terça-feira, 3 de julho de 2012

Surfe é usado como terapia para jovens excepcionais


Surfe vem sendo usado como terapia na Inglaterra (Foto: Discovery Surf School/Divulgação)Surfe vem sendo usado como terapia na Inglaterra
(Foto: Discovery Surf School/Divulgação)
A prática de surfe está sendo promovida na Grã-Bretanha como terapia, em escolas especializadas, para jovens excepcionais.
Um dos alunos da escola Discovery Surf School, em Devon, na costa sul da Inglaterra é Archie Pollock, 13 anos, que tem uma forma severa de autismo.
Ele mal fala ou escreve, não consegue permanecer quieto e se recusou a comer carne, peixe ou verduras durante anos. Archie gosta de aproximar das pessoas e farejá-las e não pode ser deixado sozinho.
Há dois anos, a mãe de Archie, Christianne, ficou sabendo as aulas na Discovery e levou o filho.
Depois de negociar com Archie o uso do macacão para surfar nas águas geladas costa britânica, já que ele não suporta roupas apertadas, o menino começou a ter sessões semanais de surfe.
Segundo Christianne, depois de começar a surfar, Archie ficou mais relaxado e tranquilo na presença de outras pessoas.
"No ano passado ele surfava durante todo o tempo livre que tinha. Ele estava relaxado e nós estávamos relaxados. Foram as primeiras férias (em família) que nós realmente aproveitamos".
A mãe do menino acredita que a exposição ao vento e às ondas ajudou Archie.
"Ele gosta dos elementos. Ele é muito sensorial e eu imagino que o surfe forneça isto [sensações]", disse.
Veteranos
Há vários anos, na Grã-Bretanha, membros das Forças Armadas que sofriam de transtorno de estresse pós-traumático disseram que a prática do surfe aliviava sintomas do transtorno.
Várias escolas de surfe do país agora estão aceitando crianças com autismo, paralisia cerebral e síndrome de Down.
Jovens com síndrome de Down usam o surfe como terapia (Foto: Wave Project/BBC)Jovens com síndrome de Down usam o surfe como
terapia (Foto: Wave Project/BBC)
Mas, para Matthew White, pesquisador do Centro Europeu para o Meio Ambiente e Saúde Humana, na Cornualha, não há provas conclusivas dos benefícios do surfe para estes casos.
"É por estar na água, pela atividade física, é a qualidade dos instrutores, é melhor que qualquer terapia com arte, montaria em cavalos ou ficar em casa assistindo a [seleção de futebol da] Inglaterra vencer a Ucrânia enquanto bebe uma cerveja?" questiona o pesquisador.
"Nós simplesmente não sabemos, pois não foi feito nenhum estudo de controle", acrescentou.
O Centro Europeu para o Meio Ambiente e Saúde Humana trabalhou com a empresa de surfe baseada na Cornualha Global Boarders, que dá aulas para crianças que foram excluídas de escolas.
White conta que estas aulas trouxeram "mudanças positivas" nas atitudes e comportamentos das crianças.
"Temos algumas ideias de por que isto aconteceu, mas não é uma solução rápida e mágica. Vai depender muito do profissionalismo e dedicação dos [professores] que participam do programa e não vai funcionar com todo mundo".
"Como um entusiasta do surfe, porém não muito bom, posso ver onde estão os benefícios, mas... não deveríamos confundir palpites com provas", afirmou.
Competição
Na semana passada mais de 40 competidores participaram em Newquay, na Cornualha, do que pode ter sido o primeiro torneio de surfe para pessoas com problemas de aprendizado.
O organizador do torneio, o Wave Project, fez um programa de seis semanas com verbas do serviço público de saúde britânico, o NHS, em 2010 para analisar o efeito do surfe em pessoas com problemas de saúde mental.
O relatório produzido concluiu que, por 49 libras (quase R$ 158) por pessoa, por aula, o surfe "vai fornecer um retorno social positivo para o investimento", mas afirma também que é preciso fazer mais pesquisas.
Agora o Wave Project tenta conseguir verbas do NHS para que um assistente de pesquisa analise os benefícios no longo prazo.
"É difícil justificar (o pedido) quando as pessoas estão perdendo o emprego, mas se economizar dinheiro no longo prazo reduzindo o custo dos tratamentos de saúde mental, valerá a pena", afirma Joe Taylor, coordenador do Wave Project.
Para Christianne Pollock, mãe de Archie, não há dúvidas de que a proposta é válida.
"Depois de anos de atividades que duravam no máximo alguns minutos, ver Archie encontrar algo que ele faz feliz durante horas ainda me emociona", disse
.

Bispo diz que menino autista receberá eucaristia de padre no RS


20/06/2012 12h51 - Atualizado em 20/06/2012 12h51
Mãe e pai ficaram revoltados com atitude do padre (Foto: Alexandre dos Santos/RBS TV)

Mãe e pai ficaram revoltados com atitude do padre
(Foto: Alexandre dos Santos/RBS TV)
O bispo da diocese de Montenegro, Dom Paulo De Conto, afirmou que o menino autista de 13 anos poderá receber a primeira eucaristia em Bom Princípio, no Rio Grande do Sul. No entanto, disse que se trata de "processo lento" porque a criança não entende o que acontece a sua volta. No último domingo (17), o garoto foi impedido de comungar por decisão do padre da Paróquia Nossa Senhora da Purificação. A situação revoltou a família e gerou polêmica na cidade de 11,8 mil habitantes.
"Todos nós acolhemos com muito carinho e amor as pessoas com deficiência. É um caminho do Evangelho. No caso em questão, a criança não atinava e o padre resolveu adiar a eucaristia. Nunca foi negado esse direito do menino", explica ao G1. "Ele será preparado e receberá a hóstia normalmente. Ainda não há data para isso acontecer, é um processo lento, mas o momento oportuno vai chegar, tenho certeza", afirma.
Ele será preparado e receberá a hóstia normalmente"
Dom Paulo De Conto
Questionado se haverá algum tipo de punição ou se de fato houve falta de bom senso do padre na ocasião, como alega a família do adolescente, o bispo desconversou. "Vou analisar o caso com mais calma para tirar minhas conclusões. Mas não há punição, de forma alguma. Ele não negou o direito da eucaristia, apenas adiou", ressalta. Dom Paulo De Conto pretende reunir a família e o pároco para desfazer a polêmica criada em torno do assunto.
A família está inconformada com a atitude do sacerdote, que afirma não ter sido movido pelo preconceito. De acordo com a mãe, Maria Silvani Maldaner, de 41 anos, o menino já estava na fila que se formava no interior da igreja quando o pároco disse que não iria deixar o garoto participar do ritual. O sacerdote afirma que o adolescente não estava preparado para entender o sentido da comunhão.
"O padre passou reto por mim e disse que meu filho não faria a primeira comunhão. Mas o guri já estava treinado, ele queria muito isso. Tu sabes o que é ter de segurar a mão de uma criança que ia receber Jesus e não vai por causa de um pároco?", lamenta a Silvani. O garoto, batizado pela Igreja Católica, participou das aulas de catequese junto com outras crianças na paróquia. A festa para o menino já estava preparada, e cerca de 90 pessoas haviam sido convidadas.
O padre Pedro José Ritter se defende e diz que a Igreja dispensa necessidade do rito da eucaristia em casos como esse. Ele chegou a ensaiar normalmente com o menino uma semana antes da cerimônia, que teria se negado a receber a hóstia. O sacerdote afirma que o adolescente não estava preparado para entender o sentido da comunhão. "Não posso abrir a boca dele com força e largar um pedacinho da hóstia lá dentro. Tem de ser um ato livre e espontâneo", sustenta.

domingo, 24 de junho de 2012

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