segunda-feira, 15 de março de 2010

NÃO CHOREM POR NÓS - JIM SINCLAIR

NÃO CHOREM POR NÓS

Por Jim Sinclair, um "Autista Asperger"

Jim Sinclair*


Este artigo foi publicado na revista da Rede Internacional de Autismo (Autism Network Internetional), Nossa Voz, volume 1, No 3, 1993. É uma mostra do discurso de Jim, que é um autista asperger, na Conferência Internacional de Autismo em Toronto e foi dirigido principalmente aos pais.
Os pais geralmente contam que reconhecer que seu filho é autista foi a coisa mais traumática que já lhes aconteceu. As pessoas não autistas vêem o Autismo como uma grande tragédia, e os pais experimentam um contínuo desapontamento e luto em todos os estágios do ciclo de vida da família e da criança.
Mas este pesar não diz respeito diretamente ao autismo da criança. É um luto pela perda da criança normal que os pais esperavam e desejavam ter, as expectativas e atitudes dos pais e as discrepâncias entre o que os pais esperam das crianças numa idade particular e o desenvolvimento atual de seu próprio filho causam mais estresse e angústia que as complexidades práticas da convivência com uma pessoa autista.
Uma certa quantidade de dor é normal, até os pais se ajustarem ao fato de que o resultado e o relacionamento que eles estavam esperando não vai se materializar. Mas esta dor pela criança normal fantasiada precisa ser separada da percepção da criança que eles realmente têm: a criança autista que precisa de adultos cuidadosos, pode obter um relacionamento muito significativo com essas pessoas que cuidam dela, se lhes for dada a oportunidade. Atentar continuamente para o autismo da criança como a origem da dor é prejudicial tanto para os pais como para a criança e impede o desenvolvimento de uma aceitação e de um relacionamento autêntico entre eles. Em consideração a eles próprios ou à suas crianças, eu conclamo os pais a fazerem mudanças radicais nas suas opiniões sobre o que o autismo significa.
Eu convido vocês a olharem para o nosso Autista e olharem para o seu luto sob a nossa perspectiva.

O autismo não é um apêndice
O autismo não é algo que uma pessoa tenha, ou uma concha na qual ela esteja presa. Não há nenhuma criança normal escondida por trás do autismo. O autismo é um jeito de ser, é pervasivo, colore toda experiência, toda sensação, percepção, pensamento, emoção e encontro, todos os aspectos da existência. Não é possível separar o autismo da pessoa. E se o fosse, a pessoa que você deixaria não seria a mesma com a qual você começou.
Isto é importante, então tire um momento para considerar que o autismo é um jeito de ser. Não é possível separar a pessoa do autismo.
Por conseguinte, quando os pais dizem:
"Gostaria que meu filho não tivesse Autismo"
O que eles realmente estão dizendo é:
"Gostaria que meu filho autista não existisse, e eu tivesse uma criança diferente em seu lugar"
Leia isto novamente. Isto é o que ouvimos quando vocês lamentam por nossa existência. É o que percebemos quando vocês nos falam de suas mais tenras esperanças e sonhos para nós: que seu maior desejo é que, um dia, nós deixemos de ser, e que surjam os estranhos que vocês possam amar surjam de dentro de nós.

Autismo não é uma parede impenetrável
Você tenta falar com seu filho autista e ele não responde. Ele não te vê. Você não consegue alcançá-lo. Não há adentramento. É a coisa mais difícil de lidar, não é? A única coisa é que isso não é verdade.
Veja novamente: você tenta falar como pai de uma criança, usando seu próprio entendimento de uma criança normal, seus próprios sentimentos sobre relacionamentos. E a criança não responde de forma que você possa reconhecer como sendo parte desse sistema.
Isso não significa que a criança esteja totalmente incapacitada para se relacionar. Só significa que você está assumindo um sistema compartilhado, um entendimento compartilhado de sinais e significações do qual a criança em questão não participa.
É como se você tentasse ter uma conversa íntima com uma pessoa que não tem compreensão de sua linguagem. É óbvio que a pessoa cuja linguagem não vai entender o que você está falando; não vai responder da forma que você espera; e pode mesmo achar confusa e desprazeirosa toda a interação.
Dá mais trabalho se comunicar com uma pessoa cuja linguagem não é a nossa. E o autismo vai mais fundo do que a linguagem e a cultura. Os autistas são estrangeiros em quaisquer sociedades. Você vai ter que abrir mão de toda a sua apropriação de significados compartilhados. Você vai ter que aprender a voltar a níveis mais básicos, sobre os quais provavelmente você nunca tenha pensado, vai ter que abandonar a certeza de estar em seu próprio território familiar de conhecimento, do qual você está a serviço e deixar seu filho lhe ensinar um pouco de sua linguagem, guiá-lo um pouco para dentro de seu mundo .
Mesmo que você tenha sucesso, ainda não será um relacionamento normal entre pai e filho. Sua criança autista pode aprender a falar, pode ir para séries regulares na escola, pode ir à universidade, dirigir um carro, viver independentemente, ter uma carreira - mas nunca vai conversar com você como outras crianças conversam com seus pais. Ou, sua criança autista pode nunca falar, pode passar de uma sala de educação para programas de oficina protegida, ou residências especiais, podem precisar por toda a vida de cuidado e supervisão de tempo integral - mas essa tarefa não está completamente fora do seu alcance. As formas que relatamos aqui são diferentes. Levam para coisas que suas expectativas dizem que são normais, e você vai encontrar frustração, desapontamento, ressentimento, talvez até raiva e ódio. Aproxime-se respeitavelmente, sem preconceitos e com abertura para aprender novas coisas, e você vais encontrar um mundo que nunca poderia ter imaginado .
Sim, isto dá mais trabalho que falar com uma pessoa não autista. Mas pode ser feito - a não ser que as pessoas não autistas estejam muito mais limitadas que nós em sua capacidade de se relacionar. Levamos a vida inteira fazendo isso. Cada um de nós que aprende a falar com vocês, cada um de nós que funciona bem na sua sociedade, cada um de nós que consegue alcançar e fazer um contato com vocês está operando em um território estranho, fazendo contato com seres alienígenas. Passamos a nossa vida inteira fazendo isso. E então, vocês vêm nos dizer que não podemos falar.

Autismo não é morte
Certo, o autismo não é o que muitos pais esperam e se preparam quando antecipam a chegada de uma criança. O que esperam é que uma criança vai parecer com eles, vai pertencer ao seu mundo e falar com eles sem um treinamento intensivo para um contato alienígena. Até se a criança tem alguns distúrbios diferentes do autismo, os pais esperam estarem aptos a falarem com ela de modo que pareça normal para eles, e na maioria dos casos, mesmo considerando a variedade de distúrbios, é possível formar um tipo de laço que os pais têm estado almejando.
O que acontece é que se esperava uma coisa que era extremamente importante e desejada com grande contentamento e excitação, e talvez, gradualmente, talvez abruptamente, teve-se de reconhecer que a coisa almejada não aconteceu. Nem vai acontecer. Não importa quantas crianças normais você tenha, nada vai mudar o fato de que agora, a criança que você esperava, desejada, planejada e sonhada não chegou.
É parecido com a experiência parental de ter, por pouco tempo, uma criança recém-nascida e esta morrer logo na infância. Não se trata de autismo, mas de expectativas cortadas. Sugiro que o melhor lugar para direcionar estes assuntos não seja as organizações voltadas para o autismo, mas no aconselhamento das aflições parentais e grupos de apoio. Nesses espaços eles aprendem a dar termo à sua perda - não esquecê-la, mas deixá-la no passado onde o luto não bate mais no seu rosto a todo momento da vida. Aprendem a aceitar que sua criança se foi para sempre e que não voltará mais. O mais importante é que aprendam a não trazer seu luto para as crianças que vivem. Isto é de importância fundamental quando estas crianças chegam ao mesmo tempo que a outra está sendo lamentada pela sua morte.
Não se perde uma criança para o autismo. Perde-se uma criança porque a que se esperou nunca chegou a existir. Isso não é culpa da criança autista que, realmente, existe e não deve ser o nosso fardo. Nós precisamos e merecemos famílias que possam nos ver e valorizar por nós mesmos, e não famílias que têm uma visão obscurecida sobre nós por fantasmas de uma criança que nunca viveu. Chore por seus próprios sonhos perdidos se você precisa. Mas não chore por nós. Estamos vivos. Somos reais. Estamos aqui esperando por você.
É o que acho sobre como as sociedades sobre autismo devem ser: sem lamentações sobre o que nunca houve, mas deve haver explorações sobre o que é. Precisamos de você. Precisamos de sua ajuda e entendimento. Seu mundo não está muito aberto para nós e não conseguiremos se não tivermos um forte apoio. Sim, o que vem com o autismo é uma tragédia: não pelo que somos, mas pelas coisas que acontecem conosco. Fique triste com isso se quiser ficar triste com alguma coisa! Melhor que ficar triste com isso é ficar louco com isso - e então faça alguma coisa. A tragédia não é porque estamos aqui, mas porque o seu mundo não tem lugar para com que nós existamos. Como pode ser de outra forma se nossos próprios pais ainda se lamentam por nos terem trazido para este mundo?
Olhe, alguma vez, para o seu filho autista e tire um momento para dizer para si mesmo quem aquela criança não é. Pense: "Essa não é a criança que esperei e planejei. Não é aquela criança que esperei por todos aqueles anos de pregnância e todas aquelas horas de sofrimentos. Não é aquela que fiz todos aqueles planos e dividi todas aquelas experiências. Aquela criança nunca veio. Não é esta criança". Então vá fazer do seu luto não importa o que - e comece a aprender a deixar as coisas acontecerem.
Depois que você começar a deixar as coisas acontecerem, volte e olhe para o seu filho autista novamente: "Esta criança não é a que eu esperava e planejava. É uma criança alienígena que caiu em minha vida por acidente. Não sei o que é essa criança ou o que vai ser. Mas sei que é uma criança naufragada num mundo estranho, sem pais com formas próprias de cuidado. Precisa de alguém com cuidados para isso, para ensinar, para interpretar e para defender. E devido a essa criança alienígena cair na minha vida, esse trabalho é meu, se eu quiser" .
Se esta busca te excita, então nos acompanhe, na resistência e na determinação, na esperança e na alegria. A aventura de uma vida está toda diante de você.

NOTÍCIA - 13-03-10 - CORTE DOS EUA REJEITA LIGAÇÃO ENTRE VACINA E AUTISMO

CORTE DOS EUA REJEITA LIGAÇÃO ENTRE VACINA E AUTISMO

  WASHINGTON (Reuters) - Vacinas que contêm um preservativo à base de mercúrio chamado thimerosal não podem causar autismo por si mesmas, determinou na sexta-feira uma corte especial dos Estados Unidos, em uma decisão que representou novo revés para pais que buscam atribuir a vacinas a culpa pela doença de seus filhos.
A Corte Federal Especial de Queixas estabeleceu que as vacinas não poderiam ter causado o autismo do menino William Mead, do estado do Oregon, encerrando assim o pedido de reembolso por parte de sua família.
"Os Meads acreditam que as vacinas com thimerosal causaram o autismo regressivo de William. Como explicado abaixo, concluiu-se que os Meads não apresentaram uma teoria sólida cientificamente", escreveu em seu parecer o perito especial George Hastings, que já atuou como especialista em restituição de impostos no Departamento de Justiça norte-americano.
Em fevereiro de 2009, o tribunal proferiu sentença contrária a três famílias que atribuíam a vacinas a causa do autismo de seus filhos, alegando terem sido "enganadas por médicos que são culpados, no meu ponto de vista, de erro grosseiro na avaliação médica".
As famílias pediam pagamento por meio do Programa Nacional de Compensação por Danos de Vacinas, um sistema que não requer verificação de culpa e conta com um fundo de 2,5 bilhões de dólares, originário de um imposto de 75 centavos de dólar sobre cada dose de vacina.
Em vez de juízes, três "peritos especiais" acompanharam os três casos-testes que representavam milhares de outras pessoas com a mesma causa.
As famílias perguntavam se a combinação de vacinas para sarampo, caxumba e rubeola (a Tríplice Viral ou SRC) e um preservativo que contém mercúrio, chamado thimerosal, havia provocado os sintomas nas crianças.
Mais de 5.300 ações foram apresentadas por pais que acreditam ter sido a vacinação a causa do autismo em seus filhos. O sistema do programa de compensação foi criado para proteger fabricantes de vacinas de processos que tornaram o negócio das vacinas inviável para muitas empresas.
O autismo é uma condição misteriosa que afeta 1 em cada 110 crianças nos EUA. As consequências variam de uma moderada síndrome de Asperger até retardo mental severo e incapacidade de convívio social. Não há cura ou tratamento.

AGRADECIMENTO! 1000 VISTAS NO BLOG!

1000 VISTAS NO BLOG!

Muito obrigada amigos! Em apenas 2 meses recebi 1000 visitas no blog e 40 seguidores!

Os números abaixo não significam mais do que os emails que recebo, pedidos, elogios, carinho, muito carinho!

Continuaremos a caminhar juntos!!!

Abaixo segue uma música que costumo ouvir quando estou escrevendo aqui. É uma das músicas preferidas de dois meninos autistas que são muito importantes pra mim. Me ensinaram que os dias devem ser vividos um de cada vez. Intensamente. Me ensinaram que todos somos borboletas. Aliás FELIZ ANIVERSÁRIO!!!
4 ANINHOS!!!!! DESEJO O MUNDO INTEIRO PRA VOCÊS!


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domingo, 14 de março de 2010

NOTÍCIA 13-03-10 - AUTISTAS INSPIRAM LUTA CONTRA A DISCRIMINAÇÃO

AUTISTAS INSPIRAM LUTA CONTRA A DISCRIMINAÇÃO
SELINHO É O JEITO DE HALLANA SE COMUNICAR COM A MÃE

Jovem autista não desenvolveu capacidade de interagir através da fala
por Cristina Camargo




Aos 19 anos, Hallana Kiara não desenvolveu a capacidade de se comunicar por fala. De vez em quando solta palavras, mas nunca formou frases. Encontrou outras formas de interagir com a mãe, a cabeleireira e manicure Luzia Aparecida da Rocha Silveira.


Todo dia, Hallana acorda Luzia com um selinho na boca. Depois puxa a mão, para que ela levante.


Com o pai, o vigilante Carlos Pereira da Silveira, o recado também é claro.

A jovem aprendeu que toda vez que saem para passear de carro é preciso desligar a TV. Então, quando quer dar uma volta, aperta sozinha o botão do aparelho.


A dificuldade de comunicação é uma das características do autismo (disfunção global do desenvolvimento), mas Hallana evolui dia a dia. Ela frequenta diariamente a Apae, que adora e onde é estimulada a interagir com o mundo. E conta com algo precioso: o carinho e a atenção dos pais e da avó.

Mas também dá beliscões, principalmente quando é contrariada. E leva bronca, como qualquer criança. Também como menina, soltou uma palavra ao se ver vestida de bailarina. Olhou para o espelho e disse: bonita!


Preconceito faz parte da rotina


O autismo ainda é um mistério para muita gente, o que gera preconceito. São comuns os olhares assustados, às vezes um ar de desprezo. Aconteceu num dia em que Hallana caminhava com a mãe. Luzia garante que ela percebeu a forma hostil como foi encarada por uma senhora. Deu uma volta e, ao reencontrá-la, beliscou o braço da mulher.

Três aspectos caracterizam um portador de autismo: a falta de consciência sobre a presença do outro como pessoa, a dificuldade de comunicação e um padrão de comportamento restrito e repetitivo. Hallana parecia um bebê normal, até que aos sete meses teve uma longa crise de choro. Não conseguiu sentar e começou a andar com um ano, na ponta dos pés. Apesar da maratona de exames, apenas aos nove meses o autismo foi diagnosticado. Os pais viveram a fase de negação, depois aceitaram e procuraram melhorar a qualidade de vida.

Nem todas crianças autistas tem essa sorte. E é por isso que é estruturada na cidade a Associação dos Autistas, que já foi formada e começa a fazer reivindicações. A ideia é proporcionar o ensino especializado e as estimulações necessárias para quem não é atendido por nenhuma entidade.

A iniciativa tem o apoio declarado do vereador Amarildo de Oliveira (PPS), que cita como modelo uma escola de Jaú.

‘Nem tudo é como a gente quer’, diz mãe de autista


Com o tempo, Luzia Aparecida da Rocha Silveira aprendeu a lidar com o preconceito que atinge os autistas. Mas já doeu muito. Ela se revoltava ao encontrar olhares amedrontados.

Dia desses, mais uma provação na trajetória da família. Pai e filha foram barrados na entrada de um supermercado. Hallana estava descalça e foi impedida de entrar pelo segurança. “Se eu estivesse lá, chamaria a polícia e a imprensa”, afirma Luzia.

Para ela, a sociedade precisa se preparar melhor para lidar com as diferenças.

O site da AMA (Associação de Amigos do Autista) tem orientações para familiares, profissionais e leigos. A manicure aprendeu a enfrentar a discriminação e também a estar sempre atenta à filha, que se comporta feito criança pequena.

Quando era menor, subiu no guarda-roupa e entrou na geladeira, com direito aos dois pés numa panela de feijão. Recentemente, esperou a mãe dormir e foi para a área de serviço, onde produziu uma “piscina” de espuma com produtos de limpeza.


Hallana adora sorvete e chocolate, é fã da série “Xuxa Só Para Baixinhos” e gosta de som eletrônico. Se acostumou a dormir com a avó. À noite, passa a mão nos braços dela para ter certeza que está acompanhada. “Ela é muito amada”, diz a mãe.
 Perguntas ainda ficam sem respostas
Segundo a Ama (Associação de Amigos do Autista), o autismo é um distúrbio do desenvolvimento humano estudado pela ciência há seis décadas. Mas, na própria ciência, existem divergências e questões que ainda não foram respondidas.


Tema de filmes, entre eles o famoso “Meu filho, minha vida”, o autismo ainda é surpreendente, principalmente por causa da diversidade de suas características.


Outro fator que chama a atenção é a aparência das crianças autistas, que é totalmente normal em grande parte dos casos.


Segundo a AMA, é comum pais contarem que a criança autista passou por um período de normalidade antes de manifestar os sintomas do autismo.

Ao crescer, os autistas desenvolvem habilidades sociais em diferentes graus.

Turma da Mônica


Conhecido por introduzir em suas histórias personagens especiais, que ajudam as crianças a entender as diferenças, Maurício de Souza criou André, que explica o que é autismo e como lidar com a questão. Filmes com André estão disponíveis no site da AMA - www.ama.org.br

Sábado, 13 de março de 2010 - 23:33

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