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segunda-feira, 26 de março de 2012

Mapeamento genético rápido chega a consultórios até 2015



A gerente Grazielle Bellis, o marido e os filhos Rodrigo e Rafael 
Imagine chegar a um consultório médico e, em 15 minutos, ter em mãos o seu genoma mapeado. Mais ainda: saber a quais doenças está predisposto. A cena, segundo Salmo Raskin, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Genética, está bem perto de se tornar realidade. 

No mês passado, cientistas da Universidade de Harvard (EUA) anunciaram uma nova tecnologia que permite mapear o genoma humano em apenas 15 minutos e por US$ 1.000. A tecnologia deve chegar ao Brasil em, no máximo, três anos, diz Raskin. Segundo ele, a tendência é que a tecnologia fique cada vez mais barata e precisa. 

Há cerca de dez anos, o teste genético para doenças específicas parecia ficção. Hoje, é praticamente um procedimento padrão na medicina. Nos EUA, já existem empresas que oferecem o mapeamento genético completo por cerca de US$ 10 mil. Mas os resultados ainda são imprecisos, e o diagnóstico, demorado, explica Thiago Pitangui, diretor geral do laboratório Genetika, de Belo Horizonte.

Segundo o geneticista Sergio Danilo Pena, professor da UFMG, o Laboratório de Genômica Clínica na Faculdade de Medicina da UFMG, na capital mineira, já faz análises de genomas humanos completos no nível de pesquisa.

Em 2000 - quando o sequenciamento do genoma humano foi concluído após dez anos, e a um custo de US$ 3 bilhões -, a artista plástica Rossana Jardim, 53, teve que ir ao laboratório acadêmico mais especializado do país, em São Paulo, para saber se era portadora do gene da distrofia muscular. Seu irmão havia morrido com a doença, e ela temia que seu futuro bebê tivesse o gene. "Naquela época, precisamos participar de um projeto de pesquisa", lembra.

A gerente financeira Grazielle Bellis, 34, sofreu durante os três primeiros anos de vida do filho Rodrigo, 7, que tinha sérios problemas alimentares e vivia doente. Grazielle visitou dezenas de especialistas e fez centenas de exames, até que um médico recomendou o teste genético. O DNA de Rodrigo indicou a presença de um gene associado à intolerância à frutose. Hoje, ele é um garoto saudável. "A única restrição é a ingestão de frutas e doces", comemora Grazielle. "Se não fosse diagnosticado, o garoto poderia ter falência renal ou hepática", diz Pitangui.

Cerca de 2.000 doenças já são identificadas por testes genéticos - como hemofilia e distrofia muscular -, mas muitas ainda não têm sequer prevenção. Por isso, o estudante de economia André Medina, 24, não quer saber se herdou o gene de uma doença degenerativa que acometeu seu pai. "Prefiro não saber o meu futuro". 

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cientistas brasileiros consertam 'neurônio autista' em laboratório


Ainda falta muito para recuperar cérebro inteiro, diz pesquisador.

Estudo mostra base biológica de doença altamente estigmatizada.

Do G1, em São Paulo

O biólogo molecular e colunista do G1 Alysson Muotri e cientistas brasileiros conseguiram transformar neurônios de portadores de um tipo de autismo conhecido como Síndrome de Rett em células saudáveis. Trabalhando nos Estados Unidos, os pesquisadores mostraram, pela primeira vez, que é possível reverter os efeitos da doença no nível neuronal, porém os remédios testados no experimento, realizado em laborátorio, ainda não podem ser usados em pessoas com segurança.
Muotri, pós-doutor em neurociência e células-tronco no Instituto Salk de Pesquisas Biológicas (EUA) e professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego, trabalhou com os também brasileiros Cassiano Carromeu e Carol Marchetto. O estudo sai na edição de sexta-feira (12) da revista científica internacional “Cell”.
Assista ao vídeo ao lado com explicações do próprio cientista.
Para analisar diferenças entre os neurônios, a equipe fez uma biópsia de pele de pacientes autistas e de pessoas sem a condição. Depois, reprogramou as células da pele em células de pluripotência induzida (iPS) – idênticas às células-tronco embrionárias, mas não extraídas de embriões. “Pluripotência” é a capacidade de toda célula-tronco de se especializar, ou diferenciar, em qualquer célula do corpo.
A reprogramação genética de células adultas é feita por meio da introdução de genes. Eles funcionam como um software que reformata as células, deixando-as como se fossem de um embrião. Assim, as iPS também podem dar origem a células de todos os tipos, o que inclui neurônios.
Como os genomas dessas iPS vieram tanto de portadores de autismo como de não portadores, no final o trio de cientistas obteve neurônios autistas e neurônios saudáveis.
Comparação, conserto e limitações

Comparando os dois tipos, o grupo verificou que o núcleo dos neurônios autistas e o número de “espinhas”, as ramificações que atuam nas sinapses – contato entre neurônios, onde ocorre a transmissão de impulsos nervosos de uma célula para outra – é menor.

Identificados os defeitos, o trio experimentou duas drogas para “consertar” os neurônios autistas: fator de crescimento insulínico tipo 1 (IGF-1, na sigla em inglês) e gentamicina. Tanto com uma substância quanto com a outra, os neurônios autistas passaram a se comportar como se fossem normais.
“É possível reverter neurônios autistas para um estado normal, ou seja, o estado autista não é permanente”, diz Muotri, que escreve no blog Espiral. “Isso é fantástico, traz a esperança de que a cura é possível. Além disso, ao usamos neurônios semelhantes aos embrionários, mostramos que dá para fazer isso antes de os sintomas aparecerem.”
Os resultados promissores, porém, configuram o que é chamado no meio científico de “prova de princípio”. “Mostramos que a síndrome pode ser revertida. Mas reverter um cérebro inteiro, já formado, vai com certeza ser bem mais complexo do que fazer isso com neurônios numa placa de petri [recipiente usado em laboratório para o cultivo de micro-organismos]”, explica o pesquisador.
Entre as barreiras que impedem a aplicação prática imediata da descoberta está a incapacidade do IGF-1 de chegar ao alvo. “O fator, quando administrado via oral ou pela veia, acaba indo muito pouco ao cérebro. Existe uma barreira [hematocefálica] que proteje o cérebro, filtrando ingredientes essenciais e evitando um ataque viral, por exemplo. O IGF-1 é uma molécula grande, que acaba sendo filtrada por essa barreira”, afirma Muotri. “Temos de alterar quimicamente o IGF-1 para deixá-lo mais penetrante.” Além disso, tanto o fator quanto a gentamicina são drogas não específicas, portanto causariam efeitos colaterais tóxicos se aplicadas em tratamentos com humanos.
'É possível reverter neurônios autistas para um estado normal, ou seja, o estado autista não é permanente', diz Alysson Muotri
"É possível reverter neurônio autista para um estado

normal, ou seja, o estado autista não é permanente",
diz Alysson Muotri. (Foto: cortesia UC San Diego)
Síndrome de Rett

O foco do estudo foi a chamada Síndrome de Rett, uma doença neurológica que faz parte do leque dos autismos. “Leque” porque o autismo não é uma doença única, mas um grupo de diversas enfermidades que têm em comum duas características bastante conhecidas: deficiências no contato social e comportamento repetitivo.

No caso dos portadores de Rett, há um desenvolvimento normal até algo em torno de seis meses a um ano e meio de idade. Mas então começa uma regressão. Além das características autistas típicas, neste caso bem acentuadas, eles vão perdendo coordenação motora e rigidez muscular.
Essa síndrome foi escolhida para o trabalho de Muotri, Carromeu e Marchetto porque tem uma causa genética clara – mutações no gene MeCP2 – e porque afeta os neurônios de forma mais acentuada, facilitando comparações e verificações de reversão.
“Talvez a implicação mais importante desse nosso trabalho é o fato de que os neurônios derivados de pessoas com autismo mostraram alterações independentemente de outros fatores. Isso indica que o defeito foi autônomo. Por isso, esse dado deve contribuir para reduzir o estigma associado a doenças mentais”, comemora Muotri. “Você não fica autista porque sua mãe não te deu o amor necessário ou porque seus pais foram ruins.”
Utilidade das iPS

Lygia da Veiga Pereira, doutora em Ciências Biomédicas e chefe do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (LaNCE) da USP, saudou a pesquisa: "É mais um trabalho que mostra a enorme utilidade das células iPS, não como fonte de tecido para terapia celular, mas como modelo para pesquisa básica, para entender os mecanismos moleculares por trás de diferentes doenças que tenham forte base genética."

Lygia faz uma ressalva sobre as características muito específicas da Síndrome de Rett. Como a disfunção é exclusivamente associada a uma mutação genética, ficam de fora os fatores ambientais que desencadeiam o autismo.
Ainda segundo a especialista, os resultados obtidos por Muotri também realçam "o que brasileiros podem fazer trabalhando com infraestrutura e agilidade para conseguir reagentes, por exemplo, e interagindo com uma comunidade científica de grande massa crítica".


Lembrando que já falamos do trabalho de Alysson Muotri aqui no blog!

NOTÍCIA - 07/03/2010 - BIÓLOGO VÊ ORIGEM DO AUTISMO EM CÉLULA

BIÓLOGO VÊ ORIGEM DO AUTISMO EM CÉLULA

Folha de São Paulo 07/03/2010 - 11:12

sábado, 27 de março de 2010

NOTÍCIA 25-03 - IDENTIFICADOS DOIS GENES ASSOCIADOS AO AUTISMO

ESTUDO INTERNACIONAL FOI REALIZADO EM CENTENAS DE FAMÍLIAS EUROPÉIAS


Foram identificados dois genes associados com o distúrbio o espectro autista (ASD − autistic apectrum disorders, nas siglas em inglês), num novo estudo realizado com 661 famílias.

Os investigadores, que publicaram o estudo na recente revista BioMed Central’s Molecular Autism, descobriram variações nos genes de duas proteínas cerebrais, a LRRN3 e a LRRTM3, que estão associados significativamente à susceptibilidade de ASD.

Anthony Monaco, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, trabalhou com uma equipa internacional para estudar os genes em famílias do Reino Unido, Holanda, Itália e Alemanha. O investigador garantiu que “para o nosso conhecimento, esta é uma das mais complexas análises sobre a associação entre estes genes cerebrais e a relação com o risco de ASD”.

As proteínas codificadas por estes dois genes têm implicações no desenvolvimento do cérebro, prejudicando muitas vezes os indivíduos autistas. A LRRN3 tem um papel importante no desenvolvimento e manutenção do sistema nervoso enquanto a LRRTM3 faz parte do conjunto de proteínas usadas para organizar as conexões sinápticas.

Segundo Monaco, “este é um estudo centrado nos genes e na tentativa de identificar as variantes comuns na população do Reino Unido e em outras populações europeias. Os estudos futuros destes genes e da sua função vão contribuir para o desenvolvimento de informações sobre a patologia do ASD”.

Polymorphisms in leucine-rich repeat genes are associated with autism spectrum disorder susceptibility in populations of European ancestry

 Background
Autism spectrum disorders (ASDs) are a group of highly heritable neurodevelopmental disorders which are characteristically comprised of impairments in social interaction, communication and restricted interests/behaviours. Several cell adhesion transmembrane leucine-rich repeat (LRR) proteins are highly expressed in the nervous system and are thought to be key regulators of its development. Here we present an association study analysing the roles of four promising candidate genes - LRRTM1 (2p), LRRTM3 (10q), LRRN1 (3p) and LRRN3 (7q) - in order to identify common genetic risk factors underlying ASDs.

Methods

In order to gain a better understanding of how the genetic variation within these four gene regions may influence susceptibility to ASDs, a family-based association study was undertaken in 661 families of European ancestry selected from four different ASD cohorts. In addition, a case-control study was undertaken across the four LRR genes, using logistic regression in probands with ASD of each population against 295 ECACC controls.

Results

Significant results were found for LRRN3 and LRRTM3 (P< 0.005), using both single locus and haplotype approaches. These results were further supported by a case-control analysis, which also highlighted additional SNPs in LRRTM3.

Conclusions

Overall, our findings implicate the neuronal leucine-rich genes LRRN3 and LRRTM3 in ASD susceptibility.
 

terça-feira, 16 de março de 2010

NOTÍCIA - 16/03/2010 - NO RASTRO GENÉTICO DO AUTISMO

NO RASTRO GENÉTICO DO AUTISMO

Testes de diagnóstico mais fiáveis do que outros

As intervenções terapêuticas com crianças que demonstrem ter Transtorno do Espectro Autista (TEA) devem começar desde cedo. Existem vários testes cuja finalidade é detectar anomalias no DNA que possam causar problemas para um diagnóstico precoce. Um trabalho publicado na revista «Pediatrics» defende a generalização do uso de um deles.

Na maioria dos casos, os sintomas aparecem antes dos três anos, mas podem igualmente ser diagnosticados muito depois dessa idade. Portanto, pessoas que tenham um filho ou outro familiar afectado têm a probabilidade de virem a ter descendentes com a doença e a resposta está, por isso, nos genes.

Hoje, sabe-se que os factores genéticos que aumentem o risco de desenvolver TEA são variados e isso dificulta a detecção precoce. Os guias de diagnóstico genético recomendam o uso de testes como: Cariótipo dos cromossomas, que permite identificar grandes alterações; e o teste da síndrome do X frágil (também conhecida como síndrome de Martin & Bell), já que em 30 por cento destes têm autismo; mas o potencial destes é bastante limitado.

O estudo então publicado por investigadores do Hospital Infantil e do Consórcio do Autismo de Boston (EUA) sublinham a Análise Cromossómica por Microarray (CMA), por considerarem ter uma taxa de detecção de anomalias genéticas três vezes superior aos seus antecessores.

Os autores testaram as três provas genéticas em 933 pacientes, entre os 13 meses e 22 anos. O cariótipo detectou anomalias em 2,3 por cento, o segundo teste apenas em 0,46 por cento e o CMA em 7,3 por cento dos participantes., para a análise do genoma completo (caso se limitasse a examinar determinadas regiões, potencial descendência).
Ferramenta importante

“O CMA detecta claramente mais alterações do que os outros testes genéticos considerados de standard clínico", explicou David Miller, do Departamento de Genética do Hospital Infantil de Boston. Miller espera que, agora, as companhias de seguros cubram os testes, dada a sua capacidade para detectar anomalias genéticas no DNA.

Os investigadores consideram que o CMA será uma ferramenta importante no futuro, e não só para o diagnóstico do TEA, mas também para estabelecer as causas genéticas e tentar clarificar a origem. A análise poderá avaliar e confirmar a presença do transtorno proporcionando um diagnóstico para intervenção precoce e posteriormente contribuir para uma evolução significativa dos pacientes.

segunda-feira, 8 de março de 2010

TOXINAS CAUSAM AUTISMO?

O autismo foi identificado pela primeira vez em 1943 num nebuloso jornal médico. 
Desde então, ele se tornou uma aflição assustadoramente comum.
Os Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos reportaram recentemente que distúrbios do autismo hoje afetam quase 1% das crianças.
Nas últimas décadas, outros distúrbios do desenvolvimento também parecem ter se proliferado, junto com certos tipos de câncer em crianças e adultos.
Por quê? Ninguém sabe ao certo.
Essas condições constituem um enorme fardo à saúde.
Suspeitas de que um culpado disso seriam substâncias químicas no ambiente estão ganhando corpo.
Um artigo publicado online no jornal médico Current Opinion in Pediatrics torna isso explícito.
O artigo cita "estudos historicamente importantes e de prova de conceito que especificamente ligam o autismo a exposições ambientais sofridas no pré-natal".
O texto diz que "a probabilidade é alta" de que muitos químicos "tenham potencial de causar danos ao cérebro em desenvolvimento e produzir distúrbios neurológicos e de desenvolvimento".
O autor não é um excêntrico natureba, mas o próprio Dr.
Philip J.
Landrigan, professor de pediatria da Mount Sinai School of Medicine, em Nova York, e presidente do departamento de medicina preventiva da faculdade.
Embora seu artigo esteja repleto de linguagem cautelosa, Landrigan me contou que está cada vez mais confiante de que o autismo e outras condições sejam, em parte, resultado do impacto de químicos no cérebro enquanto ele está sendo formado.
"O centro da questão é o desenvolvimento cerebral", disse ele.
"Se os bebês são expostos ainda no útero ou logo após o nascimento a químicos que interferem no desenvolvimento do cérebro, as consequências duram a vida toda".
Preocupações envolvendo toxinas no ambiente costumavam ser uma visão marginal.
Porém, o alarme está se direcionando ao mainstream médico.
Toxicologistas, endocrinologistas e oncologistas parecem ser os mais preocupados.
Uma das incertezas é em que grau o aumento reportado no autismo simplesmente reflete um diagnóstico mais comum do que antes poderia ser chamado de retardo mental.
Há componentes genéticos para o autismo (gêmeos idênticos têm maior probabilidade de compartilhar o autismo do que fraternos), mas a genética explica apenas cerca de um quarto dos casos de autismo.
Suspeitas de toxinas surgem em parte porque estudos descobriram que grupos desproporcionais de crianças desenvolvem autismo depois de terem sido expostas no útero a medicamentos como talimida (sedativo), misoprostol (remédio de úlcera) e ácido valpróico (anticonvulsivo).
Das crianças nascidas de mulheres que tomaram ácido valpróico no início da gravidez, 11% eram autistas.
Em cada caso, os fetos parecem mais vulneráveis a essas drogas no primeiro trimestre da gravidez, às vezes apenas algumas semanas após a concepção.
Um estudo revisado por pares e publicado este ano no Environmental Health Perspectives nos trouxe uma ideia dos riscos.
Pesquisadores mediram os níveis de químicos suspeitos chamados phthalates na urina de mulheres grávidas.
Entre as mulheres com maiores níveis de certos phthalates (aqueles comumente encontrados em fragrâncias, xampu, cosméticos e esmalte de unha), seus filhos tiveram maior probabilidade de apresentar, anos depois, comportamento perturbado.
Honestamente, esses temas são difíceis para um jornalista.
A evidência é técnica, fragmentada e conflitante, e há o perigo de sensacionalizar os riscos.
A disseminação do medo de que a vacina causa autismo - uma teoria desacreditada - talvez tenha tido a consequência catastrófica de diminuir o índice de imunização nos Estados Unidos.
Por outro lado, no caso de grandes perigos à saúde dos tempos modernos - mercúrio, chumbo, tabaco, asbesto - os jornalistas foram lentos demais em apertar o botão de alerta.
Na questão da saúde pública, nós da imprensa temos sido mais cães de companhia do que cães de guarda.
Numa época em que muitas pessoas ainda usam recipientes de plástico para colocar alimentos no micro-ondas, empalidecendo toxicologistas, precisamos acelerar a pesquisa, a regulamentação a e proteção ao consumidor.
"Há doenças que estão aumentando na população sem causa aparente", disse Alan M.
Goldberg, professor de toxicologia da Bloomberg School of Public Health da Johns Hopkins University.
"O câncer de mama, de próstata e o autismo são três exemplos.
O potencial é que as doenças continuem aumentando devido à presença de químicos no ambiente'.
O princípio da precaução sugere que nós deveríamos ter cuidado com produtos pessoais como fragrâncias, a não ser que eles sejam livres de phthalate.
E faz sentido - particularmente no caso de crianças e mulheres grávidas - evitar a maioria dos plásticos com indicação 3, 6 e 7 no fundo da embalagem, pois são aqueles associados a toxinas potencialmente prejudiciais.


© 2010 New York Times News Service Tradução: Gabriela d'Ávila

NOTÍCIA - 07/03/2010 - BIÓLOGO VÊ ORIGEM DO AUTISMO EM CÉLULA

BIÓLOGO VÊ ORIGEM DO AUTISMO EM CÉLULA

Folha de São Paulo 07/03/2010 - 11:12
 
Um experimento com cultura de células está mostrando como alterações genéticas em neurônios podem levar alguém a adquirir autismo.

Um grupo da UCSD (Universidade da Califórnia em San Diego) extraiu tecido da pele de crianças portadoras desse transtorno e conseguiu convertê-lo em neurônios, para simular o desenvolvimento embrionário do cérebro. Ao compará-las com outras feitas a partir de crianças normais, os biólogos viram que algo estava errado.

Como o autismo é uma doença que se nota tarde no desenvolvimento de um bebê, em geral a partir de um ano, poucos cientistas esperariam ver problemas em neurônios de estágios iniciais. Mas o biólogo brasileiro Alysson Muotri acaba de testemunhar isso na UCSD, onde, aos 36 anos, dirige um laboratório de ponta em sua área de pesquisa.

"Começamos a perceber que o tamanho do neurônio perto do núcleo é menor, e também que a ramificação de terminais que existe em neurônios normais não existe no caso dos autistas", disse o cientista à Folha. "É uma coisa morfológica."

Como nem sempre o autismo tem uma relação clara com histórico familiar, os cientistas têm tido dificuldade para achar genes determinando propensão forte à doença. Muitos casos são "esporádicos" e não está claro ainda quais trechos do DNA são realmente importantes na geração da moléstia.

Mesmo não dispondo dessa informação, porém, o grupo de Muotri conseguiu demonstrar o forte lado genético da doença.

Células reprogramadas

Em seu laboratório, Muotri trabalha com as chamadas iPS -as células-tronco de pluripotência induzida-, uma invenção recente na biologia experimental. Diante da dificuldades técnicas e éticas de trabalhar com células de embriões humanos, cientistas criaram uma maneira artificial de reverter células adultas ao estágio embrionário.

É isso que Muotri faz com material extraído da pele de pessoas ou cobaias antes de transformá-lo em neurônios.

O paulistano trabalhou inicialmente com células derivadas de crianças com síndrome de Rett. A doença tem vários sintomas, sendo o autismo um deles. Esse transtorno foi escolhido porque tem uma causa genética já conhecida, uma mutação no gene MECP2. Depois, estendeu a pesquisa a outras síndromes de caráter autista e, por fim, usou células de crianças com autismo "esporádico", sem origem genética clara.

Todas pareciam ter o mesmo problema morfológico. "Isso significa que o autismo começa a se desenvolver já no embrião", diz Muotri, que à vezes encontra dificuldades em convencer outros cientistas de sua descoberta. "Já me perguntaram: "Como você pode afirmar que uma doença é genética se você não conhece o gene?"."

Genes saltadores

Uma mutação que afete o sistema nervoso, porém, não necessariamente afeta o aparelho reprodutor de um indivíduo, diz Muotri, por isso a doença pode ter origem no DNA sem ser estritamente hereditária. E o cérebro, nos humanos, está particularmente sujeito à ação dos chamados transpósons --genes que "saltam" de uma célula a outra, criando diversidade genética entre neurônios.

Como a ação dos transpósons é influenciada pelo ambiente, há um indício a mais de que ela pode ter relação com o autismo, também ligado a fatores ambientais e de desenvolvimento.

Como esse campo de pesquisa, além de levantar controvérsia, é ultraconcorrido, Muotri diz que tem procurado replicar seus experimentos o máximo que pode para dar credibilidade aos resultados. Por isso, nenhum estudo sobre as células iPS com DNA de crianças autistas foi publicado ainda em um periódico científico auditado.

Agora, além de produzir células em cultura para observação, o laboratório do cientista está produzindo "circuitos neurais". Emendando células em série, Muotri e seus colegas tentam verificar como neurônios derivados de crianças autistas se comportam quando estão interligados em rede.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

NOTÍCIA - GENES DOS PAIS ESTÃO COMPETINDO

GENES DOS PAIS ESTÃO COMPETINDO

Genes do pai e da mãe afetam o desenvolvimento cerebral.
Autismo e esquizofrenia podem ser causados pela "briga" genética.

Benedict Carey Do 'New York Times'

Dois cientistas, esboçando sobre seus próprios poderes de observação e uma leitura criativa de recentes descobertas genéticas, publicaram uma envolvente teoria de desenvolvimento cerebral que pode mudar a forma como são compreendidas as doenças mentais como autismo e esquizofrenia.

A teoria surgiu em parte do pensamento sobre os eventos, aparte de mutações, que podem mudar o comportamento dos genes. E ela sugere caminhos inteiramente novos de pesquisa que, mesmo provando que a teoria é falha, provavelmente oferecerão novas percepções à biologia da doença mental.

Em um tempo onde a busca pelas falhas genéticas responsáveis pelas doenças mentais se tornou atolada em descobertas incertas e complexas, a nova idéia presenteia a psiquiatria com talvez sua maior teoria de trabalho desde Freud, e uma que é fundamentada em trabalhos na vanguarda da ciência. Os dois pesquisadores – Bernard Crespi, biólogo da Universidade Simon Fraser no Canadá, e Christopher Badcock, sociólogo da Escola de Economia de Londres, ambos novatos no campo da genética comportamental – publicaram sua teoria numa série de recentes artigos de jornal.

“A realidade, e imagino que os dois autores concordariam, é que muitos dos detalhes de sua teoria estarão errados; e continua sendo, neste ponto, apenas uma teoria,” disse o Matthew Belmonte, neurocientista da Universidade Cornell. “Mas a idéia é plausível. E dá a pesquisadores uma ótima oportunidade para a geração de hipóteses, algo que, na minha opinião, pode abalar o campo no bom sentido.”

A idéia é, em linhas amplamente gerais, bastante direta. Crespi e Badcock propõem que um cabo-de-guerra entre genes dos espermas do pai e dos óvulos da mãe pode, efetivamente, desviar o desenvolvimento cerebral de uma ou duas maneiras. Uma forte propensão em direção ao pai empurra um cérebro em desenvolvimento ao longo do espectro autista, com fascinação por objetos, padrões, sistemas mecânicos, em detrimento do desenvolvimento social. Uma inclinação em direção à mãe move o cérebro em crescimento ao longo do que os cientistas chamam de espectro psicótico, com a hipersensibilidade ao humor, seja o próprio ou o dos outros. Isto, de acordo com a teoria, aumenta o risco de uma criança desenvolver esquizofrenia mais adiante, assim como problemas de humor como distúrbios bipolares e depressão.

Em resumo: o autismo e a esquizofrenia representam extremos opostos de um espectro que inclui a maior parte das doenças mentais desenvolvidas -- se não todas. A teoria não faz uso das muitas categorias distintas para doenças da psiquiatria, e daria uma dimensão inteiramente nova a descobertas genéticas.

“As implicações empíricas são absolutamente enormes”, disse Crespi numa entrevista por telefone. “Se você encontra um gene ligado ao autismo, por exemplo, vai querer olhar o mesmo gene relativo à esquizofrenia; se é um gene de cérebro social, então seria esperado ter efeitos opostos nessas doenças, não importa se a expressão de gene estava ligada ou desligada”.

A teoria se baseia pesadamente na obra de David Haig de Harvard. Foi Haig quem argumentou nos anos 90 que a gravidez era, em parte, uma luta biológica por recursos entre a mãe e a criança que ainda não nasceu. Por um lado, a seleção natural deveria favorecer as mães que limitam os custos nutricionais da gravidez e têm maiores descendências; por outro lado, também deveria favorecer os pais cujas descendências maximizam os nutrientes recebidos durante a gestação, instalando um conflito direto.

A evidência de que essa luta está sendo travada no nível de genes individuais é acumulativa, mesmo que geralmente circunstancial. Por exemplo, o feto herda de ambos os pais um gene chamado IGF2, que promove o crescimento. Mas crescimento excessivo taxa a mãe, e no desenvolvimento normal seu gene IGF2 é quimicamente sinalizado, ou “carimbado,” e biologicamente silenciado. Se o seu gene estiver ativo, pode causar uma desordem de supercrescimento, pela qual o peso de nascimento do feto fica em média 50% acima do normal.

Biólogos chamam esse carimbo no gene de efeito epigenético, significando que ele muda o comportamento do gene sem alterar sua composição química. Não é questão de ligar ou desligar um gene, algo feito pelas células no curso do desenvolvimento normal. No lugar disso, é questão de cobrir um gene, por exemplo, com um marcador químico que torna difícil para a célula ler o código genético; ou alterar a forma da molécula de DNA, ou o que acontece às proteínas que ele produz. Para ilustrar como tal transformação genética pode criar opostos comportamentais -- o yin e yang que a teoria propõe -- Crespi e Badcock apontam a um extraordinário grupo de crianças que são simplesmente isso: opostos, tão temperamentalmente diferentes como Snoopy e Charlie Brown, como um Gaugin cheio de vida e um ameaçador Goya.

Aqueles com a doença genética chama Síndrome de Angelman praticamente dançam o dia todo, têm dificuldades de comunicação e necessitam de cuidados constantes. Aqueles nascidos com o problema genético conhecido como Síndrome de Prader-Willi são plácidos, complacentes e, quando jovens, não dão muito trabalho.

Mas essas duas doenças, que aparecem em cerca de um a cada 10.000 recém-nascidos, derivam de rompimentos da mesma região genética no cromossomo 15. Se os genes do pai são dominantes nessa região, a criança desenvolve a síndrome de Angelman; se forem os da mãe, o resultado é a Prader-Willis, como apontaram Haig e outros. A primeira é associada ao autismo, e a segunda com problemas de humor e psicose -- exatamente como prevê a nova teoria.

Problemas emocionais como depressão, ansiedade e doença bipolar, examinados por esta lente, aparecem no lado materno da gangorra, com a esquizofrenia, enquanto a síndrome de Asperger e outras deficiências sociais estão no lado paterno.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

REPORTAGEM - SCIENTIFIC AMERICAN



Pesquisadores descobrem um meio de tornar mais lentas as células cerebrais que podem desencadear distúrbios neurológicos





Cientistas afirmam ter localizado com precisão um gene cerebral que pode acalmar as células nervosas muito irrequietas, o que potencialmente abre caminho para novas terapias para o autismo e outros distúrbios neurológicos.



“É animador porque abre uma nova perspectiva nessa área,” comenta Michael Greenberg, neurobiologista da Harvard Medical School.“Ninguém havia encontrado até agora um gene que controlasse esse processo.”
O cérebro tenta constantemente manter um equilíbrio entre a atividade exagerada e a atividade reduzida de células nervosas. Os neurologistas acreditam que quando esse equilíbrio é rompido, podem ocorrer distúrbios como o autismo e a esquizofrenia. Não se sabe com certeza por que os neurônios ─ células nervosas ─ perdem o controle. Mas Greenberg acredita que ele e seus colegas localizaram, em camundongos, um gene que ajuda a manter a atividade neural sob controle ─ e talvez um dia possa ser aproveitado para prevenir ou reverter problemas neurológicos.






Pesquisadores anunciaram na Nature a descoberta de que um gene chamado Npas4 que produz, em grande escala, uma proteína que impede os neurônios de se tornarem muito excitados ao se comunicarem entre si por meio de conexões conhecidas com sinapses. Quando essa proteína é bloqueada, os neurônios disparam mais sinais que o normal, mas quando os níveis da proteína aumentam, os neurônios se acalmam.






Gina Turrigiano, neurocientista da Brandels University, que estuda aspectos da comunicação entre neurônios, observa que o estudo de Greenberg se revela “potencialmente, um caminho bastante intrigante,” para controlar a atividade neural. Mas ela ressalta que o Npas4 pode não ser o único gene que faz isso. Camundongos sem Npas4 podem sobreviver, embora possam ser capturados mais facilmente e tenham um tempo de vida mais curto que camundongos normais.






Enquanto os cientistas aprofundam seu conhecimento sobre a forma como as células cerebrais se mantêm em equilíbrio, Greenberg acredita que serão capazes de identificar pessoas geneticamente mais propensas a sofrer distúrbios neurológicos e de desenvolver novos medicamentos para prevenção e tratamento desses pacientes.






Ele alerta para o fato de que outros genes, também afetados pelo Npas4, estão sendo associados ao autismo, mas adverte que as novas terapias resultantes de sua pesquisa “ainda têm um longo caminho a percorrer,” conclui. “Estamos apenas começando, ainda há muito por conhecer”.

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