empresa Seaside Therapeutics em Cambridge, Massachusetts (EUA), que está testando uma droga dessa nova classe.
O entusiasmo é compartilhado por Geraldine Dawson, cientista-chefe da instituição beneficente Autism Speaks e psiquiatra na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hills (EUA). "Pela primeira vez, estamos vendo medicamentos que poderiam lidar com sintomas essenciais do autismo."
O teste da Seaside Therapeutics é destinado a pessoas afetadas pela síndrome do X frágil, doença genética associada com o autismo. Pessoas com a síndrome possuem uma mutação em um gene envolvido no fortalecimento de conexões cerebrais ligadas a experiências salientes. Conexões mais fortes permitem que se consiga distinguir eventos relevantes de eventos irrelevantes (ou seja, permite o aprendizado). Mas a mutação no gene dificulta esse processo.
Uma equipe de pesquisadores da Seaside Therapeutics, liderado por Carpenter, está testando uma droga chamada arbaclofen que parece ser capaz de reverter os efeitos dessa mutação.
Carpenter apresentou os resultados em um encontro de pesquisadores da área na Filadélfia no dia 23 de maio.
Os resultados do trabalho sugerem que a nova droga pode melhorar habilidades sociais de pessoas com a síndrome do X frágil e autismo, incluindo melhora na comunicação e sociabilidade em geral e menos episódios de acesso de raiva.
Outra substância que pode ajudar no tratamento é o hormônio ocitocina. Já se sabe que a substância parece conectar sensações de prazer ao contato social. Por causa disso, diversos grupos de pesquisa estão usando a ocitocina em testes para reduzir os sintomas do autismo.
No encontro da Filadélfia, uma equipe liderada por Evdokia Anagnostou, neurologista infantil do Instituto de Pesquisa Bloorview em Toronto, Canadá, apresentou um trabalho mostrando que a administração de duas doses diárias de ocitocina por seis dias aumenta a capacidade de reconhecer emoções e o funcionamento social de outras pessoas.
Segundo a psicóloga Uta Frith, do University College London, na Inglaterra, esse tipo de abordagem química no tratamento de autismo é algo ainda muito novo. Para Frith, seria muito bom que drogas pudessem atacar as causas da doença, mas enquanto elas não vêm, intervenções comportamentais ainda são uma das melhores alternativas.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

SOMBRAS PIORAM PERCEPÇÃO EM CRIANÇAS AUTISTAS, DIZ ESTUDO

Já se sabia que crianças autistas têm dificuldades para processar imagens. Elas acham, por exemplo, mais difícil compreender expressões faciais que crianças sem autismo. Agora um estudo publicado na revista "Plos ONE" mostra que a presença de sombras em objetos também prejudica o processamento visual em autistas.
Umberto Castiello, da Universidade de Pádua (Itália) e colaboradores compararam a habilidade de 20 crianças com autismo e 20 crianças sem autismo reconhecerem objetos desenhados com ou sem sombras.
Castiello e seu grupo descobriu que crianças com autismo nomeavam os objetos sem sombra mais rapidamente e objetos com sombra mais lentamente que crianças sem autismo.
Segundo Castiello, crianças sem autismo conectam objetos e suas sombras de uma maneira que facilita o reconhecimento de objetos. Quando essas crianças veem imagens com sombras inconsistentes com o objeto, por exemplo um vaso redondo com uma sombra triangular, o tempo para nomear o objeto é maior do que quando a sombra é consistente com o objeto.
Para crianças com autismo, contudo, faz pouca diferença se as sombras são consistentes com o objeto ou não.
Uma possível aplicação do resultado é o uso de salas de aula mais bem iluminadas para que turmas de autistas tenham menos distrações.
A parte e o todo
De acordo com Uta Frith, psicóloga especializada em autismo do University College London, no Reino Unido, os resultados concordam com a teoria de que autistas não utilizam o contexto em torno de um objeto (no caso, as sombras) para ajudar a interpretar dados visuais.
De maneira mais geral, autistas parecem prestar mais atenção para as partes do que para o todo. Frith nota que crianças com autismo gostam de montar quebra-cabeças, mas, ao contrário de crianças sem autismo, não mostram interesse na figura final.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Dieta sem glúten e autismo: pesquisa não confirmou melhora do comportamento

Estudo controlado não constatou benefícios no sono, atenção e funcionamento intestinal

Queridos amigos!

Quero opinões a respeito! Que tal discutirmos este assunto?

Entrem na comunidade do blog:

Caminhos do Autismo - Orkut

| URMC-Newsroom | Tradução: Inês Dias |

postagem retirada do blog: http://cronicaautista.blogspot.com/
A crença popular de que mudanças específicas na dieta poderiam melhorar os sintomas de crianças com autismo não conseguiu comprovação em estudo controlado feito pela Universidade de Rochester, que verificou que eliminar glúten e caseína das dietas de crianças com autismo não teve impacto nos seus padrões de comportamento, sono ou intestinos.

Este estudo é a pesquisa de dieta e autismo mais controlada até agora. Os pesquisadores conseguiram o difícil mas crucial feito de garantir que os participantes recebessem os nutrientes necessários, já que dietas livres de glúten e caseína podem conter quantidades inadequadas de vitamina D, cálcio, ferro e proteína de alta qualidade. Diferentemente de estudos prévios, também se controlaram outras intervenções, como o tipo de tratamentos comportamentais que as crianças receberam, para garantir que todas as mudanças observadas seriam devidas às alterações de dieta. Estudos anteriores não controlaram tais fatores. Apesar de não terem sido observadas melhoras, os pesquisadores reconheceram que alguns subgrupos de crianças, particularmente aquelas com sintomas gastrointestinais significativos, podem conseguir alguns benefícios com as mudanças de dieta.

"Seria maravilhoso para as crianças com autismo e suas famílias se descobríssemos que a dieta SGSC realmente poderia ajudar, mas este pequeno estudo não verificou benefícios significativos", disse Susan Hyman, médica e professora associada de pediatria do Hospital Infantil Golisano do Centro Médico da Universidade de Rochester (URMC) e pesquisadora chefe do estudo apresentado sábado (22/5/2010) no Encontro Anual de Pesquisa em Autismo na Filadélfia. "No entanto, o estudo não incluiu crianças com doenças intestinais significativas. É possível que essas crianças e outros grupos específicos possam se beneficiar".

A pesquisa foi uma resposta aos relatos amplamente divulgados por pais sobre os benefícios da dieta SGSC, que exclui proteínas do trigo, cevada, centeio e leite, e começou em 2003 para avaliar cientificamente seus efeitos. As observações dos pais tiveram um papel importante nas primeiras descobertas sobre tratamentos para crianças com autismo, tais como os benefícios da melatonina para o sono.

O estudo de Hyman incluiu 22 crianças entre 2 e meio e 5 e meio anos de idade. Catorze crianças completaram as 18 semanas de mudanças na dieta. As famílias tiveram que adotar estritamente uma dieta SGSC e participaram de intervenções comportamentais intensivas durante o estudo. As crianças foram examinadas quanto à deficiência de ferro e vitamina D, alergias de leite e trigo e doença celíaca. Outros voluntários foram excluídos por não conseguirem aderir às exigências do estudo. As dietas das crianças foram cuidadosamente monitoradas durante o estudo para garantir que estivessem consumindo adequadamente nutrientes como vitamina D, ferro, cálcio e outros.

Depois de pelo menos 4 semanas de dieta, as crianças receberam aleatoriamente glúten, caseína, separadamente ou em conjunto, e placebo. Recebiam lanches uma vez por semana com 20 gramas de farinha de trigo e 23 gramas de leite desidratado desnatado ao mesmo tempo, separados ou nada, até que todas as crianças recebessem cada tipo de lanche 3 vezes, distribuído ao acaso e apresentado de forma que nenhum observador – incluindo a família, a criança, a equipe de pesquisadores e a de terapeutas - pudesse saber o que ele continha. Os lanches foram preparados de forma que sua apresentação, sabor e textura fossem iguais, o que foi um inovador exercício de cozinha. Além disso, a equipe de nutrição trabalhou junto às famílias para fazer com que os lanches fossem ao encontro das preferências de cada criança. A caseina foi disfarçada em pudins, iogurte ou smoothies (vitamina de frutas batida com sorvete) e o glúten em pão de banana, brownies ou biscoitos, dependendo do gosto de cada uma.

Os pais, professores e assistentes de pesquisa preencheram questionários padronizados sobre o comportamento das crianças um dia antes de receberem o lanche e também 2 e 24 horas após. (Se o comportamento da criança não era o seu usual na hora prevista para o lanche, este era adiado até que a criança voltasse ao seu comportamento rotineiro). Além disso, os pais mantiveram os hábitos normais de alimentação, dieta e idas ao banheiro. A interação social e a linguagem foram avaliadas através da pontuação de um vídeo de uma sessão de brincadeira padronizada com um assistenta de pesquisa.

Depois da dieta de lanches com glúten e caseína, os participantes do estudo não apresentaram mudanças na atenção, atividade, sono ou frequência e qualidade dos hábitos intestinais. As crianças apresentaram uma ligeira melhora na linguagem social e no interesse em interação após os lanches com glúten e caseína na escala Ritvo Freeman de avaliação, mas não alcançou significância estatística. Isso significa que, por causa da pequena diferença e o pequeno número de participantes, tal achado pode se dever somente ao acaso.

Os pesquisadores acentuam que esse estudo não foi desenhado para analisar dietas mais restritivas ou efeito de suplementos nutricionais sobre o comportamento. Foi desenhado para observar os efeitos da retirada do glúten e da caseína da dieta de crianças com autismo (sem doença celíaca) e os efeitos subsequentes da retomada do consumo dessas substâncias em um grupo de crianças recebendo intervenção comportamental intensiva precoce.

A Dra. Hymam afirmou: "Isso é somente a ponta do iceberg. Há muitos possíveis efeitos da dieta, incluindo super e subnutrição sobre o comportamento de crianças com TEA que precisam ser investigados cientificamente de maneira que as famílias possam tomar decisões bem informadas sobre tratamentos para seus filhos".

O estudo foi patrocinado pelo Programa de Pesquisas Avançadas em Tratamentos do Autismo do NIH (Insituto Nacional de Saúde Mental) e pelo NCRR (Centro Nacional de Recursos para Pesquisas).


Gluten-free Autism Diet Does Not Demonstrate Behavioral Improvement

Tightly controlled study saw no benefits for sleep, attention and bowel function

A popular belief that specific dietary changes can improve the symptoms of children with autism was not supported by a tightly controlled University of Rochester study, which found that eliminating gluten and casein from the diets of children with autism had no impact on their behavior, sleep or bowel patterns.

The study is the most controlled diet research in autism to date. The researchers took on the difficult yet crucial task of ensuring participants received needed nutrients, as children on gluten-free, casein-free diets may eat inadequate amounts of vitamin D, calcium, iron and high quality protein. Unlike previous studies, they also controlled for other interventions, such as what type of behavioral treatments children received, to ensure all observed changes were due to dietary alterations. Past studies did not control for such factors. And although
no improvements were demonstrated, the researchers acknowledged that some subgroups of children, particularly those with significant gastrointestinal (GI) symptoms, might receive some benefit from dietary changes.

"It would have been wonderful for children with autism and their families if we found that the GFCF diet could really help, but this small study didn't show significant benefits," said Susan Hyman, M.D., associate professor of Pediatrics at Golisano Children's Hospital at the University of Rochester Medical Center (URMC) and principal investigator of the study which will be presented Saturday (May 22) at the International Meeting for Autism Research in Philadelphia. "However, the study didn't include children with significant gastrointestinal disease.
It's possible those children and other specific groups might see a benefit."

In response to widespread parent-reported benefits, URMC initiated the trial in 2003 to scientifically evaluate the effects of the gluten-free and casein-free diet, which eliminates wheat, rye, barley and milk proteins. Parent observation has played an important role in earlier treatment discoveries in children with autism, such as melatonin's benefits for sleep.

Hyman's study enrolled 22 children between 2 1/2- and 5 1/2-years-old. Fourteen children completed the intervention, which was planned for 18 weeks for each family. The families had to strictly adhere to a gluten-free and casein-free diet and participate in early intensive behavioral intervention throughout the study. Children were screened for iron and vitamin D deficiency, milk and wheat allergies and celiac disease. One child was excluded because of a positive test for celiac disease and one was excluded for iron deficiency. Other volunteers who
were excluded were unable to adhere to the study requirements. The children's diets were carefully monitored throughout the study to make sure they were getting enough vitamin D, iron, calcium, protein and other nutrients.

After at least four weeks on the strict diet, the children were challenged with either gluten, casein, both or placebo in randomized order. They were given a snack once weekly with either 20 grams of wheat flour, 23 grams of non fat dried milk, both, or neither until every child received each snack three times. The type of snack was given in randomized order and presented so that no one observing -- including the family, child, research staff and therapy team -- knew what it contained. The snacks were carefully engineered to look, taste and feel the same, which was an exercise in innovative cooking. In addition, the nutrition staff worked closely with the families to make a snack that met their child's preferences. Casein was disguised in pudding, yogurt or smoothies and gluten in banana bread, brownies, or cookies depending on the child's food preferences.

Parents, teachers and a research assistant filled out standardized surveys about the child's behavior the day before they received the snack, at two and 24 hours after the snack. (If the child's behavior wasn't usual at the scheduled snack time, the snack would be postponed until the child was back to baseline.) In addition, the parents kept a standard diary of food intake, sleep and bowel habits. Social interaction and language were evaluated through videotaped scoring of a standardized play session with a research assistant.

Following the gluten and casein snacks, study participants had no change in attention, activity, sleep or frequency or quality of bowel habits. Children demonstrated a small increase in social language and interest in interaction after the challenges with gluten or casein on the Ritvo Freeman Real Life Rating Scale; however, it did not reach statistical significance. That means because of the small difference and the small number of participants in the study, the finding may be due to chance alone.

The investigators note that this study was not designed to look at more restrictive diets or the effect of nutritional supplements on behavior. This study was designed to look at the effects of the removal of gluten and casein from the diet of children with autism (without celiac disease) and subsequent effect of challenges with these substances in a group of children getting early intensive behavioral intervention. Hyman said, "This is really just the tip of the iceberg. There are many possible effects of diet including over- and under-nutrition, on
behavior in children with ASD that need to be scientifically investigated so families can make informed decisions about the therapies they choose for their children."

###

This study was funded by the NIH's National Institutes of Mental Health Studies to Advance Autism Treatment Research and National Center for Research Resources (NCRR).

Gluten-free Autism Diet Does Not Demonstrate Behavioral Improvement
http://www.clanthompson.com/home/index.php?main_page=archives&do=viewarchive&categoryid=5&archiveid=233&zenid=isldfepoumvs81fs0eteomma87


Popular Autism Diet Does Not Demonstrate Behavioral Improvement
http://www.urmc.rochester.edu/news/story/index.cfm?id=2860

segunda-feira, 24 de maio de 2010

MÉDICO BRITÂNICO QUE LIGOU VACINA AO AUTISMO PERDE REGISTRO

Andrew Wakefield publicou estudo com conclusões equivocadas em 1998. Pesquisa causou enorme queda nos índices de vacinação.

 Um médico britânico que relacionou a vacina contra sarampo-papeira-rubéola (MMR) ao autismo perdeu seu registro nesta segunda-feira depois de ter sido condenado por má conduta profissional.
O Conselho Geral de Medicina (GMC) considerou que Andrew Wakefield, 53 anos, agiu de forma "desonesta", "enganosa" e "irresponsável" enquanto fazia uma pesquisa sobre uma possível ligação entre a vacina com doenças intestinais e autismo.
O estudo de Wakefield, publicado em 1998, na revista especializada The Lancet, gerou grandes controvérsias, e apesar de especialistas e governos terem garantido que a vacina era segura, causou uma enorme queda nos índices de vacinação.
A revista publicou uma retratação este ano por conta do artigo, depois de o Conselho Geral de Medicina ter considerado que Wakefield havia sido "desonesto" enquanto realizava a pesquisa.
O médico, que era consultor honorário em gastroenterologia experimental no London's Royal Free Hospital na época do estudo, afirmou ter tido consentimento para usar as crianças envolvidas na pesquisa, e anunciou que apelará da decisão.
Em um comunicado, ele afirma que a ação impetrada contra ele e contra seu colega de 73 anos, o professor John Walker-Smith, que também teve seu registro cassado nesta segunda-feira, foi uma tentativa de silenciá-lo.
"Esses esforços (têm como objetivo) me desacreditar e me silenciar, e o processo é uma forma de proteger o governo da exposição no escândalo da vacina MMR", disse.

Estudo identifica gene com papel-chave em risco de autismo


Cientistas da Universidade da Pensilvânia detectaram pequenas mudanças genéticas que parecem ter um forte impacto na probabilidade de um indivíduo desenvolver o autismo e outras doenças relacionadas, como a síndrome de Asperger.
As mudanças influenciam genes que ajudam a formar e manter conexões entre as células do cérebro.
O estudo destacou em particular uma variante genética comum, que, se "consertada", poderia diminuir os casos de autismo em 15%.
Pesquisas anteriores já relacionou outras variantes genéticas ao autismo, mas todas elas são relativamente raras.
Proteínas
Para o atual estudo, os pesquisadores analisaram mais de 10 mil pessoas, buscando no genoma humano as pequenas diferenças entre as pessoas que sofrem de autismo e aquelas que não apresentam o problema.
Eles encontraram muitas variantes genéticas normalmente associadas ao autismo - todas elas apontavam para genes específicos do cromossomo 5, que controla a produção de proteínas que ajudam as células a se manterem juntas e a realizar as conexões nervosas.
Uma variante, entretanto, ligada a um gene chamado CDH10, está presente em mais de 65% dos casos de autismo, e os pesquisadores calcularam que solucionando esta mudança seria possível cortar o número de casos em 15%.
Segundo os cientistas, o autismo também está relacionado, com menos intensidade, a um grupo de cerca de 30 genes que produzem proteínas que ajudam as células cerebrais a migrar para os lugares certos e a se conectarem às células vizinhas.
Outras mudanças genéticas notadas pelos pesquisadores ocorrem em genes envolvidos em um sistema de "reciclagem" celular que provavelmente assegura que essas proteínas atuem em perfeita ordem.
Complexo
Hakon Hakonarson, chefe da equipe de pesquisadores, reconheceu que a genética por trás do autismo é complexa.
"Outros pesquisadores da doença já sugeriram que ela ocorre por causa das conexões anormais entre as células cerebrais durante o desenvolvimento da criança ainda nos primeiros estágios da vida. Por isso, nos sentimos obrigados a encontrar provas de que mutações em genes envolvidos nas conexões cerebrais aumentam o risco de uma criança desenvolver o autismo", afirmou.
"Mas provavelmente cada gene contribui um pouco para o risco, e cada um interage com outros genes e com fatores externos para desencadear a doença."
Segundo Simon Baron-Cohen, especialista em autismo da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, até hoje já foram identificados 133 genes que podem estar ligados à doença. Mas, para ele, ainda são necessários novos estudos para se descobrir como eles interagem entre si e com o ambiente externo.
"O quebra-cabeças está sendo montado pouco a pouco, e a ciência do autismo está acelerando de maneira promissora", afirmou.
O autismo e doenças relacionadas afetam a interação social, a capacidade de comunicação e o comportamento.

domingo, 16 de maio de 2010

AUTISTAS PODEM TER NEURÔNIOS-ESPELHO NORMAIS, DIZ ESTUDO

Lembrete importante: Este é um estudo com apenas 13 autistas. Atentem sempre à relevância estatística, ok?
--------------------------------------------------------------
Neurônios-espelho são células do cérebro que são ativadas quando alguém realiza uma ação ou apenas observa a mesma ação. Uma teoria comumente aceita é a de que esses neurônios não funcionam direito.
A ideia é que o mau funcionamento desses neurônios estariam por trás das dificuldades que pessoas com autismo tem para interpretar as intenções de outras pessoas e para mostrar empatia.
Estudos anteriores mostraram que a atividade cerebral em áreas com muitos desses neurônios é menor em autistas do que em pessoas normais quando ambos os grupos realizavam e observavam ações simples.
No trabalho publicado na "Neuron", porém, o neurocientista Ilan Dinstein, do Instituto Weizmann, em Rehovot (Israel), investigou possibilidades alternativas. Para Dinstein, é possível que outras diferenças entre os grupos expliquem os resultados experimentais. Por exemplo, é possível que autistas imitem movementos mais lentamente que pessoas normais, o que seria refletido em atividade cerebral diferente entre os dois grupos.
Dinstein e colaboradores na Universidade de Nova York conduziu novo experimento com 13 autistas e  s. Os participantes realizaram movimentos manuais ou assistiram a movimentos realizados por outras pessoas enquanto sua atividade cerebral era monitorada por um aparelho de ressonância magnética funcional.
Áreas do cérebro ligadas ao sistema de neurônios-motores (córtices pré-motor e parietal) foram ativadas em ambos os grupos. Diferentemente de estudos anteriores, o nível da atividade cerebral foi similar nos dois grupos.
Além disso, a atividade cerebral emudeceu quando os dois grupos realizaram ou observaram as mesmas ações repetidas vezes, mas não quando as ações eram diferentes.

O resultado indica que, sob algumas condições experimentais,
os neurônios-espelho de autistas comportam-se como os neurônios de pessoas normais.

Enviei alguns emails para especialistas para saber opiniões à respeito da publicação deste estudo. Voltarei a abordar este assunto quando tiver mais informações.
Um grande abraço!

** amandabueno.autismo@gmail.com

quinta-feira, 13 de maio de 2010

EXAME PRÉ-NATAL PODERÁ ACUSAR AUTISMO

Pesquisa

Exame pré-natal poderá acusar autismo

12 de janeiro de 2009

Uma pesquisa da Universidade de Cambridge publicada nesta segunda-feira pode abrir caminho para o diagnóstico pré-natal de autismo. Por outro lado, o estudo deve trazer consigo uma série de controvérsias, sobretudo a respeito da possibilidade de aborto nesses casos.
Cientistas liderados pelo professor Simon Baron-Cohen, uma autoridade mundial no assunto, acompanharam 235 crianças desde antes do nascimento até os oito anos de idade. Eles concluíram então que altos níveis de testosterona no líquido amniótico de mulheres grávidas estava associado a sintomas de autismo na infância.
Os resultados da pesquisa podem servir de base para o desenvolvimento de uma amniocentese (usada para detectar síndrome de Down) para identificar casos de autismo ainda na barriga da mãe. Mas a possibilidade de realizar esse tipo de teste traz outros questionamentos: "Se existisse um pré-natal para autismo, seria desejável?", pergunta o próprio Cohen.
O professor levanta a questão principalmente devido ao conceito que se tem de autismo. Caracterizado pelo desligamento da realidade exterior e pela criação de um mundo autônomo, a condição é muitas vezes associada à genialidade e a um grande poder de concentração responsável por habilidades extraordinárias em matemática e música. No entanto, a outra faceta do distúrbio traz crianças incapazes de se comunicarem e forçadas a viver em instituições especializadas.
Um possível exame pré-natal para diagnosticar autismo não poderia, a princípio, identificar para qual desses extremos seria levada a criança. Por isso, Cohen avalia que é preciso começar a debater a questão. "O que nós perderíamos se crianças autistas fossem eliminadas da população? Existe um teste para a síndrome de Down que é permitido e os pais exercem o seu direito de optar pelo aborto. Mas autismo é frequentemente associado ao talento. É uma condição diferente", ressalta.
-------------------------------------------------------

quarta-feira, 14 de abril de 2010

AUTISMO: DIAGNÓSTICO PRECOCE

Pesquisadores verificarão risco de autismo em bebês de 6 meses


O diagnóstico de autismo se dá apenas por volta dos 3 anos, quando um tempo precioso já se perdeu. Mas Patricia K. Kuhl, neurocientista da Universidade de Washington, e seus colegas descobriram que certas diferenças neurológicas e comportamentais podem ser identificadas por volta dos 2 anos. A equipe planeja testar diagnósticos semelhantes em bebês de 6 meses. O objetivo é criar um instrumento de análise que verifique o risco de autismo o quanto antes para permitir uma intervenção.


O cérebro das crianças está pronto para a linguagem por volta dos 3 anos. Sua aptidão lingüística depende muito da capacidade de detectar sinalizadores fonéticos, bem como de prestar atenção à voz de adultos, sobretudo da mãe. A equipe de Kuhl comparou as duas habilidades em crianças autistas e em outras de desenvolvimento normal com idade entre 2 e 4 anos. O cérebro das crianças autistas em idade pré-escolar não mostrou reação à mudança de uma consoante em uma série de sons idênticos (o sinalizador fonético). E elas demonstraram preferir um cantar sem palavras computadorizado a trechos de "mamãnhês" - o modo expressivo, leve e adocicado de falar que as mães costumam usar com crianças pequenas que, como já demonstrado, auxiliam o aprendizado da linguagem.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

PROJETO GENOMA AUTISMO

 Amigos!
Fiz esta pequena compilação de notícias sobre estudos genéticos do autismo para que não esqueçamos que pesquisas estão em andamento! Cada resposta obtida é importante e temos de estar informados!
Um grande abraço!



Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) ligados ao Projeto Genoma estão fazendo pesquisas para compreender o funcionamento dos neurônios nos portadores da síndrome de autismo. Os pesquisadores já conseguiram decifrar três genes relacionados à ocorrência de autismo. Os estudos dos cientistas foram publicados no começo deste ano na revista científica Brain Research.
Conforme a bióloga Maria Rita Santos e Passos Bueno, do Centro de Estudos do Genoma Humano (Departamento de Genética e Biologia Evolutiva - Instituto de Biociências), "já há um consenso internacional de que o autismo depende de fatores genéticos. Acredita-se que há vários genes que possam estar associados ao autismo".
Segundo ela, o autismo é uma doença complexa e heterogênea, causada por diversas alterações genéticas. "Algumas formas de autismo são associadas a síndromes genéticas bem estabelecidas, como por exemplo, a síndrome do 'x frágil' alteração do cromossomo x, que é uma síndrome relacionada ao retardo menta" afirma.
Estudo desenvolvido pela equipe da bióloga com mais de 250 portadores de autismo verificou a recorrência de variações entre a quantidade de receptores de serotonina e a própria substância (que atua como neurotransmissora e está relacionada com emoções e com o sono). De acordo com Maria Rita Bueno, verificou-se a disponibilidade de mais serotonina do que de receptores. Há mais "chaves" que "fechaduras", simplifica.
"Possivelmente, há muitos mecanismos genéticos que podem levar ao autismo. Casos que podem ser determinados por erros em genes específicos ou por pequenas variações que estão no genoma que chamamos de SNPs. Vários desses SNPs em alguns genes levam ao autismo" explica a bióloga.
Os pesquisadores da USP conseguiram verificar variações e decifrar três genes relativos à síndrome do autismo (neurogulin 3; neurogulin 4 e shank 3). 

04 de maio de 2009 09h22



A revista científica Nature Genetics publicou resultados de uma mega pesquisa com a colaboração de vários países, tendo encontrado uma série de variações no material genético das pessoas com autismo, bem como alguns resultados promissores.

O autismo é uma complexa desordem neurológica com um amplo espectro de sintomas que variam de indivíduo para indivíduo. Atualmente, não existe um diagnóstico unânime entre todos os pacientes, mas na maior parte dos casos inibe o doente de se comunicar e desenvolver laços sociológicos. Em muitos casos é observado um comportamento agressivo e o surgimento de obsessões pelo afetado. Sabe-se, através de pesquisas realizadas na Califórnia, EUA, que os autistas tem inflamações que são localizadas em regiões específicas da cabeça (para mais detalhes consultar nossos acervos). A doença permanece por toda a vida e as crianças autistas apresentam um QI muito baixo. Não há testes laboratoriais ou de imagem que possam diagnosticar o autismo. Assim o diagnóstico deve ser feito clinicamente, por meio de uma entrevista e pelo histórico do paciente, sendo diferenciado da surdez, dos problemas neurológicos e do retardo mental. A Fonoterapia, terapia ocupacional e fisioterapia são muitos dos tratamentos a que os autistas podem recorrer.    Contudo, houve um aumento significativo nas pesquisas genéticas sobre o autismo na última década, nas quais já foram apresentados resultados de genes mais susceptíveis, as formas esporádicas de autismo, bem como a estruturação familiar de autismo. A identificação da susceptibilidade de genes ao autismo irá não só permitir a produção de melhores medicamentos que ajudem na qualidade neuro-comportamental de crianças, como permitirá de igual forma traçar diagnósticos pré-natais. Nos EUA, uma em cada 166 crianças é autista, com uma expressão quatro vezes superior no sexo masculino.

O Projeto Genoma do autismo, considerado um projeto de larga escala, envolve 120 pesquisadores de 19 países, com 50 Instituições participantes entre as quais o National Alliance for Autism Research, Autism Speaks e o National Institutes of Health (NIH). Nesta publicação a equipe com dados de 1.168 famílias (com pelo menos dois membros autistas em cada uma delas), conseguiu identificar uma região do cromossomo 11 que poderá estar ligada ao transtorno do autismo. Identificaram um gene chamado neurexin 1, que acredita-se ser importante na comunicação e no contato entre neurônios, entre genes do genoma e outras regiões do organismo. A neurexin descoberta, tem um importante papel dentro de um grupo especial chamado de neurônios glutamato, sendo que estes genes afetam seu desenvolvimento e função, sugerindo que os mesmos têm um papel crítico no espectro de desordem do autismo.

Os pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos EUA, conjuntamente com os outros laboratórios que participam do projeto, analisaram o material minuciosamente e procuram ausências e/ou até mesmo duplicações na informação genética. Muitas vezes essas falhas não são necessariamente prejudiciais, porém podem aumentar o risco de autismo quando manifestadas de certa forma. A partir do exame de DNA sobre a variação do número de cópias, ou análise microscópica de inserções ou deleções, os cientistas acreditam estar mais perto da fonte do problema.

Esta primeira fase do Projeto consiste na caracterização do genoma, utilizando diferentes técnicas para analisar o DNA das famílias, entre elas o SNP array e marcadores do tipo microssatélites. O SNP array é um tipo de microarray de DNA na qual é usado para detectar polimorfismos dentro de uma população. Um SNP é a principal variação no genoma - existem cerca de 5-10 milhões de SNPs no genoma humano. Os SNPs são altamente conservados através da evolução e dentro de uma população e desta forma um mapa de SNPs serve como um excelente mapa genético para as pesquisas. Por conseguinte, a técnica de microssatélites, SSR, baseia-se no uso de dois pares de primers e da reação de PCR para detectar variações em locos de seqüências repetitivas. Seqüências repetitivas simples (microssatélites) são seqüências de nucleotídeos (um, dois, três ou quatro nucleotídeos) que se repetem inúmeras vezes lado a lado na fita de DNA. O conteúdo informativo de um loco SSR é bastante alto justamente por se tratar de seqüências de alta taxa evolutiva. SSR apresenta-se como uma ferramenta extremamente eficiente na identificação e diferenciação de indivíduos.

Estes pesquisadores esperam analisar um total de 1500 amostras criando um mapa genético o mais completo possível, e com todos os intervalos críticos. O foco será identificar a exata variação nucleotídica entre os genes que levam a essa pré-disposição para o autismo. O Projeto pretende responder questões sobre os mecanismos patofisiológicos do autismo. “Esta é a maior e mais ambiciosa tentativa de localizar os genes que conferem a vulnerabilidade ao autismo”, disse o diretor da NIH, Elias A. Zerhouni. “Este projeto revelará pistas que terão influência nas pesquisas sobre o autismo nos próximos anos”, concluiu Zerhouni. O porta-voz da Sociedade Nacional do Autismo do Reino Unido, Benet Middleton, frisou que “podemos estar muito felizes com estes resultados, mas é prematuro dizer que soluções imediatas em diagnósticos existirão já no próximo ano”. A segunda fase do projeto seguirá as diretrizes traçadas pelos resultados finais do primeiro, segundo comentou o Dr. Bernie Devlin.
  
11/04/2007
Marcos Siqueira - Equipe Biotec AHG
 Uma equipe de cientistas do Wellcome Trust Centre for Human Genetics, pertencente à Universidade de Oxford, Inglaterra, por meio de um estudo, mostrou a existência de uma ligação genética funcional entre diferentes desordens prejudiciais ao desenvolvimento da linguagem. O resultado dessa pesquisa foi publicado na edição deste mês do New England Journal of Medicine.
O artigo revela a descrição do isolamento de um novo regulador-alvo, o gene FOXP2 ("forkhead box P2”), que possui funções neurais. Este gene mostrou evidências de associação a deficiências relacionadas à linguagem – o que ficou claro ao observar danos nesse tipo de função em um grande número de famílias. Estudos realizados com mutações já conhecidas em seres humanos e em camundongos mostraram fortes evidências de que o FOXP2 regula a função de genes envolvidos no desenvolvimento de diversos tipos de tecidos, como o cerebral.    Os pesquisadores sabem que a ocorrência de mutações raras no gene FOXP2 tem como efeito uma desordem na fala e na linguagem. Estima-se que aproximadamente 2% dos indivíduos que possuem uma dispraxia verbal carregam uma mutação pontual nesse gene. Outra informação importante, da qual os pesquisadores têm conhecimento, é a de que uma mutação no FOXP2 não constitui necessariamente um fator de risco para a ocorrência de danos na linguagem.

A hipótese sustentada pelos cientistas é a de que rotas neurais distantes do FOXP2 influenciam fenótipos mais comuns, como os danos específicos na linguagem. Para testar essa hipótese, regiões genômicas ligadas ao FOXP2 foram rastreadas, através da técnica de imunoprecipitação da cromatina. Os pesquisadores conseguiram investigar, com mais precisão, um gene específico que apresentava maiores chances de influenciar na linguagem. A partir daí, foram testadas as associações entre os polimorfismos de nucleotídeos simples (single-nucleotide polymorphisms, SNPs), no gene FOXP2, e as deficiências na linguagem em 184 famílias.

Os resultados obtidos mostraram uma ligação entre o FOXP2 e o gene contactin associated protein-like 2 (CNTNAP2, sigla em inglês). O CNTNAP2 codifica uma proteína da família neurexin, que atua como molécula de adesão celular e como receptora de diferentes tipos de substâncias, no sistema nervoso de vertebrados. Esse gene está associado a uma desordem ligada ao espectro autismo (autismo), porém com uma quantidade muito pequena de casos ocorridos. Além dessa doença, esse gene pode estar vinculado à outra enfermidade, conhecida como dano de linguagem específica (specific language impairment, SLI).     Os pesquisadores realizaram a análise dos SNPs do CNTNAP2, em crianças que desenvolveram um dano específico de linguagem. O que despertou a atenção dos pesquisadores foi o fato de uma região desse gene coincidir com uma área associada ao atraso no desenvolvimento da linguagem, em crianças com autismo. Esse transtorno caracteriza-se por apresentar alterações na qualidade da comunicação, na interação do indivíduo com a sociedade e na capacidade de usar a imaginação, ocorrendo antes dos 3 anos de idade. O autismo pode ser chamado de espectro autista.
A partir dos resultados obtidos, foi possível, aos pesquisadores, concluir que as rotas de ligação entre os genes FOXP2 e CNTNAP2 oferecem um mecanismo que vincula duas síndromes clinicamente diferentes, relacionadas a problemas na linguagem.
13/11/2008
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG

Determinados tipos de inflamações, presentes nos tecidos cerebrais, podem estar intimamente ligadas ao autismo, de acordo com estudo realizado recentemente por pesquisadores da Universidade John Hopkins, na Califórnia (EUA).

A pesquisa  mostra que o cérebro de algumas pessoas autistas possui claros sinais de inflamação, sugerindo uma relação entre a doença e a ativação do sistema imune do indivíduo. Não se sabe, no entanto, se estas inflamações poderiam ser a causa ou apenas um efeito decorrente das alterações no cérebro dos autistas.

“Os estudos reforçam a teoria de que a resposta imune no cérebro está envolvida com autismo, mas ainda não é claro se a inflamação é uma conseqüência da doença ou uma causa dela, ou ambos”, diz o Dr. Carlos Pardo-Villamizar, um dos autores do estudo. Mesmo assim, a pesquisa deverá servir como referência para o desenvolvimento de novos tratamentos, afirmou o pesquisador.     Os cientistas já haviam encontrado indícios de que o sistema imune estava ligado à doenças, mas nada que pudesse comprovar a teoria. “Desta vez, ao invés de observarmos o sistema imune como um todo, nos focamos nas respostas imunes do sistema nervoso, um conjunto menor e relativamente fechado”, disse Villamizar.    Resultados    “As descobertas sugerem que a inflamação é localizada em regiões específicas da cabeça, e não causada por anormalidades do sistema imunológico fora do cérebro”, explicou a Dra. Diana L. Vargas, líder da equipe de pesquisas. Agora, a médica e seus colegas procuram estudar como a herança genética de pacientes e famílias pode influenciar as reações no cérebro dos autistas.

Na pesquisa, os médicos examinaram tecidos de diferentes regiões do cérebro em onze pessoas que possuíam autismo -mortas em acidentes, com idades entre cinco e 44 anos. Eles também mediram os níveis de duas proteínas características do sistema imune -as chemoquinas e as citoquinas- em seis pacientes vivos, portadores de autismo, com idades entre cinco e doze anos.

Comparados com o cérebro de pessoas normais, os cérebros dos autistas apresentavam processos inflamatórios em diversas regiões, produzidos por células conhecidas como microgliais e astrogliais. Estas células, que fazem parte do sistema nervoso, auxiliam na fixação dos neurônios e na retirada de detritos resultantes de inflamações, lesões ou doenças.

Além disso, os pesquisadores descobriram que os níveis das proteínas eram muito maiores nos autistas do que em pessoas comuns. As citoquinas e chemoquinas são encontradas no Líquor Cérebroespinhal – a substância que recobre e protege o cérebro e medula espinhal.

A doença é causada por uma desordem na formação do cérebro, ainda na infância. De acordo com a Associação Americana de Neurologia, o mal afeta entre duas e cinco crianças a cada mil nascidas, e possui quatro vezes mais chances de ocorrer em meninos do que em meninas.     Crianças com autismo podem possuir problemas de relacionamento social e comunicação, além de geralmente realizarem movimentos repetitivos e estabelecerem ligações incomuns a determinados objetos e rotinas.  

17/11/2004
Guilherme Mota - Equipe Biotec AHG
Uma equipa multidisciplinar de investigadores portugueses vai participar na segunda fase de um projecto internacional para identificar os genes responsáveis pelo autismo, anunciou hoje o Instituto Nacional de Saúde (INSA) Ricardo Jorge.



Além de investigadores desta instituição, a equipa portuguesa integra ainda elementos do Hospital Pediátrico de Coimbra e do Instituto Gulbenkian de Ciência, sendo constituída também por pediatras, psicólogos e educadores, segundo um comunicado divulgado pelo INSA.

A primeira fase do projecto, que criou o maior banco genético mundial e realizou uma análise genómica para mapear os genes de susceptibilidade para o autismo envolveu 120 cientistas, de mais de 50 instituições em 19 países.

No início de Março arranca a segunda fase do projecto, em que participa a equipa portuguesa, e tem como objectivo examinar todo o genoma para detectar associações de novos marcadores genéticos com o autismo e variações no número de cópias existentes ao longo dos cromossomas.

De acordo com o comunicado, os resultados obtidos vão permitir desenvolver novos projectos, como a sequenciação de ADN (ácido desoxirribonucleico) em larga escala "para identificar as alterações genéticas que levam a um aumento de susceptibilidade para o autismo".
Investimento de 11 milhões de euros

Esta segunda fase do projecto vai desenrolar-se por três anos e representa um investimento financeiro de 11,2 milhões de euros, suportado por parceiros internacionais públicos e privados, que "não tem precedentes na área da investigação do autismo".

O autismo é uma doença do foro neurológico que se caracteriza por dificuldades de interacção social e comunicação, associadas a comportamentos repetitivos e estereotipados, cuja origem é desconhecida na maioria dos casos.

A doença possui diversos graus, que vão desde a deficiência mental severa até formas leves, nas quais os doentes têm capacidades cognitivas normais.

A equipa multidisciplinar portuguesa que integra o Projecto do Genoma do Autismo foi galardoada em 2005 com o Prémio Pfizer de Investigação Clínica por um estudo que identifica a prevalência do autismo em crianças em idade escolar, concluindo que existe uma associação entre o autismo e múltiplos genes.

A investigação premiada concluiu que a prevalência global estimada das Perturbações do Espectro do Autismo (PEA) nas crianças em idade escolar é 0,92 por cada mil crianças em Portugal Continental e de 1,56 por cada mil alunos nos Açores, com predomínio no sexo masculino.

O projecto do Genoma do Autismo é promovido pela organização sem fins-lucrativos Autism Speakers e um consórcio internacional de investigadores, famílias e agências governamentais.

segunda-feira, 22 de março de 2010

NOTÍCIA - DESCOBERTA QUE ABRE CAMINHO PARA TRATAR AUTISMO


Cientistas do Carnegie Mellon conseguiram perceber como cérebro codifica substantivos
2010-03-19

Os neurocientistas Marcel Just e Vladimir Cherkassky e os cientistas informáticos Tom Mitchell e Sandesh Aryal, da Universidade de Carnegie Mellon, parceira de nove instituições do Ensino Superior de Portugal, conseguiram determinar como é que o cérebro organiza representações de substantivos, combinando imagens cerebrais e técnicas de aprendizagem mecânica. O estudo foi publicado na revista científica «PLoS One».

Esta novidade surge como uma espécie de Pedra de Roseta neural, e um importante avanço para o tratamento de doenças do foro psiquiátrico e neurológico, ao permitir compreender como é que o cérebro codifica os substantivos.

“Descobrimos como é que o dicionário cerebral está organizado”, explica Marcel Just, professor de Psicologia e director do Center for Cognitive Brain Imaging. “Não é apenas uma ordem alfabética ou segundo cores e tamanhos. Fá-lo através de três características básicas usadas pelo cérebro para definir substantivos comuns como ‘apartamento’, ‘martelo’ e ‘cenoura’”.

Este estudo permitiu, pela primeira vez, identificar pensamentos estimulados por palavras isoladas com precisão, através de imagens cerebrais, ao contrário de estudos anteriores que recorriam a estímulos visuais ou combinados com palavras. A equipa foi também capaz de prever onde se daria a activação mediante um substantivo apresentado aos participantes. A comparação de imagens sobre os resultados esperados e obtidos mostram que as teorias geram previsões bastante precisas.

Nas doenças psiquiátricas e neurológicas, os significados de certos conceitos estão, por vezes, distorcidos. Estas novas técnicas tornam possível a medição dessas distorções e apontar um caminho para as contrariar. Por exemplo, uma pessoa com agorafobia, medo de espaços abertos, pode ter uma codificação exagerada da dimensão abrigo. Uma pessoa com autismo pode ter uma codificação mais fraca em contacto social.

Três códigos, três fundamentos

Os três códigos ou características relacionam-se com três fundamentos: como é que nos relacionamos fisicamente com o objecto (como o seguramos, por exemplo); como é que está relacionado com o acto de comer; ou com a ideia de abrigo.

Os três factores, cada um codificado entre três a cinco diferentes áreas do cérebro, foram descobertos através de um algoritmo, que procurou pontos comuns entre zonas cerebrais dos participantes que respondiam a 60 substantivos que descrevem objectos físicos. Por exemplo, a palavra “apartamento” provocou alta activação nas cinco áreas que codificam palavras relacionadas com “abrigo”.

A investigação demonstrou também que o significado dos substantivos é codificado de forma similar no cérebro dos vários participantes. “Este resultado demonstra que, quando duas pessoas pensam sobre a palavra ‘martelo’ ou ‘casa’, os padrões de activação cerebral são bastante similares”, confirma Tom Mitchell, responsável pelo Machine Learning Department na School of Computer Science.

Moldar o cérebro
Jaime Cardoso, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, está desde Janeiro neste departamento da Universidade de Carnegie Mellon – no âmbito do programa de intercâmbio de professores –, a colaborar na área de investigação em aprendizagem automática (machine learning), visão computacional e em sistemas de apoio à decisão que beneficiem as duas áreas anteriores.

Trata-se de uma iniciativa que se traduz numa oportunidade única para os académicos e para as instituições, pela imersão cultural dos docentes e pela promoção de mudanças positivas através da adopção das melhores práticas na educação, na investigação e na inovação.

Esta descoberta tem ainda implicações no desenvolvimento e nos testes a nível neural: “Nós ensinamos a mente, mas estamos a moldar o cérebro, e agora podemos testar o cérebro sobre o quão bem aprendeu um conceito”, conclui Marcel Just.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

CONGRESSO - 22/04/2010 - 1º ENCONTRO BRASILEIRO PARA PESQUISA EM AUTISMO



Oi pessoal!!!!


Será em Porto Alegre - RS nos dias 22, 23 e 24 de abril deste ano.


A programação segue abaixo. Pra quem não fala inglês não se preocupe!!! Haverá tradução simultânea!!!

Estarei lá com certeza. E você? Estará?
VAMOS CAMINHAR JUNTOS???

Amanda.

Quinta – 22 de abril

Manhã:

08:20 - Abertura - Coordenação: Rudimar Riesgo (UFRGS)
08:30 - Newra Rotta (UFRGS) - “O desafio do diagnóstico precoce”
09:10 - Carlos Gadia (USA) - “Challenges in psychopharmacotherapy”
09:50 - Discussão
10:10 - Intervalo
10:30 - Cleonice Bosa (UFRGS) - “ProTID: experiência clínica”
11:10 - Carmem Gottfried (UFRGS) - “ProTID: experiência na pesquisa experimental”
11:50 - Discussão
12:10 - Almoço

Tarde:

13:50 - Abertura - Coordenação: Lavínia Faccini (UFRGS)
14:00 - José Salomão Schwartzman (UPM - SP) - “Cérebro, gênero e autismo”
14:40 - Eric Fombonne (Canada) - “Epidemiology of autism”
15:20 - Discussão
15:40 - Intervalo
16:00 - Décio Brunoni (UPM-SP) - “Aspectos genéticos no autismo”
16:40 - Roberto Tuchman (USA) - “Delineating the autism spectrum disorders”
17:20 - Discussão
17:40 - Encerramento

Sexta – 23 de abril

Manhã:

08:20 - Abertura - Coordenação: Cleonice Bosa (UFRGS)
08:30 - Ana Ferraz (MS - Brasil) - “Autismo e o SUS”
09:10 - Martinha Dutra dos Santos (MEC - Brasil) - “Autismo e Educação”
09:50 - Discussão
10:10 - Intervalo
10:30 - Andy Shih (USA) - “The Autism Speaks’s contributions and opportunities”
11:10 - Roberto Tuchman (USA) - “Autism and epilepsy”
11:50 - Discussão
12:10 - Almoço

Tarde:

13:50 - Abertura - Coordenação: Cristiane S. Paula (UPM)
14:00 - Márcia T. Pauluci (AMA) - “A Associação de Amigos do Autista”
14:40 - Marcelo Goldani (UFRGS) - “DOHaD e autismo”
15:20 - Discussão
15:40 - Intervalo
16:00 - Cristiane S. Paula (UPM - SP) - “A produção brasileira em Transtornos do Espectro Autista e os desafios para realização de pesquisas no Brasil”
16:40 - Eric Fombonne (Canadá) - “Clinical challenges in autism”
17:20 - Discussão
17:40 - Encerramento

Sábado – 24 de abril

Manhã:

08:20 - Abertura - Coordenação: Carmem Gottfried (UFRGS)
08:30 - Carolina Lampréia (PUC-RJ) - “Identificação precoce do autismo”
09:10 - César de Moraes (UNICAMP) - “Autismo e comportamentos repetitivos”
09:50 - Discussão
10:10 - Intervalo
10:30 - Marcos Mercadante (UNIFESP) - “Tratamento do autismo no Brasil”
11:10 - Carlos Maragotto (Cuba) - “Tratamento do autismo em Cuba”
11:50 - Discussão
12:10 - Almoço

Tarde:

13:50 - Abertura - Coordenação: Rudimar Riesgo (UFRGS)
14:00 - José Ferreira Belisário Filho (UFMG) - “Inclusão do aluno autista”
14:40 - Carlos Gadia (USA) - “Aprendizagem e autismo”
15:20 - Discussão
15:40 - Intervalo
16:00 - Fernanda Fernandes (USP) - “Caracterização da linguagem no autismo”
16:40 - Marcos Mercadante (UNIFESP) - “Neurobiologia do autismo”
17:20 - Discussão
17:40 - Fundação da Sociedade Brasileira para Pesquisa em Autismo (SBPA)
18:00 - Encerramento do Evento

Evento paralelo: Encontro com a comunidade

Sábado - 24 de abril

Manhã:

08:00 - Rudimar Riesgo (UFRGS) - “Aspectos neurobiológicos do autismo”
09:00 - Carlos Gadia (USA) - “Autismo nos Estados Unidos”
10:00 - Intervalo
10:20 - Cristiane Paula (Mackenzie) - “Epidemiologia e Caracterização Clínica do Autismo ao redor do mundo”
11:20 - Andy Shih (USA) - “Autism Speaks: contribuições e oportunidades”
12:20 - Almoço

Tarde:

13:00 - Carmem Gottfried (UFRGS) - “Pesquisas em laboratório para autismo”
14:00 - Marcos Mercadante (UNIFESP) - “Tratamento do autismo no Brasil”
15:00 - Intervalo
15:20 - Cleonice Bosa (UFRGS) - “Diagnóstico precoce do autismo”
16:20 - Lavínia Faccini - “Aspectos genéticos do autismo”
17:20 - Encerramento do Evento com a Comunidade

Organizadores:

Presidente:


Rudimar Riesgo (UFRGS)

 

Comissão Organizadora:

Carmem Gottfried (UFRGS)


Cleonice Alves Bosa (UFRGS)


Cristiane Silvestre de Paula (Universidade Mackenzie - SP)

Lavínia Schüler-Faccini (UFRGS)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

NOTÍCIA 02/02/2010 - CIENTISTAS TENTAM DESENVOLVER PÍLULA CONTRA O AUTISMO

Amigos, meu dever não é só divulgar informação, mas também pesquisar sobre ela. Notícias são escritas dessa maneira para causar impacto mesmo. MUITAS VEZES SE UTILIZANDO DE INFORMAÇÕES PARCIAIS!

Me comprometo a pesquisar mais e tentar escalarer mais este assunto.

Abraços!!!

-----------------------------------------------------------------------------------
PSIQUIATRIA



CIENTISTAS TENTAM DESENVOLVER PÍLULA CONTRA O AUTISMO


Publicada em 02/02/2010 às 14h53m


http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2010/02/02/cientistas-tentam-desenvolver-pilula-contra-autismo-915763862.asp


Pesquisadores do Instituto da Mente, da Universidade da Califórnia, entre outros cientistas, estão tentando desenvolver uma pílula para aliviar sintomas de uma doença genética chamada síndrome do cromossomo X frágil, a causa herdada mais comum de atraso mental e uma das formas conhecidas de autismo.


Só nos Estados Unidos, estima-se que cem mil americanos sofrem dessa síndrome, e as indústrias farmacêuticas investem na pesquisa do novo medicamento. 

- Estamos entrando numa nova era, a de reverter a deficiência intelectual - afirma o cientista Randi Hagerman, diretor do Instituto da Mente.


"Estamos entrando numa nova era, a de reverter a deficiência intelectual", afirma o cientista Randi Hagerman, diretor do Instituto da Mente.

A síndrome X frágil, mais comum em homens que mulheres, pode causar desde dificuldade de aprendizado a um problema cognitivo mais grave, além de dificuldades emocionais e de comportamento. O defeito genético interrompe uma das bases da aprendizagem: a forma como as células respondem a experiências formando conexões entre elas, as chamadas sinapses.

Nas pessoas com a síndrome, a sinapse não está danificada, mas é muito imatura para funcionar corretamente.


- O processo de aprender nessas pessoas é muito mais difícil, mas não impossível, porque a sinapse não apresenta um defeito importante - disse o pesquisador Stephen Warren, especialista em genética na Universidade de Emory, que descobriu o gene alterado do X frágil
.


Drogas experimentais, chamadas mGluR5 antagonistas, tentam fazer com que o cérebro se ajuste simplesmente bloqueando um receptor que tem papel importante nas sinapses debilitadas. O objetivo é reforçá-las para tornar o aprendizado mais fácil e o comportamento próximo ao normal. Esses estudos são preliminares e foram iniciados em adultos para descobrir possíveis efeitos secundários. Se esse fármacos funcionarem, qualquer ação será maior nos cérebros de crianças.


- Os cientistas estão seguindo de perto essas experiências porque apontam um caminho promissor para resolver também alguns tipos de autismo - disse a doutora Andrea Beckel-Mitchener, do Instituto Nacional de Saúde Mental. - A organização, junto ao grupo Fraxa, que representa pacientes, ajudou a financiar a investigação.

domingo, 24 de janeiro de 2010

INFORMAÇÃO: Centro de Estudos do Genoma Humano - SP

Centro de Estudos do Genoma Humano
Rua do Matão - Travessa 13, nº 106
Telefone: (11) 3091-7966 Ramal 15
Cidade Universitária CEP: 05508-090
São Paulo - SP / Brasil
http://genoma.ib.usp.br/pesquisas/doencas_autismo.php

Autismo
O autismo caracteriza-se por uma tríade de anomalias comportamentais: limitação ou ausência de comunicação verbal, falta de interação social e padrões de comportamento restritos, estereotipados e ritualizados. A manifestação dos sintomas ocorre antes dos três anos de idade e persiste durante a vida adulta. A incidência do autismo é de cinco a cada 1.000 crianças, sendo mais comum no sexo masculino, na razão de quatro homens para cada mulher afetada.
Os sintomas e o grau de comprometimento variam amplamente, por isso é comum referir-se ao autismo como um espectro de transtornos, denominados genericamente de transtornos invasivos do desenvolvimento. Foram estabelecidos critérios de classificação dos transtornos invasivos do desenvolvimento que estão formalizados no Manual de Diagnóstico e Estatístico (DSM-IV) da Associação Americana de Psiquiatria e na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) publicada pela Organização Mundial de Saúde.
A origem do autismo ainda é desconhecida, embora os estudos realizados apontem para um forte componente genético. Não há um padrão de herança característico, o que sugere que o autismo seja condicionado por um mecanismo multifatorial, no qual diferentes combinações de alterações genéticas associadas à presença de fatores ambientais predisponentes podem desencadear o aparecimento do distúrbio.
Quadro clínico
Indivíduos autistas apresentam comprometimento na interação social, que se manifesta pela inabilidade no uso de comportamentos não-verbais tais como o contato visual, a expressão facial, a disposição corporal e os gestos. Esse comprometimento na interação social manifesta-se ainda na incapacidade do autista de desenvolver relacionamentos com seus pares e na sua falta de interesse, participação e reciprocidade social. Há comprometimento na comunicação, que se caracteriza pelo atraso ou ausência total de desenvolvimento da fala. Em pacientes que desenvolvem uma fala adequada, permanece uma inabilidade marcante de iniciar ou manter uma conversa. O indivíduo costuma repetir palavras ou frases (ecolalia), cometer erros de reversão pronominal (troca do “você” pelo “eu”) e usar as palavras de maneira própria (idiossincrática).
Com relação às suas atividades e interesses, os autistas são resistentes às mudanças e costumam manter rotinas e rituais. É comum insistirem em determinados movimentos, como abanar as mãos e rodopiar. Freqüentemente preocupam-se excessivamente com determinados assuntos, tais como horários de determinadas atividades ou compromissos.
Alguns autistas (cerca de 20%) apresentam um desenvolvimento relativamente normal durante os primeiros 12 a 24 meses de vida, depois entram em um período de regressão, caracterizado pela perda significativa de habilidades na linguagem.
O retardo mental está presente em cerca de 75% dos autistas. Esses autistas com retardo mental são propensos a se automutilar, batendo com a cabeça ou mordendo as mãos, por exemplo. As convulsões aparecem em 15 a 30% dos casos, 20 a 50% apresentam alterações no eletroencefalograma. Além disso, em 15 a 37% dos casos de autismo ocorre associação com outras manifestações clínicas, incluindo os 5 a 14% que apresentam alterações cromossômicas ou alguma doença genética conhecida. As doenças genéticas mais comumente associadas ao autismo são a síndrome do cromossomo X-frágil, a esclerose tuberosa, as duplicações parciais do cromossomo 15 e a fenilcetonúria não tratada. Outras associações freqüentes incluem a síndrome de Down, a síndrome de Rett, a síndrome de Smith-Magenis, a deleção de 22q13 e a neurofibromatose.
Genes associados ao autismo
Diversos estudos genéticos têm sido realizados, visando identificar genes que conferem susceptibilidade ao autismo. Esses genes podem estar localizados em regiões afetadas por alterações cromossômicas presentes em pacientes com autismo, ou em segmentos cromossômicos compartilhados pelos indivíduos afetados de uma mesma família. Com base nesses estudos, foram localizados genes de susceptibilidade ao autismo nos segmentos 15q, 7q, 3q25-q27, 13q14, 2q e 17q21. A susceptibilidade ao autismo também parece estar associada a uma variante polimórfica do gene GLO1, que está localizado em 6p21.3. Mutações nos genes NLGN3, NLGN4, e MECP2, localizados no cromossomo X, também conferem susceptibilidade ao autismo.
Aconselhamento genético
Assim como em outras anomalias de etiologia multifatorial, a informação sobre os riscos de recorrência do autismo é baseada em estimativas empíricas, ou seja, pela observação direta da recorrência da anomalia em diversas famílias.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails