terça-feira, 5 de julho de 2011

Autismo: tratamento criado por pais dá primeiros passos em Portugal

Um tratamento para autismo desenvolvido por pais nos EUA é apontado como tendo resultados surpreendentes e começa agora a ser aplicado em Portugal, mas um especialista na área alerta para o risco de acreditar facilmente em curas milagrosas.
 
O programa Son-Rise é tido como uma abordagem totalmente dinâmica, centrada na criança e encorajando-a a conduzir os pais ao interior de si, explicou à agência Lusa Susana Silva, presidente da Associação Vencer Autismo (AVA), a única organização portuguesa que começa a utilizar o programa.
 
A AVA conta com cinco elementos que receberam formação nos EUA, onde o programa já é aplicado há várias décadas, para ensinar outros pais e voluntários a trabalhar com crianças com espectro de autismo.
 
“Os resultados foram automaticamente surpreendentes”, afirma Susana Silva, que conta o caso da sua própria filha, uma criança autista actualmente com 11 anos.
 
A menina tinha dificuldade na interacção social e “começou logo a ter uma “evolução brutal”.
 
Não percebia a lógica da conversação telefónica e não conseguia dizer mais do que sim e não, não tinha amigos na escola e não fixava as pessoas. Hoje mantém conversas contextualizadas ao telefone, já tem amigos e olha as pessoas nos olhos, diz.
 
A presidente da AVA reconhece que não há qualquer prova científica que valide este programa, até porque é desenvolvido dentro de casa, por pais e voluntários.
 
O treino é intensivo, duas horas diárias, em que os maneirismos (movimentos repetitivos) da criança são imitados pelo adulto, que desta forma mostra interesse e tenta entrar através dessa porta para o interior da criança, explica Susana Silva.
 
No entanto, o neuro-pediatra Nuno Lobo Antunes, presidente do CADIN (Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil) que há anos trabalha com crianças com autismo e outras perturbações do desenvolvimento, mostra-se um pouco céptico e alerta para a facilidade com que o desespero dos pais os pode levar a acreditar quase “religiosamente” em curas milagrosas que não existem.
 
“Deixa-me perplexo e um pouco angustiado a ideia de que pessoas possam tomar como curas milagrosas o que assim não é”, diz o médico, acrescentando que “do ponto de vista científico não há evidência de que um método é melhor do que outro, há, sim, propaganda de métodos que na prática não se comprovam”.
 
Salientando que o autismo é uma perturbação que muitas vezes evolui de forma quase espontânea, o especialista admite que muitas vezes perante exemplos de sucesso os médicos ficam com a dúvida sobre como correria se fosse usado o método A em vez do método B.
 
Certo é que a intervenção precoce, dirigida, com estimulação é benéfica e tem melhores resultados do que deixar a criança entregue à sua evolução natural, por isso considera que este método (Son-Rise) não é muito diferente de outros.
 
Na opinião de Nuno Lobo Antunes, “não faz sentido” o uso de um modelo que serve a todos, mas dependendo do perfil de cada criança e da profundidade da sua doença, usar vários métodos, retirando o melhor de cada um, adaptando-o a cada criança e às suas características especificas.
 
O neuro-pediatra sublinha que nem se pode falar em taxas de sucesso porque os casos são variáveis e muitas vezes evoluem de forma positiva (a incidência de dois por cento em rapazes na infância não se verifica na fase adulta), atingindo o sucesso social e profissional.

Uso de antidepressivos na gravidez aumenta risco de criança ter autismo


05/07/2011 - 14:58


A exposição a certos antidepressivos durante ou até um ano antes da gravidez pode aumentar o risco de a criança ter autismo, segundo um estudo realizado por cientistas do Kaiser Permanente Medical Center, na Califórnia, EUA, avança o site noticioso R7.
 
Para avaliar se a exposição pré-natal aos antidepressivos, incluindo inibidores selectivos da recaptação da serotonina, está associada com um aumento do risco de autismo, a investigadora Lisa Croen e colegas examinaram os registos médicos de crianças incluídas no Estudo Perinatal de Autismo Infantil realizado pela Kaiser Permanente Medical Care Program, no norte da Califórnia.
 
A pesquisa foi realizada com 298 crianças com autismo e suas mães, junto a 1.507 crianças saudáveis e suas respectivas gestantes.
 
Segundo os investigadores, a prevalência de transtornos relacionados ao autismo tem aumentado nos últimos anos, assim como o uso de medicamentos antidepressivos durante a gravidez, provocando uma preocupação de que a exposição pré-natal possa contribuir para o aumento do risco de autismo.
 
Vinte mães de crianças no grupo de casos de autismo (6,7%) e 50 mães de crianças do grupo de controlo (3,3%) apresentaram pelo menos uma prescrição para um antidepressivo no ano anterior ao nascimento da criança.
 
Das 20 mães a quem foram prescritos antidepressivos, 13 (65%) receberam apenas inibidores selectivos de recaptação de serotonina, duas (10%) um inibidor de serotonina em associação com outro antidepressivo, e cinco (25%) receberam um ou mais antidepressivos.
 
Das 50 mães de controlo que receberam um antidepressivo, para 25 (50%) foram prescritos apenas os inibidores de serotonina, para nove (18%) um inibidor em associação com outro antidepressivo e para 16 (32%) um ou mais remédios para a depressão que não eram inibidores.
 
Após a análise dos casos, o estudo constatou que as mães de crianças com autismo tinham duas vezes mais probabilidade de ter pelo menos uma prescrição de antidepressivo no ano anterior ao parto.
 
Quando comparado com mulheres sem prescrição de antidepressivos durante o período do estudo, aquelas com uma receita de um inibidor de recaptação de serotonina tinham mais que o dobro de risco de ter um filho mais tarde diagnosticado com autismo.
 
Embora o número de crianças autistas expostas aos inibidores selectivos da recaptação da serotonina no pré-natal nesta população tenha sido baixa, os resultados sugerem que a exposição, especialmente durante o primeiro trimestre, pode aumentar modestamente o risco de autismo. Mas os investigadores ressaltam que os resultados ainda são preliminares.

Justiça analisa pedido de habeas corpus em favor da falsa psicóloga

falsa psicóloga - Beatriz - 2011
Beatriz, de 32 anos, foi presa em flagrante no dia 27 de abril


A 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio julga nesta terça-feira (5), às 14h30, o pedido de habeas corpus (pedido de liberdade) em favor da falsa psicóloga Beatriz da Silva Cunha. Ela foi presa em flagrante no dia 27 de abril, durante uma consulta em sua clínica de tratamento especializado em autismo, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.
O TJ informou que três desembargadores vão decidir o mérito do pedido de habeas corpus. O objetivo do colegiado é julgar se a primeira decisão de manter a falsa psicóloga presa continuará valendo ou não.
O julgamento tinha sido suspenso na terça-feira (28) por causa de um pedido de vista da desembargadora Maria Angélica Guimarães Guerra Guedes. Isso significou que a magistrada necessitou de mais informações ou esclarecimentos para decidir seu voto.
Durante a sessão, a relatora do habeas corpus, desembargadora Elizabeth Gomes Gregory, chegou a proferir seu voto no sentido de negar o pedido.
No dia 10 de junho, a desembargadora Elizabeth Gregory já havia negado a concessão da liminar em favor da falsa psicóloga. 
Entenda o caso
Beatriz, de 32 anos, foi presa em flagrante no dia 27 de abril, depois que um pai de um paciente descobriu que ela usava o CRP (número no Conselho Regional de Psicologia) de uma profissional que atua na Bahia. Ela foi solta depois de três dias. Segundo a Polícia Civil, a falsa psicóloga atuava há 12 anos como uma das principais especialistas da síndrome no país.
Ainda de acordo com a polícia, Beatriz cobrava R$ 800 pela primeira consulta e depois R$ 90 por cada hora de atendimento.
A falsária disse à polícia que só cursou dois períodos da faculdade de psicologia. A fraude foi descoberta pelos pais de um paciente, que desconfiaram de Beatriz quando pediram a ela recibos para declarar as despesas no Imposto de Renda.
Ela responderá pelos crimes de estelionato, propaganda enganosa, exercício ilegal da profissão, falsidade documental e tortura. Por causa da denúncia de maus-tratos, a prisão temporária de Beatriz foi decretada no dia 7 de maio.
O marido da falsária, Nelson Antunes de Faria Junior, foi indiciado por coautoria, já que, segundo a polícia, sabia dos crimes praticados pela mulher.
André Muzell / R7

Games também podem ser terapêuticos, aponta pesquisa

Estudo feito no Reino Unido revelou que portadores de deficiências como síndrome de Down e autismo conseguiram melhorar concentração em até 143%.

Por GamePro/EUA

Publicada em 05 de julho de 2011 às 14h50

 A pesquisadora e PhD Rachael Folds, da Escola Trent de Educação da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, tem-se dedicado ao estudo do uso interativo mimético digital de games (movimentos físicos focados em jogos para Wii e Kinect) e como eles podem ajudar a melhorar habilidades assim como aumentar a motivação de aprender.

A pesquisa contou com a participação de estudantes do Loughborough College, também do Reino Unido, que estavam prestes a ser submetidos a um programa de treinamento especializado, como parte da transição de escolas especiais - onde eles teriam um pequeno grupo ou apoio um a um devido a dificuldades de aprendizagem - para cursos educativos mais aprofundados voltados a jovens com 16 anos ou mais. Os participantes do estudo tinham entre 16 e 24 anos e tinham deficiências que variavam de síndrome de Down às diversas formas de autismo.
Para medir o progresso dos estudantes. Folds pediu que eles tentassem acertar dez bolas de tênis com a palma da mão virada para frente, dez com a palma da mão virada para trás e dez saques. Eles então treinaram usando o jogo de tênis do Nintendo Wii por cinco semanas. Ao final do período, Folds descobriu que 75% de um total de 24 estudantes aumentaram a pontuação no videogame e no mundo real, as habilidades médias dos participantes melhoraram 53%.
A segunda fase do estudo ocorreu de forma similar, usando um jogo de boliche de dez pinos. Dezoito estudantes participaram desta etapa, que durante as cinco semanas de treinamento usaram o game de boliche do Kinect em vez do Wii. Nos resultados do videogame, os estudantes melhoraram 94%, enquanto que na vida real as habilidades aumentaram 143%.
Aprender melhor
Após os testes, 92% dos estudantes afirmaram que gostariam de continuar usando os games para conseguir cursar uma universidade no futuro. A mesma proporção acredita que os jogos, como os que jogaram, os ajudaram a aprender melhor do que com métodos tradicionais. Entre os participantes, 93% disseram que os games efetivamente capturaram seu interesse; 87% declararam ter aprendido coisas que não esperavam; e todos os envolvidos no programa concordaram que estavam mais confiantes de que passariam em um teste baseado no que aprenderam.
“O resultado inicial deste pequeno grupo de pessoas sugere que jogos interativos ensinam aos estudantes movimentos que podem ser melhorados e imitados na vida cotidiana. Embora eles estivessem jogando tênis e boliche no teste, os jogos que ensinam a fazer coisas, como preparar um bolo ou trocar um pneu, podem ser potencialmente benéficos”, concluiu Folds.
Anita Smith, do Loughborough College, acrescentou que “nossos estudantes geralmente têm dificuldades de prestar atenção. Este projeto permitiu que eles melhorassem a motivação e concentração em aprender. Estamos ansiosos para expandir a pesquisa em colaboração com Rachael, envolvendo ativamente mais estudantes em 2011 e 2012, assim como desenvolver as habilidades dos participantes usando jogos digitais baseados em aprendizagem no futuro".
(Pete Davison)

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